Retrospectiva pororoca

Parte II – Brinde à Rainha

Serginho Laus (à esq.) dropa a gelada onda do Rio Severn, lugar onde o surf de maré nasceu há 55 anos. Foto: Likoska.

Paranaense representa o Brasil no tradicional Festival inglês Magnificent Severn. Foto: Arquivo Pessoal.

Depois de uma temporada intensa e longa na Amazônia, retornei ao Sul e Sudeste para finalizar os planejamentos para o segundo semestre de 2010.

 

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A rota principal era alguma “Pororoca” (Tidal Bore) estrangeira, para continuar com o projeto de desbravar e explorar todas as ondas de marés do mundo.

 

Já tive a oportunidade de fazer a Mascaret na França em 2004 e o Black Dragon na China em 2008 e 2009.

 

Agora estava na obrigação de realizar uma expedição para a “Pororoca da Rainha” (título criado aqui no Waves) conhecer o rio Severn e a comunidade mais antiga do surf de maré, além de interagir no maior festival dos Bore Riders (surfistas de marés).

 

Mas antes tive que matar saudades do rio Araguari (AP), surfando e gravando o som da onda mais longa do mundo para a Fundação Itaú, num trabalho do artista plástico Cildo Meireles.

 

Para ter um som puro e do interior da pororoca, fui equipado pela Na Goma Produções com equipamentos de áudio para captar o grande estrondo do maior fenômeno fluvial do mundo. Ali surgiu mais uma profissão; captador de áudio na pororoca! O clima quente e ondas com extrema força foram aos poucos se modificando.

 

Da selva Amazônica para o Rio de Janeiro, da Cidade Maravilhosa para Portugal e na sequência aterrissando em Londres, Inglaterra. Enfim na terra da Rainha, da Pororoca da Rainha!

 

Mas o que não podia acontecer, aconteceu… As pranchas e mala do fotógrafo Likoska, que viajava comigo, foram extraviadas. Com muita satisfação fomos resgatados no aeroporto de Heathrow pelo maior nome do surf da Severn Bore, o druída Steve King, local master do rio Severn.

 

Nosso destino foi a cidade de Gloucester, que fica entre Bristol e Birmingham. A Catedral de Gloucester ficou famosa em ser uma locação especial para o sexto filme de Harry Potter e o Enigma do Príncipe. E também marcava o lugar onde nasceu o surf de marés há 55 anos atrás.

 

Com clima cinza e frio, as perguntas mais comuns eram se a água estava muito gelada e como a onda iria se comportar naquela lua cheia. E realmente a água era muito gelada! Mas não tanto como no inverno, em que o cabelo e barba chegam a congelar. Melhor do que tirar gelo de cima da prancha!

 

Estávamos muito bem equipados. Testando a roupa aquecida da Rip Curl, modelo H-Bomb, que fazia com que na temperatura máxima meu corpo chegasse a quase 37ºC. Os locais ficaram impressionados e queriam roupas como aquela para se sentir mais confortáveis.

 

Enfim, para esperar a onda no rio Severn era fundamental uma boa roupa e botinhas. No dia mais frio quase usei gorro e luvas!

 

Entre os parceiros de surf, estava lá o maior representante do surf profissional inglês: Russel Winter. Fizemos fotos para uma curta matéria na revista inglesa de surf chamada Carve.

 

Surfando com pranchas emprestadas, escolhi um pranchão clássico e surfei boas e longas ondas de até 3 milhas contínuas (cerca de 5 quilômetros).

 

A onda não se compara ao Brasil ou China, mas o intuito era de confraternização, cultura e mapeamento de mais uma “pororoca” que acontece no mundo. E todo o “feeling” dos Bore Riders foi transmitido no maior festival dos surfistas de marés: o Magnificent Severn.

 

Um verdadeiro Woodstock do surf! A base do evento foi num enorme descampado a beira do rio, as pessoas compravam seus passaportes e ficavam acampados em seus carros, furgonetas e vans ao redor de estruturas com temáticas diferentes.

 

Música, culinária, artes, palestras, encontros, filmes e muito surf para manter viva a memória e a tradição de se deslizar na onda mais longa da Europa.

 

Uma verdadeira lição de como se resgata a verdadeira forma de se ver e pensar do surf. Sem rixas ou competições, estavam todos juntos vibrando um pelo outro, pela evolução do esporte.

 

E foi neste clima que recebi no país sede do livro mais vendido do mundo o certificado do Guinness Book pelo atual recorde: realizado em 2009 quando surfei 11,8 quilômetros no tempo de 36 minutos no rio Araguari, Amapá.

 

A nossa recepção e o reconhecimento pelos atuais feitos, alcançados ao longos dos últimos 10 anos foi pauta de diversos veículos de comunicação da Europa.

 

A BBC de Londres e a rádio BBC fizeram reportagens da presença do chamado Amazon Surfer, outras emissoras como a SAT1 da Alemanha também cobriram o evento.

 

A festa estava completa e a foto histórica marcou a bandeira brasileira em mais uma Tidal Bore do planeta água! Agora faltam as Pororocas do Alaska, Malasya e a recém descoberta por YEP na Indonésia, que lembra mundo o tamanho e perfeição do Brasil.

 

Agradecimentos especiais: Sumatra Surf, Goofy, Ogio, Pranchas TBC, Outdo, Steve King, Duncan, Stuart Owl, Tom Wright e Likoska. Longas ondas e Auera Auara.

 

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