Trip

Os tubos viajantes de Calunga

Aldemir Calunga à vontade sob o lip taitiano. Foto: Aleko Stergiou.

Na última sexta-feira (7/6), a redação do site Waves recebeu a visita do big rider potiguar Aldemir Calunga, que apareceu acompanhado do fotógrafo Aleko Stergiou.

 

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Calunga volta ao Brasil depois de uma trip que começou em Fernando de Noronha (PE), passou por Cabo Verde e terminou em Teahupoo, onde pretendia ficar apenas quatro dias, porém não resistiu à magia do local e acabou ficando 48 dias no paraíso taitiano, em uma temporada que lhe rendeu mais de 100 tubos.

 

Como foi essa viagem ao Tahiti?

 

Sempre que me destino a uma ilha é um grande prazer, pois existe a certeza de horas de permanência dentro d´água e até costumo dizer que as ilhas podem ser lindas, mas o que mais me encanta são suas bordas. Suas ondas, águas cristalinas, penhascos e encostas. 

 

É como dedicar boa quantidade e qualidade de tempo à conexão com uma das coisas que amo fazer. Foram três ilhas às quais me dediquei nas minhas úlltimas três viagens. Sempre de olho na previsão comecei por Noronha em seguida fui a Cabo Verde, na intenção de fazer ondas com o domínio do kite e na seqüência com um intervalo de apenas dois dias, me destinei ao Tahiti na busca do swell perfeito.

O swell entrou bem de Oeste, que significa ondas quadradas, bancada rasa, quase sem base e ondas bem curtas, proporcionando um tubo incrível. Largo, azul e assustador. O swell se apresentou no seu pico com o tamanho de 3,7 metros e 16 segundos de período. Apesar de não ser gigantesco foi mais um daqueles marcantes.

 

Destaco a performance do Bruno Santos, que sem dúvida é o homem para carregar a bandeira brasileira ao lugar mais alto do pódio, em qualquer que seja a onda tubular no planeta. Em Teahupoo a vibração esteve sempre ótima, muitos gritos com sorrisos e vários tubos surfados por grandes surfistas, como Burle, Maya, Couto, Treko, Rafinha, Fred, Koxa, Victor, Fun, Pablo e Heitor, sendo esses dois últimos merecedores de respeito pela atitude demostrada ao remar com muita vontade em algumas ondas dignas de respeito.

O Garret e o Dylon surfaram os dois maiores tubos na sessão de tow-in. Na onda do Dylon remei pela vida para passar. Como foi a segunda da série, eu vinha de uma remada animal por ter passado a primeira.

Quando olhei para a base dessa onda do Dylon, simplesmente não havia água e depois ele me confessou que dentro da onda apontou o bico para a praia, com o objetivo de controlar a prancha, pois não tivesse tomado tal atitude precisa teria rodado com a onda.

 

Gostaria de transmitir através dessas fotos a energia que tenho sentido nesses últimos swells surfados no Atlântico e Pacífico.

 

Agradeço a todos que estiveram comigo, amigos e aos patrocinadores Smolder, Pranchas Radical, CT, Teccel, SPY, fotógrafos e câmeras que se dedicaram, pois graças a eles consegui essas imagens, além do povo local dessas três ilhas e a todos os companheiros de viagens.”

 

Como são as coisas quando você está em casa no Rio Grande do Norte?

 

Na verdade gosto de estar sempre próximo do mar. Construí uma pousada em frente à melhor onda do meu estado (Lajinha), a pousada Calunga. Fiz uma estrutura legal para a galera e me sinto feliz, pois é onde posso me manter treinando muito, tanto no surf como no kite, já que é um lugar mágico para os dois esportes e onde estou próximo da natureza.

 

Como consegue conciliar essas modalidades?

Na real vivo meu sonho diariamente e sou muito grato a Deus por me dar condições de treinar e colocar amigos que ajudam a tornar meu sonho um realidade. Com isso me empenho em treinar, surfo quase todo dia, faço academia e yôga.

 

Como é a busca para desenvolver bem três esportes extremos, como o surf, o kite e o tow-in?

 

Eu gosto da palavra extremo, andar sempre no limite. A busca é aprender e evoluir todos os dias. Eu amo o mar e tudo que tenho veio do mar, desde meu pai, que era um verdadeiro marinheiro. Na real quero rodar o mundo pelo maior tempo possível nas melhores e maiores ondas do planeta, dando tudo de mim, usando os melhores equipamentos e conseguindo o melhor da minha performance, para com isso trazer o melhor material para os meus patrocinadores e adentrar nos melhores veículos de midia, que vibram com os esportes radicais.

 

Como é a sua relação com Teahupoo?

Já fui para lá mais de dez vezes e amo aquele lugar, respeito para ser respeitado. É uma onda linda, para mim é a onda. Amo o lugar, o estilo de vida do lugar, as pessoas e por fim a onda.

 

Como é entubar na onda de Teahupoo?

 

É o real feelling do tube rider! Alguns sentimentos que realmente te comovem: amor, respeito, medo e satisfação. É um lugar que vejo e sinto a presença de Deus dentro de mim e me dá muita vontade de rezar, nao só por mim, mas por todos que estão na água e por tudo que nos cerca. Vejo como nós surfistas, que temos a oportunidade de ver tal perfeição, somos muito previlegiados.

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