Ciência das ondas

Ondas em alto mar

Swell grande na Ilha de Izaro, Mundaka. Foto: Billabong.com.

O texto sobre a formação das ondas deu uma breve idéia de como é complexo o processo de geração de ondas pelo vento no oceano. Certamente, a galera está ansiosa para saber mais sobre as ondas na arrebentação.

 

Porém, não devemos esquecer de que a quebra de uma onda em águas rasas numa praia é o estágio final da vida de ondas que nasceram e passaram praticamente toda sua existência no oceano profundo.

 

Portanto, galera, vamos ter paciência: vamos deixar as ondas no raso para mais adiante e, por enquanto, vamos tentar entender melhor como são as ondas em alto mar.

 

Propriedades Básicas de Ondas em Águas ?Profundas?

 

Primeiramente, é muito importante e necessário que a gente entenda algumas propriedades básicas das ondas na superfície da água.

 

Para tanto vamos deixar de lado temporariamente as ondas ?reais? do oceano e analisar uma situação mais simples onde possamos ter algum controle da situação.

 

Batedor pertuba o equilíbrio das águas e gera um `trem´ de ondas idênticas. Foto: Reprodução.

Engenheiros e cientistas que estudam o assunto costumam usar um dispositivo simples para gerar ondas em canais de laboratório, que consiste de uma palheta articulada no fundo acionada por um motorzinho como mostrado na figura ao lado.

 

O motor é regulado para girar com velocidade constante e, com isso, a palheta é forçada a oscilar ciclicamente, sempre do mesmo jeito, perturbando o equilíbrio da água e gerando um ?trem? de ondas idênticas, ideais para se entender aspectos básicos sobre o fenômeno.

 

[OBS.: Um dos maiores laboratórios para estudos de ondas do mundo está no Brasil! É o Laboceano da UFRJ.  Vale a pena conferir o site Laboceano].

 

Pode parecer estranho, a primeira vista, querer usar um canal desse tipo para estudar ondas em águas ?profundas? mas, como veremos em breve, isso é perfeitamente possível desde que tomemos algumas precauções.

 

Registro em laboratório. Foto: Reprodução.

Por enquanto, vamos supor que o canal seja fundo o suficiente de modo que as ondas que serão geradas se comportem como as ondas em alto mar. Nesse caso, se colocarmos um medidor de nível num ponto fixo qualquer do canal e registrarmos o movimento (vertical) da superfície da água por alguns instantes, vamos obter um registro como esse mostrado ao lado.

 

Detalhes importantes devem ser observados:
Todas as ondas são exatamente iguais, o que facilita muito o problema. Aliás, esse fato não causa surpresa já que o batedor faz sempre o mesmo movimento.

 

As cristas das ondas estão acima do nível médio (nível que a água teria se não houvesse ondas, indicado pela linha pontilhada) e os cavados abaixo dele. Esta constatação sugere que o ?balanço? causado pelas ondas em águas profundas tende a ser simétrico em relação ao nível médio.

 

Em outras palavras, poderíamos dizer que, em águas profundas, as ondas provocam tanto protuberâncias (cristas) quanto depressões (cavados) na superfície da água.

Feita essa observação, a questão agora é como definir a altura de uma onda individual. Nosso primeiro impulso seria, talvez, associar a ?altura? duma certa onda com a elevação (vertical) da crista em relação ao nível médio.

 

Essa idéia talvez funcionasse bem se as ondas não tivessem cavados… Na verdade, observando novamente o gráfico, vemos que o tamanho real das ondas ficaria melhor representado se incluíssemos também os cavados no cálculo das alturas. De fato, é isso que se faz. A altura duma onda é definida como a diferença de nível (na vertical) entre a crista e o cavado.

 

Observem que, se escolhermos o cavado anterior à crista, estaríamos medindo a onda pela frente, se escolhermos o cavado posterior, estaríamos medindo a onda por trás. Porém, como, nesse caso, as ondas são todas iguais, a altura obtida por uma forma ou outra seria exatamente a mesma !

