Páscoa na terra de Oz

Nem acredito que cheguei à final do Rip Curl Groam Search aqui na Austrália. Tantas coisas aconteceram nesta semana que nem sei por onde começar a contar.

 

Estou aqui no palanque do campeonato aproveitando a internet. Palanque, não, megapalanque.

 

É muito grande e, na real, são vários palanques, muita gente num visual irado.

 

Tem comida para os atletas e várias coisas acontecendo ao mesmo tempo. Eu tava vendo e nem acreditei que este é o 33o campeonato de Bell’s Beach. Quer dizer, desde 1972 eles fazem uma etapa do mundial aqui.

 

Já estou uma semana longe de casa e hoje foi estranho acordar e não sair para procurar os ovos de Páscoa. Minha mãe sempre esconde. Aqui eles não dão ovos um para outro. Mas, tô me acostumando. Já passei Natal e Ano Novo sozinha no Hawaii, aniversário em Ubatuba…

 

Dá nada, tô feliz, tô na final. Eu e o Gean Carlo. Aí, todo mundo está falando dos brasileiros, que estão quebrando, surfando muito.

 

A minha bateria foi bem difícil, eu surfei contra Nikita Robb, da África do Sul e a australiana Jessica Hickson.

 

Comecei perdida no pico, mas como era bateria de 25 minutos, deu tempo de me achar.

 

Então, eu tinha um 4,5 e achei uma onda pequena, mas que deu pra levar até o inside. Acho que andei muito e fiz muita manobra, pois me deram um 8,60.

 

Agora tem que esperar a repescagem para saber contra quem eu vou disputar o título. Vai ser bateria de quatro e o mar tá melhorando.

 

Sabe, aqui é como um filme. Tudo bonitinho, certinho. As ruas, as casas, as praias… tudo muito lindo. Quando eu cheguei a Melbourne, Jodie, da Quisksilver, me pegou e fui para a fábrica. Gigante!

 

Daí, peguei algumas roupas e um neoprene long john. Depois, fui para a casa dela. Nem acreditei quando eu tava lá descansando, na última quarta-feira depois do surf quando chegaram a campeã mundial Sofia Mulanovich, a havaiana Mega Abubo e a australiana Jessi Miley, mais outras atletas do WCT que são da Quiksilver.

 

Outro dia fui jogar boliche e o Andy e o Bruce Irons estavam na pista ao lado. Na praia já encontrei com todos os brasileiros, Peterson, Raoni, Jaqueline, Tita. É muito massa!

 

Depois de uns dias na casa da Quiksilver, fui para a casa da Rip Cul. Estou lá com uma australiana, uma sul-africana e uma menina da nova Zelândia.

 

É muito legal, mas é difícil entender o que elas falam. Mas todo mundo me ajuda, me explicam várias vezes até eu entender. No campeonato é mais difícil, sempre tem reunião com as atletas e eu fico ouvindo sem entender nada. Depois que termina eu vou perguntar para uma delas, aí consigo entender.

 

Não foi fácil comer no começo, mas agora melhorou. O almoço é no palanque, dá pra se virar e a janta é show. Os brasileiros levaram Gean Carlo e eu num lugar bom.

 

É isso, gente… Queria agradecer a todos que estão torcendo por mim, como a Gisele, Gustavo e o povo que sempre escreve. Beijo pra mãe, pro pai e pra todo mundo.

 

Continuem torcendo por mim…

 

 

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