Surfe adaptado

ONG lança filme

“Máximo Respeito” é um pequeno filme de surfe adaptado que mostra toda superação e determinação dos atletas Henrique, Carlos e Robson nas ondas do Rio. Em um fim de semana de altas ondas no litoral carioca, Henrique Saraiva, presidente da ONG Adaptsurf, recebeu os amigos Carlos Kiill, representando o Espírito Santo, e Robson Gasperi, o Bill de Santa Catarina.

Os picos escolhidos foram, Grumari, Prainha, Macumba e Leblon, com o apoio dos surfistas Juliano Moulin, João Paulo Pimentel e Marcos Sifu. Nas imagens é possível constatar a diferença entre as modalidades do surfe adaptado. Henrique surfa de joelhos, Kiill surfa deitado na prancha e Robson de pé, mas a adrenalina e as emoções de interagir com as ondas são sempre a mesma de todos os surfistas. “Surfe é vida!”, vibra Carlos Kiill.

Perfil dos surfistas adaptados

Henrique Saraiva é uma referência no esporte. Em 2015, representou o Brasil no Mundial ISA. Depois de levar um tiro durante um assalto em dezembro de 1997 e perder parte dos movimentos da cintura para baixo, o carioca se recuperou aos poucos e, em 2001, aceitou o convite do amigo e surfista profissional Marcos Sifu e resolveu surfar. Com uma prancha de kneeboard, Henrique desceu reto em sua primeira onda, o que foi o suficiente para não largar nunca mais o esporte. “O surfe melhorou minha autoestima. Ajudou e ajuda muito na minha recuperação motora, além de fazer bem para minha coluna. Se eu fico um tempo sem surfar, sinto mais dores. E é muito bom ter o contato com a natureza e praticar um esporte junto com meus amigos, de igual para igual”.

O surfista Carlos Kill, que perdeu completamente o movimento das pernas desde que sofreu um acidente de carro em 2003, superou os próprios limites, voltou ao mar alguns anos depois e já se tornou campeão brasileiro de surfe adaptado, representando o Espírito Santo na categoria Prone. “Eu já surfava antes de sofrer o acidente, inclusive me acidentei indo surfar. Levei bastante tempo para me recuperar, passei por uma fase de depressão e tentei tirar várias vezes minha própria vida. Mas eu sempre tive muita vontade de vencer a deficiência e de voltar a surfar”.

O surfista catarinense Robson Gasperi é mais uma vítima da imprudência no trânsito. No fim de 2012, quando retornava para casa da praia de Ingleses, onde trabalhava como guarda-vidas, foi atropelado por um motorista que trafegava na contramão e perdeu grande parte dos movimentos do braço direito. Ao custo de muita fisioterapia, treino funcional específico para o esporte e dedicação, o atleta conseguiu ficar sobre uma prancha novamente. “As pessoas falavam que eu não conseguiria mandar as manobras. Comecei a me adaptar, segurar o braço, e deu certo, meu surfe mudou bastante, algumas manobras ainda não consigo, mas pretendo mandar em breve”.

Sobre a ONG

A ADAPTSURF é uma entidade sem fins lucrativos, que promove a inclusão social das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, garantindo igualdade de oportunidades e acesso ao lazer, esporte e cultura, através do contato direto com a Natureza. Desde 2007, promove aulas gratuitas de surf adaptado e “Praia Acessível” aos finais de semana, em uma estrutura completa com cadeiras de rodas anfíbias, esteiras e uma equipe especializada formada por professores de educação física, fisioterapeutas, psicólogos e voluntários.

Agradecemos aos surfistas Juliano Moulin, Jompa Pimentel e Marcos Sifu pelo apoio!

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