 

Um outro parâmetro que também pode ser obtido do registro acima é o período ( T ) das ondas. O período é definido como o intervalo de tempo entre a passagem de duas cristas sucessivas por um ponto fixo. Na verdade, se fizéssemos uma marquinha no canal seria muito fácil medir o período com o relógio: bastaria cronometrar o tempo decorrido entre a passagem de duas cristas consecutivas pela marquinha e pronto!

 

Voltando a atenção para o canal, suponha que alguém tenha fotografado a onda no canal (o que é fácil fazer pois o canal tem paredes de vidro). Essa foto permitiria identificar um outro parâmetro muito importante: o comprimento de onda, que é definido como a distância entre duas cristas consecutivas.

 

No caso do laboratório, como todas as ondas são iguais, todas teriam a mesma altura, o mesmo período e o mesmo comprimento.

 

QUESTÃO Como o operador do motorzinho consegue controlar esses 3 parametros (altura, período e comprimento)?

 

Resposta A velocidade de rotação do motor controla a duração do ciclo de oscilação da palheta que, por sua vez, controla o período da onda: a cada ciclo da palheta, uma onda é produzida. A amplitude da excursão da palheta afeta o quanto esta ?empurra? a água e, por conseguinte, controla a altura da onda.

 

QUESTÃO E o comprimento da onda, como se controla?

 

Resposta Não temos controle sobre o comprimento ! Na verdade, o comprimento da onda é controlado indiretamente pelo período (e pela gravidade da Terra…). Existe uma formulinha bem fácil que permite calcular o comprimento em função do período. Para quem gosta de matemática a fórmula é a seguinte:
L = 1.56 x (TxT).   

 

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L é o comprimento em metros e T o período em segundos. Portanto, o comprimento está diretamente relacionado ao período e quanto maior o período da onda, maior seu comprimento.
[OBS Para termos uma idéia da ordem de grandeza do comprimento das ondas no oceano, podemos usar um período de 10 seg. (bem típico do fenômeno) na formuleta acima e calcular o comprimento correspondente, o que daria 156 metros. Para ondas de 20 s (um período relativamente longo para as ondas do mar) o comprimento seria de 624 m !  Um mar com ondas de, digamos, 5 m de altura, já é um mar bem respeitável, porém, é interessante observar que o comprimento das ondas é normalmente muito maior do que as alturas.]

 

QUESTÃO E quanto a velocidade de avanço, ou de ?propagação?, das ondas, que parâmetros influenciam essa velocidade?

Resposta A velocidade de propagação das ondas ( C ) pode ser obtida facilmente da formuleta acima lembrando que C = L / T . Portanto, a formuleta que possibilita calcular a velocidade das ondas em  km/h  (com o período em s) é a seguinte:
C = 5.6 x T

[OBS Ordem de grandeza das velocidades das ondas no mar: uma onda de 10 s. de período viaja pelo oceano profundo a 56 km/h; uma onda de 20 s  viaja a 112 km/h ! ] 

 Dois aspectos importantes devem ser observados aqui:
(i) Em águas profundas, a altura das ondas não afeta sua velocidade?
(ii) A velocidade das ondas em águas profundas depende diretamente do seu período: quanto maior o período, mais rapidamente as ondas se propagam.

 

IMPORTANTE Esse segundo resultado mostra que as ondas em alto mar são dispersivas . Como veremos adiante, essa propriedade é a responsável pela ?mágica? de transformar vagas ?desorganizadas? numa ondulação perfeita…

QUESTÃO Como é o movimento da água quando a onda passa ? Será que a onda ?carrega? a água junto ?

 

Figura ilustrativa do movimento da água causado por ondas em águas profundas. Foto: Reprodução.

Resposta Para responder essa questão, poderíamos introduzir na água bolinhas de ping-pong lastreadas para ficar com flutuabilidade neutra (isto é, com peso = empuxo) e simplesmente observar, através da parede de vidro do canal, o que aconteceria com as bolinhas com a passagem da onda.

 

O resultado está ilustrado na figura ao lado, ilustrativa do movimento da água causado por ondas em águas profundas.

 

Com a passagem das ondas as partículas de água descrevem movimentos oscilatórios com órbitas circulares cujos diâmetros diminuem com a profundidade. Observar que a partir de uma profundidade igual à metade do comprimento de onda a água não é mais afetada pela onda.

