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Pai de surfista

Ricardo e Davi Toledo são exemplos de pai e filho que dividem o amor pelo surf. Foto: Ivan Storti.

Que amor é esse que sentimos por esse esporte? O surf é o verdadeiro esporte dos reis. O contato direto com a natureza permite uma interação total entre mente e mar.

 

Bom, isso todos nós já sabemos. Mas então o que me fez retomar o amor pelo surf? Logo eu, um fracassado surfista do início dos anos 1970, cujas investidas na água não passaram de meia dúzia de vacas e uma pranchada na cara.

 

A resposta eu sei. Foram meus filhos e amigos, que morando a beira-mar na minha querida Mongaguá (SP), não pensavam em outra coisa.

 

Era da escola direto para o mar. Escorregavam a comida goela abaixo e se mandavam com qualquer prancha, cordinhas de varal, bermuda no meio da bunda.

 

A meia parafina era dividida entre os colegas. A mãe mandava passar o protetor solar e morria de medo que fossem para o fundão. O cachorro corria atrás de todo mundo como se fosse surfar também.

 

As barcas rumo ao Píer, Itanhaém, Peruíbe, Guarujá, Litoral Norte, sem contar na euforia em Maresias, Itamambuca, Vermelhinha disso, Vermelhinha daquilo, Praião, Prainha.

 

Depois Floripa, Guarda e enfim, os banhos na ducha onde todos contavam aos berros da sua atuação e quem falasse mais alto era o dono da melhor manobra do dia.

 

Por último, o jantar, o filme no vídeo cassete para cada um defender seu ídolo e o descanso embalado por sonhos com Hawaii, Indonésia, etc.

 

Os anos já passaram. Todos cresceram. Uns surfam mais, outros menos, alguns realizaram seus sonhos de viagens, outros não.

 

Hoje eles são bons filhos, bons pais, trabalhadores e honestos, de bem com a vida. Tenho a certeza que isso é fruto dessa doce convivência com as ondas, com esse esporte que anula preocupações através da natureza.

 

Muito obrigado meus filhos e queridos amigos.

 

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