
Atual líder do ranking latino, o argentino Martín Passeri passou os últimos três meses treinando no quintal de casa, na congelante Mar del Plata.
Nesta entrevista, ele fala sobre sua rotina de treinos a boa fase que vive como líder disparado do Alas Tour.
Estamos no segundo semestre e você é o líder do ranking com duas vitórias em quatro eventos. Como se sente com a situação?
É uma grande alegria e uma honra estar na ponta do ranking, pois sei que há muitos atletas bons no Latin Tour. Mas, estamos na metade do circuito.

Este ano preferi não participar em uma delas e aproveitar o tempo fora dos campeonatos para descansar em casa e me preparar para a reta final. É importante estar tranqüilo e conservar energias.
O que você fez de diferente neste ano em relação aos anteriores?
Troquei algumas coisas. Mas, também acho que o verdadeiro resultado aparecerá no final do circuito. Ainda tem muita briga e o nível está bem alto. Por isso acho que o mais importante é continuar trabalhando e chegar ao final do ano com muita motivação e tranqüilidade.
Como você tem se preparado?
Neste ano me esforcei para aproveitar minha estada em casa, treinando muito a parte física e mental para encarar meu surf com tudo. Sempre achei que a parte física é um dos meus pontos altos. Neste ano meu treinador me ajudou a botar ordem no trabalho, fazendo um planejamento e traçando objetivos para obter resultados melhores.
Comente um dia típico de Martín Passeri.
Terça, quinta e sábado acordo às 6 horas. Faço um suco de laranja e coloco água para esquentar para a sagrada cerimônia do mate. Às 7 horas, faço natação por uma hora praticando diferentes exercícios. Em seguida, por volta das 8:30 horas, faço outros exercícios no ginásio por uns 45 minutos. Às 9:30 horas estou pronto para a segunda roda do mate. Aí, começo a checar as condições e decido o melhor horário para surfar. Nesta época são poucos os dias que faço duas sessões. Se rolar, é porque não terá ondas no dia seguinte. Às 12 horas levo minha Zoe à escola, volto, almoço e estou pronto para fazer mais uma sessão ou algum outro exercício. Às 18 horas faço alongamento. Vamos cozinhando (Mariana e eu), até que às 21 horas jantamos. Por volta das 23 horas vou dormir.
Como é se preparar para um desafio tão importante nas ondas geladas de Mar del Plata?
Dei sorte neste ano, pois tive mais tempo para me preparar, principalmente em relação ao equipamento. Também olho muito as previsões para aproveitar as ondas ao máximo. Quando as condições não são boas, fico relax e junto energias. É provável que esteja treinando mais físico do que o surf. Mas, acho bom porque aumenta minha vontade e isso nunca podemos perder. Se ficasse desmotivado, acho que não faria mais nada.
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Você acha que está em sua melhor fase?
Acho que estou evoluindo. Sinto-me mais seguro nas ondas, mas o melhor está por vir.
O que significa para você vencer o campeonato latino?
Sentirei muito orgulho e alegria por conseguir um objetivo que sempre quis. Estou trabalhando para isso.
Dos Top 5, quais são os principais adversários?
Todos no circuito têm excelente nível e, estando no melhor dia, podem ganhar o campeonato.

Falo além dos cinco primeiros do ranking. Eles não são as únicas ameaças. É importante estar concentrado porque em cada pico há locais que surfam de uma forma incrível e têm muita vontade de ganhar.
Como se sente para as diferentes condições na reta final do circuito? Tem alguma etapa que considera mais fácil?
Gosto de todas. Adoro Costa Rica; sempre que uma onda tem força estou mais à vontade. Em El Salvador fico alucinado e também adorei Porto Rico no ano passado, mas não tive um bom resultado ali. Assim, quero ir com mais vontade de vencer e finalizar o circuito com um bom resultado.
Você é um veterano profissional latino. Você acha que ter mais experiência, ter uma família faz de você um profissional melhor ?
Acho que sempre procurei equilibrar tudo o que faço, sempre fazendo as coisas com compromisso e respeito. Tenho um projeto com duas pessoas pelo resto da sua vida e que me ajudam a tomar cuidado com a carreira.
Quais são as melhores qualidades do seu surf na competição?
Nunca achar que fui vencido e achar que sempre tem espaço para fazer mais uma manobra.
Comente teus planos para o resto do ano.
Também estou treinando e pensando no mundial WQS, adoraria obter um resultado em um evento desse tipo. E quero terminar o ano no Hawaii.
E o futuro?
Quero disputar o circuito mundial e surfar ondas diferentes, praticar tow-in.
Em algum momento quero outro filho e ficar mais ligado ao surf do meu país para passar meu conhecimento adiante.