 

O que se vê é que, com a passagem das ondas, as bolinhas se movem de uma forma bem curiosa: elas ficam oscilando para frente e para trás e para cima e para baixo, descrevendo uma ?órbita? circular.

 

Quem já observou o movimento de uma garrafa ou uma bola boiando em alto-mar vai confirmar esse resultado. Isso ocorre, dentre outras coisas, porque a velocidade com que a forma da onda avança (a velocidade C que calculamos acima) é muito maior do que a velocidade com a qual a água se move. Assim, a onda passa, a água ?balança? mas não vai junto com a onda.

 

É muito importante observar que as bolinhas que estão abaixo da superfície também orbitam mas a amplitude do movimento vai declinando a medida que a profundidade aumenta. Na verdade a última bolinha mostrada na figura já nem se movimenta mais e, portanto, ela nem saberia ?dizer? se há ondas na superficie ou não!

 

Como indicado na figura, essa última bolinha está localizada numa profundidade igual à metade do comprimento da onda. Ora, se a onda não consegue afetar a água a partir de profundidades maiores que metade do seu comprimento (0.5 L), é razoavel supor que o que estiver abaixo dessa profundidade também não consegue afetar a onda.

 

Por exemplo, se o fundo do canal estiver a uma profundidade igual ou maior que 0.5 L, a onda não tomará conhecimento disso e, portanto, não será afetada pelo fundo. Assim, vemos que o conceito de agua ?profunda? é relativo ao comprimento e logo ao período da onda.

 

Portanto, não há problema nenhum em estudar ondas em águas profundas com o canal em questão se a profundidade da água for maior que 0.5 L !

 

[OBS No oceano, por exemplo, uma onda de período 10 s e comprimento 156 m só começaria a ?sentir? o fundo a partir de profundidades menores que 78 m. Portanto, 78 m é o limite de águas profundas para essa onda. O limite de águas profundas para uma onda de período 20 s ( L = 624 m) seria de 312 m! A conclusão é que quanto maior o período, mais as ondas são afetadas pelo fundo. Esse resultado será de enorme importância quando formos analisar as transformações que o fundo produz nas ondas.]

 

Um último assunto importante refere-se a energia das ondas. Quem já tentou mover coisas dentro d?água sabe que essa tarefa requer força… não é fácil mexer com a água ! No caso do canal, a força é produzida pelo motorzinho que vai consumir energia (elétrica, no caso) para funcionar. Se medíssemos o consumo de energia do motor, verificaríamos que este depende da altura da onda gerada pela máquina, ou seja, quanto maior a altura da onda, mais energia o motor ?puxaria?. Na verdade, a relação entre energia e altura nas ondas é quadrática, ou seja, para gerar ondas com o dobro da altura, o motor teria de dispender quatro vezes mais energia.

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Um fato curioso é que o motor está pondo energia na água no inicio do canal e as ondas que foram criadas se encarregam de transportar essa energia ao longo do mesmo, exatamente como ocorre com ondulações que cruzam os oceanos, muitas vezes levando por milhares de km a energia que elas adquiriram do vento em tempestades longíquas!

 

A Idéia do Espectro de Ondas

 

As propriedades básicas vistas acima são crucias para o entendimento de vários fenômenos que observamos nas ondas ?reais? do mar. Porém, para isso temos ainda que resolver uma questão básica que é a seguinte: Como aplicar o conhecimento adquirido no laboratório com ondas certinhas ? ou ?regulares? no jargão dos engenheiros ? para as ondas irregulares e desorganizadas que o vento produz no oceano ?

 

A resposta a essa questão passa pelo conceito do Espectro das Ondas do Mar. Esse é um conceito bastante sofisticado e o seu entendimento requer muita atenção do leitor. A idéia fundamental do Espectro consiste em interpretar as ondas irregulares e ?desorganizadas? encontradas no oceano como resultado duma superposição de vários trens de ondas regulares, cada um deles com ondas de altura, período e direção conhecidos.

