Por trás das notas

Os perigos do surfe

O acidente que o surfista Carlos Burle sofreu em Jaws, no Hawaii, em uma onda de seis metros quando treinava para o mundial de tow-in que está para começar, nos mostra o quão frágil nós somos em relação à força das ondas, especialmente nas ondas enormes que estão sendo desafiadas atualmente pelos gladiadores do surfe.

 

Desde que os limites de tamanho e força das ondas vêm sendo desafiados por essa legião de caçadores de ondas, que passam a vida atrás das grandes tempestades, as incidências de mortes e acidentes sérios têm aumentado.

 

Vários procedimentos de segurança foram introduzidos para a prática de surfe de ondas enormes, como bomba de oxigênio, coletes salva-vidas e o próprio uso do jet-ski como ferramenta de resgate na zona da arrebentação. Segundo relato do Burle, o colete o atrapalhou a furar uma onda e ele veio no repuxo.

 

Os novos eventos para o surfe de tow-in, que têm premiação milionária, como o famoso Eddie Aikau, geraram um crescimento no mercado para surfistas que desafiam esta nova ordem do nosso esporte. Porém, têm feito com que os surfistas busquem treinar para conseguir mais ritmo e experiência e poderem se destacar e ganhar.

 

O que antes era feito só quando o mar ficava gigante, agora virou surfe do dia-a-dia. Eles chegam a ponto de desafiar o mesmo swell duas vezes, primeiro no Hawaii e dois ou três dias depois na Califórnia.

 

O surfe de ondas grandes está crescendo e até o James Bond entrou nesta onda em seu último filme que está sendo lançado. Enquanto a imagem do surfe for associada ao perigo, nosso esporte ganha em termos de desafio, de impacto jornalístico, abrindo o leque do perfil dos patrocinadores.

 

Mas, quando acontecem acidentes, ele se restringe em potencial publicitário, criando barreiras em sua disseminação na cultura da sociedade em geral no Brasil e no mundo.

A questão do ensino adequado entra neste contexto. As noções de segurança e da construção da relação com o mar e de respeito à natureza devem estar presentes desde as escolinhas: o uso de pranchas com biqueiras e quilhas de borracha são fundamentais para quebrar esta barreira.

 

O mais intrigante é que os que mais se contundem são os surfistas de elite, e não necessariamente em ondas grandes. Floaters, tubos em águas rasas e quedas de mau jeito são causadoras de torções de joelho, deslocamento de ombro, fraturas de costelas e perfurações de ouvido, entre outras contusões.

 

Quando enfrentamos ondas que não dominamos, temos que ser pacientes e decididos, mas sem afobações. Os mais afoitos entram no mar e nas ondas de qualquer jeito e acabam sendo um alvo mais fácil. Já os mais calmos acabam achando um local mais seguro e uma onda em melhores condições de ser surfada. Cuidado, e boas ondas!

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