O catarinense Neco Padaratz é um dos surfistas brasileiros mais experientes na atual temporada do WCT. Sua primeira participação no “circuito dos sonhos” foi há mais de 10 anos.
No ano passado, Neco teve que lutar até o fim para garantir sua vaga na elite mundial, quando terminou o Pipeline Master 2007 na nona colocação e ainda teve que se defender de uma tentativa de agressão do havaiano Sunny Garcia durante a competição.
Já na repescagem do Quiksilver Pro 2008, primeira etapa do WCT, que tem prazo de encerramento até o próximo dia 5 de março em Sanpper Rocks, Gold Coast, Austrália, Neco nem precisou cair na água devido a uma contusão sofrida pelo novato espanhol Aritz Aranburu.
Agora o catarinense disputa uma vaga nas oitavas-de-final contra o carioca Leo Neves.
Em entrevista exclusiva, Neco fala um pouco sobre sua trajetória no circuito mundial e revela os planos para a temporada 2008.
Neco, em que cidade você nasceu e onde mora atualmente?
Nasci em Blumenau (SC) e atualmente moro na Praia Mole, Florianópolis.
Você conseguiu a classificação para o WCT na última etapa do circuito no Hawaii. Fale um pouco sobre o episódio com o Sunny Garcia.
Foi um erro de competição da parte dele e um momento muito importante na minha vida, pois eu precisava passar aquela bateria para poder me classificar. Hoje está tudo bem, afinal de contas, sempre fomos amigos. Competição é um jogo que existem regras e eu só estava tentando fazer a minha parte.
Quando você entrou no WCT pela primeira vez?
Consegui a vaga pela primeira vez em 1997. Depois voltei à elite no ano 2000 e fiquei até 2005.
Como foi o retorno à elite mundial em 2007? Você esperava que fosse tão rapido assim?
Foi um ano de muita batalha. Foi difícil, pois comecei do zero, algo que só fiz quando entrei no circuito em 1994, quando me profissionalizei.
Quais foram seus principais títulos?
Fui campeão mundial em 2003 e 2004. Um dos títulos que mais me marcou foi em Huntington Beach 99. Foi a quebra de tabu, nunca nenhum brasileiro havia vencido nos EUA. O título em Noronha em 2003 também foi marcante, como a etapa que venci em Margareth Rivers, Austrália, em 2004. Eu carrego no coração, pois foi a etapa de gladiador, um mar de ondas grandes! Sem esquecera vitória em Newcastle, em 2006, quando fui campeão e corri 13 baterias durante o campeonato.
Qual foi seu maior desafio no circuito mundial, onde você teve que superar seus limites?
Foi em Teahupoo, Tahiti. Tava uns 8 pés de ondas. Eu tenho duas mães no mundo, a biológica e a espiritual. Tomei um caldo, fiquei trancando com as pernas no reef, e não conseguia sair. Depois que tirei as perna, fiquei trancado com a cordinha. Fiquei três ondas embaixo d?água e vi tudo escuro. É calmo demais debaixo d?água.
Depois me desprendi pela quantidade de ondas e subi à superfície. Em seguida, veio um jet-ski e me levou até um barco, depois disso eu não lembro mais de nada. Estava inconsciente, foi muito tempo sem ar. Posso afirmar que nasci de novo naquele dia.
Qual a onda do circuito mundial que você mais gosta?
Minha onda preferida no circuito mundial com certeza é Sunset Beach, Oahu, Hawaii.
Quem é seu shaper e qual o seu quiver de pranchas nestas etapas do WCT na Austrália?
Meu shaper é o Havenga e trouxe sete pranchas comigo aqui para Austrália. Uma 6?7, uma 6?4, três 6?2, uma 6?0 e outra 5?11.
Você pretende focar-se apenas no WCT, ou vai correr as etapas do WQS este ano também?
Meu foco nesta temporada são ambos os circuitos, tanto o WCT, como o WQS.
O que você espera da temporada 2008 no WCT?
Muito coisa boa. O time brasileiro está muito forte. Estamos todos muito focados e acredito que vai ser um ano excelente, um ano bom e novo para o Brasil. A nossa união está muito forte!
Sua próxima bateria aqui na Gold Coast será com um amigo, o carioca Leo Neves, o que você acha deste confronto?
Nunca gostei de cair em baterias com amigos, mas faz parte do nosso trabalho.
Neco, o que falta para o Brasil ter um campeão mundial?
Falta pouco. Pode ter certeza!