 

Segundo essa idéia, podemos imaginar que o vento na zona de geração funciona como um conjunto de máquinas batedoras de onda similares às do laboratório só que de tamanho gigante, cada uma ajustada para produzir o seu trem de ondas regulares que, ao se superporem a medida que viajam pelo oceano, dão origem as ondas ?bagunçadas? que vemos no mar.

 

Esses trens de ondas regulares são chamados de componentes espectrais e o famoso Espectro Direcional nada mais é do que um gráfico que mostra, para um certo estado de mar, quais componentes estão ?ativadas? e quanta energia cada uma delas contem [lembrando: a energia das ondas está relacionada à sua altura].

 

Uma maneira bastante usada para plotar o Espectro Direcional usa coordenadas polares ou seja uma figurinha de forma circular. A posição das ?manchas? no Espectro Direcional indica a direção de onde vêm as ondas (Sul em baixo, Leste à direita, etc) e as cores o nível de energia (logo, a altura) das componentes (azul ? baixa energia, amarelo ? alta, etc).

 

O Espectro Direcional mostrado no WAVESCHECK é CALCULADO pelo modelo de geração de ondas do LaHiMar (*). Na figurinha do WAVESCHECK, o período das componentes presentes é indicado pela distância ao centro do círculo, ou seja, ?manchas? mais afastadas do centro indicam a presença de energia em períodos maiores e assim por diante.

 

[(*) Aliás, como funcionam mesmo esses tais ?modelos de previsão de ondas?? O que exatamente eles prevêem? Como eles conseguem fazer isso? … perguntinhas interessantes para serem respondidas no futuro… ]
 

Exemplo de Espectro Direcional.  Foto: Reprodução.

Exemplo de Espectro Direcional. O Espectro mostrado na figura foi MEDIDO pela bóia do LaHiMar (quando esta estava ativa) ao largo da ilha de SC no dia 03/09/2002. A condição de mar nesse dia era de um swell de SSE (150o) com período longos (período de pico de 16 s). Os espectros que aparecem no WAVESCHECK são CALCULADOS pelo modelo WW3 do LaHiMar para os pontos indicados, mas a idéia é a mesma.

 

As características e a forma do Espectro Direcional ajudam muito a entender o que está acontecendo no mar. Por conta da complexidade do processo de geração descrito anteriormente, o vento vai sempre colocar energia num conjunto de componentes com diferentes períodos e direções ?espalhadas? em torno de uma componente mais ?energética? que vai ser o ponto mais alto ? o ?pico? ? do Espectro.

 

É por isso que os Espectros se apresentam sempre como ?manchas? e a forma dessas ?manchas? contém informações importantes. Por exemplo: uma ?mancha? larga indica que a energia que o vento pôs no mar está distribuída em componentes com períodos e direções bem variados e, por conseguinte, deve resultar num estado de mar com ondas bem bagunçadas.

 

Por outro lado, uma ondulação ?limpinha? deve aparecer no Espectro Direcional como uma ?mancha? estreitinha indicando que a energia está bem concentrada em torno de um certo período e de uma certa direção (o caso mostrado na figura acima é um bom exemplo).

 

Um fato interessante é que, como reflexo da variabilidade dos ventos sobre o oceano, é possível haver a presença simultanea de mares de direções bem diferentes. O Espectro Direcional numa situação assim apresentaria a presença de duas ou mais  ?manchas?. Na costa Sul/Sudeste brasileira, por exemplo, é comum encontrar Espectros com uma ?mancha? abaixo do centro e outra mais à direita indicando a existência simultânea de uma ondulação de Sul ? usualmente gerada por uma tempestade mais afastada ?  e de vagas de Leste/Nordeste ? resultado do vento local.

De posse do Espectro é possível estabelecer os 3 parâmetros básicos que definem um certo estado de mar e que aparecem nos gráficos do WAVESCHECK:

(i)  Período de Pico ? período da componente de maior energia ? o ?pico? ? do Espectro Direcional.
(ii) Direção de Pico ? a direção dessa mesma componente. Essa direção corresponde à direção do vento que gerou as ondas.
(iii) Altura Significativa ? Uma altura representativa do estado do mar, obtida a partir da contribuição de todas as componentes presentes, isto é, que usa a energia de todas as componentes do Espectro.

 

QUESTÃO Como essa tal Altura Significativa (abreviada, Hs) se relaciona com a altura das ondas individuais presentes no mar?

Antes de abordar essa questão é preciso definir claramente como vamos medir a altura de ondas individuais no caso real do oceano, confira aí.

 

 

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Registro do movimento da superfície do mar. Foto: Reprodução.

Definição da Altura das Ondas em Alto Mar

O gráfico ao lado é um registro do movimento da superfície do mar com duração de 75 s  obtido pelo ondógrafo da UFSC no dia 18 de Março de 2002.

 

Registro do deslocamento vertical da superfície do mar obtido pelo Ondógrafo da UFSC. O registro mostra a presença de 12 ondas (com diferentes alturas e períodos). A linha horizontal corresponde ao nível médio do mar.

 

Comparando esse gráfico com o obtido no laboratório fica evidente a irregularidade das ondas geradas pelo vento: agora encontramos ondas ?individuais? de vários tamanhos!

 

Porém, como no laboratório, vemos que as ondas ?reais? também tem cristas acima do nível médio e cavados abaixo deste. Como definir a altura de uma onda individual nesse caso?  Ora, da mesma maneira que fizemos no laboratório: A ?altura? de uma onda é definida como sendo a diferença de nível (na vertical) entre a crista e o cavado.

 

Observe que agora, como as ondas são irregulares, a escolha do cavado anterior (onda medida pela frente) ou posterior (onda medida por trás) à crista afetaria a altura individual da onda ! Curiosamente, se fossemos calcular uma altura média com muitas ondas, o valor encontrado não seria muito diferente se medíssemos as ondas pela frente ou por trás.

 

A medição pela frente talvez fosse mais interessante pois essa seria a altura que uma embarcação teria de ?escalar? para passar a onda. O mais importante aqui é atentar para o fato de que a medição tem de ser feita verticalmente, da crista (ponto mais alto) até o cavado (ponto mais baixo da superfície da água).

 

Com essa definição e de posse dum registro da posição da superfície do mar como esse da figura, a altura de qualquer onda poderia ser prontamente determinada.

Altura Significativa de um Estado de Mar

Muito bem, agora vamos retornar à questão:

QUESTÃO Como essa tal Altura Significativa (Hs) obtida da ?energia? do Espectro se relaciona com a altura das ondas individuais presentes no mar ?

Resposta A altura significativa (Hs) corresponde à média do terço superior das maiores ondas presentes… Como assim, não é a média da altura de todas as ondas presentes?  NÃO! Por exemplo, se conseguíssemos medir as alturas (individuais) de, digamos, 300 ondas, teríamos que separar as 100 maiores (1/3 do total), calcular a média dessas 100 alturas e, aí sim, teríamos a tal altura significativa (Hs) que é a altura usada para caracterizar o tamanho das ondas de um dado estado de mar … estranha essa história não é… porque isso?

O motivo tem a ver com um fato curioso: testes realizados com observadores experimentados mostraram que a altura estimada visualmente por esses observadores corresponde surpreendentemente bem à altura significativa calculada a partir do Espectro de Ondas !!

 

[OBS Não sei se a galera do surf já pensou sobre essa questão… mas, quando alguém dá um boletim das condições do mar informando que ?hoje as ondas estão com 2 metros de altura…?, por exemplo, o que significa exatamente essa altura ?  Bem, se estivéssemos em alto mar e a pessoa em questão fosse um observador ?experimentado?, intuitivamente, a altura estimada (visualmente) por ela corresponderia, aproximadamente, à altura significativa Hs ! … Bem, em águas rasas, com ondas quebrando… tudo fica mais complicado… mas vamos chegar lá…]

Ainda devemos lembrar que essa altura significativa não corresponde à maior altura presente, ou seja, num mar de Hs = 2 m, é certo que vamos encontrar ondas maiores que 2 m. Existe uma teoria estatística sobre a altura das ondas em alto mar muito interessante que permite fazer uma estimativa de qual seria a maior onda provável de acontecer num certo intervalo de tempo.

 

A teoria prevê, por exemplo, que se o mar estiver com uma altura significativa de 2 m e você esperar 1 hora, é provável que você encontre uma onda com 3.4 m de altura. A rigor essa teoria estatística só é válida para ondas em alto mar. Mesmo assim, podemos usá-la para ter uma idéia, mesmo que grosseira, do que esperar em águas mais rasas. Fazendo isso, podemos inferir o seguinte resultado aproximado: se o boletim está indicando um mar com HS = 2,0 m, por exemplo, é bem provável que apareça uma ?rainha? com 3,4 m num intervalo de tempo de 1 hora !

 

…Vamos em frente…

[OBS Quem quiser ver um estudo feito no LaHiMar sobre esse assunto. Clique aqui para conferir.

 

 

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O Fenômeno da Dispersão e a ?Mágica? do Swell

 

Finalmente, estamos em condições de responder a pergunta apresentada no texto anterior de como a natureza consegue transformar as ondas ?bagunçadas? que o vento produz, numa ondulação perfeita e organizada. A resposta a essa questão vem da combinação de dois conceitos básicos: (i) a interpretação espectral das ondas geradas pelo vento e (ii) a propriedade da ?dispersão? de ondas. Para entender melhor esse último conceito, vamos fazer uma analogia com uma corrida de maratona… leia com atenção o que segue.

 

A maratona é uma corrida na qual os participantes têm de percorrer uma longa distância. Os corredores duma maratona tem habilidades bem variadas: há o grupo de elite ? normalmente quenianos ? que correm muito mais rápido que os outros; há o grupo dos profissionais que correm bem, mas que não conseguem acompanhar os ?quenianos?, há ainda o grupo dos aspirantes a profissional, depois os amadores bem preparados  e, finalmente, os que estão na corrida só pra se divertir e que ficarão muito felizes se conseguirem chegar ao fim, mesmo que nos últimos lugares… Na hora da partida, toda a galera está ?embolada? e todos vão partir juntos quando o sinal soar.

 

Vamos pensar no que acontece com o conjunto de corredores a medida que a corrida se desenrola. Ora, como os corredores ?viajam? a velocidades diferentes, depois duma certa distância, eles começam a se separar… os ?quenianos? assumem a dianteira, os profissionais vem a seguir, os aspirantes atrás e assim por diante.

 

Ou seja, os corredores vão se separando em função das suas velocidades, com os que correm mais rápido tomando a dianteira!

Como é a chegada de uma maratona? Todos nós sabemos a resposta: os ?Kenianos? serão os precursores, chegando, provavelmente, com uma dianteira bem folgada em relação ao segundo pelotão de profissionais, que, por sua vez, estarão bem a frente dos amadores e assim por diante. Aliás, os familiares da galera que está na maratona só por diversão têm de esperar um bom bocado para ver sua chegada tamanha é a diferença de velocidade entre eles e os ?quenianos?…

 

Vejam só o que a diferença de velocidade conseguiu fazer: a galera que estava toda embolada no inicio foi se separando ? ou ?dispersando? ? aos poucos ao longo do trajeto e, como a distância é muito grande, a chegada dos corredores se deu de forma super bem organizada. Uma maratona é um bom exemplo de uma corrida ?dispersiva?. Mas o que isso tem a ver com a propagação dum swell no oceano?  TUDO!!! 

 

Veja só: O vento numa tempestade cria ondas no mar, ou mais precisamentes, coloca energia em componentes com diferentes períodos (essa é a interpretação espectral das ondas geradas pelo vento). As componentes do Espectro comportam-se como os corredores da maratona, cada uma com sua velocidade definida em função do seu período: os ?quenianos?, são as componentes de período mais longo presentes, os amadores as de período mais curto e assim por diante.

 

Na ponto de partida da ?corrida?, isto é no local onde está a tempestade, todo mundo está ?embolado? e o negócio é uma bagunça… Porém quando a tempestade amaina e as componentes começam a se propagar pelo oceano transportando a energia que o vento lhes passou, a separação, ou a dispersão como dizem os cientistas, tem início.

 

Quanto mais longínqua for a tempestade, isto é quanto maior for a distância a percorrer, mais bem separadas e agrupadas ficarão as componentes. Um swell que viajou 5000 km, por exemplo, vai estar muito mais organizado que outro que viajou apenas 500 km.

 

QUESTÃO Há alguma maneira de observar a dispersão do swell na sua propagação pelo oceano ?
Resposta: Sim, hoje em dia é possivel fazer isso com facilidade. Para tanto basta acompanhar uma sequência de mapas do período de pico (*) calculado pelo modelo de ondas. A figura abaixo, obtida do modelo WW3 no site do LaHiMar, ilustra bem o caso. Observando a figura dá pra ver bem o avanço de algumas ondulações pelos oceanos pois essas se apresentam sempre como uma sucessão de faixas de período decrescente a partir da frente de avanço do swell.

 

Mapa de Período. Foto: Reprodução.

Mapa de Período de Pico obtido com o Modelo WW3 do LaHiMar/UFSC para a grade Global mostra ao lado a propagação de ondulações nos oceanos. Observar dispersão das ondulações com períodos mais longos passando a frente do swell.

 

Em particular, nesse dia há um swell no Oceano Indico gerado por uma tempestade ocorrida a Sul da Africa no dia 12/09. [ Atenção: essa é uma condição favorável a ocorrência de altas ondas em toda a Indonésia quando essa ondulação atingir a costa!] 

 

[(*) Outra perguntinha: Porque o mapa de Altura Significativa (Hs) NÃO acusa nada de especial ? … Mais uma questão interessante a ser vista no futuro… ]

 

QUESTÃO Será que a chegada à costa de um swell longínquo teria também similaridade com a chegada duma maratona ?

Resposta Certamente que sim! A subida do mar no caso dum swell longínquo ocorre de forma bem característica: as primeiras ondas a chegar, ainda com pouca energia (logo altura ainda pequena), seriam as componentes de período mais longo, as chamadas ondas precursoras do swell.

 

Com o passar do tempo, as condições do mar tenderiam a apresentar uma diminuição progressiva dos períodos a medida que as componentes menos velozes fossem chegando e um aumento progressivo das alturas com a chegada do grosso da energia.

 

Para observar essa chegada dispersiva no modelo de ondas teríamos de prestar atençao na evolução temporal do espectro e ver o período de pico migrar do contorno do círculo (periodos mais longos) para o centro (períodos mais curtos).

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QUESTÃO Como seria o aspecto do mar numa situação assim ?

 

Resposta A separação das componentes ?arrumaria? o mar tornando-o incrivelmente organizado ! As ondas teriam aspecto extremamente regular com períodos (e, logo, comprimentos) longos e cristas bem extensas, como que se tivessem sido produzidas por uma máquina!

 

Além disso, as ondas tenderiam a vir em séries super bem definidas, com intervalos de ?calmaria? entre séries igualmente bem marcados…

 

Isso tudo graças ao fenômeno da dispersão. Com certeza uma condição oceânica assim ofereceria a possibilidade de ondas épicas na costa…  mas não podemos esquecer que ainda estamos em alto mar… para chegar a costa e quebrar lá no rasinho, as ondas ainda têm de passar sobre a Plataforma Continental que margeia a borda dos continentes.

 

Nessa passagem elas certamente vão ser afetadas pelo fundo e muita coisa ainda pode (e vai !) acontecer… mas isso é assunto para o futuro.

A galera, com certeza, deve estar se perguntando onde encontrar condições assim… O mapa de períodos de pico do modelo de ondas sugere que as costas Oeste dos continentes estão melhor posicionadas que as costas Leste para receber ondulações longínquas devido ao fato de que essas ondas tem a tendência de vir mais do quadrante Oeste do que do Leste… [Porque? …Tudo tem sua explicação… mas isso vai ficar para outra oportunidade também…].

Existem várias regiões costeiras no mundo onde ondas assim podem ser encontradas e, com certeza, todas elas tem altas ondas pra surfar ! Abaixo estão duas fotos de ondulações chegando à costa na Indonésia que é uma das regiões mais favoráveis da Terra (mas não a única…) para receber ondulações longínquas, no caso, as constantes e poderosas ondulações geradas por tempestades no sul do Índico e que tem de cruzar cerca de 7 a 8 mil km de oceano para chegar à costa de Java, Bali, Sumatra, Ilhas Mentawai, etc…

 

 

Indonésia com período longo. Foto: Reprodução.

Notem ao lado as fotos do swell do Oceano Índico chegando à costa da Indonésia. Observar o enorme comprimento de onda (distância entre cristas da série), indicando que o período do swell é igualmente longo (provavelmente da ordem de 20 s)

 

Essa história toda deve ter atiçado a galera para ir a praia na esperança de encontrar um swell longinquo quebrando no seu pico, mas…

 

? Será que o nosso Brasil tem ondas assim ? 

 

? Como é o ?clima de ondas? da nossa costa ?
… Assuntos para outros textos não faltam…  Por enquanto, vamos ficando por aqui.

 

Comprimento das ondas na Indonésia indica período da ordem de 20 segundos. Foto: Reprodução.

Prof. Eloi Melo, Ph.D. –  Setembro / 2007

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    A oitava etapa do Championship Tour (CT) 2026 desembarca em um dos palcos mais desejados do surfe mundial. O Fiji Pro chega com Italo Ferreira na liderança do ranking, dez brasileiros na disputa e uma previsão que pode colocar a famosa esquerda de Cloudbreak em boas condições ao longo dos próximos dias. A primeira chamada acontece às 16h30 desta segunda-feira (24), no horário de Brasília, com possível início da competição às 17h. Em Fiji, onde o calendário já estará na terça-feira (25), a chamada será às 7h30, com possível início às 8h. A janela segue até 4 de setembro. A etapa marca o retorno do elenco completo do CT a Cloudbreak pela primeira vez desde 2017. Em 2024, Fiji voltou ao calendário e, no ano passado, recebeu o WSL Finals, quando Yago Dora e Molly Picklum conquistaram seus primeiros títulos mundiais. Swell a caminho A previsão aponta poucas ondas logo no início da janela, com Cloudbreak pequeno ou praticamente flat durante boa parte do primeiro dia da janela em Fiji. Mas o swell começa a ganhar força ao longo do dia e pode chegar ao fim da tarde com ondas de 1,5 metros de face. A grande mudança aparece já no segundo dia de janelta. Um swell mais consistente deve colocar Cloudbreak na faixa de 3 metros de face durante todo o dia, com séries maiores. A previsão também indica ventos favoráveis, formando o primeiro cenário realmente forte para a realização da competição. Com ondas consistentes, existe ainda a possibilidade de a organização recorrer às baterias no sistema dual heat, com duas disputas acontecendo simultaneamente, para acelerar o cronograma e aproveitar a sequência de boas condições. No terceiro dia de janela, o swell já começa a perder força, mas a parte da manhã ainda pode apresentar quase 3 metros de face, com séries ocasionais maiores. A tendência é de redução gradual durante a tarde, ainda com condições favoráveis. Na sequência, um novo reforço de sudoeste pode manter Cloudbreak na faixa de 2,5 metros pés de face pela manhã do dia seguinte, sem necessariamente provocar novo aumento significativo de tamanho, mas trazendo mais energia e ajudando a prolongar o período de boas ondas. E o maior swell pode ainda estar por vir A também melhora de cenário para os dias 30 e 31 de agosto. Dois sistemas aparecem com potencial para produzir ondas da altura da cabeça até alguns pés acima, possivelmente acompanhadas por vento leve. Mas é a reta final da janela que começa a chamar mais atenção. Entre 2 e 4 de setembro, cresce a possibilidade da chegada de um swell forte e de longo período em Cloudbreak. A previsão aponta a presença de um sistema sólido. A confiança também vem aumentando na possibilidade de que as maiores ondas de toda a janela aconteçam justamente no início de setembro. Por se tratar de uma previsão de longo prazo, o cenário ainda pode mudar nos próximos dias. Cloudbreak para todos os tamanhos Considerada uma das melhores esquerdas do planeta, Cloudbreak quebra sobre um extenso recife de coral e muda completamente de personalidade dependendo do tamanho do swell. Em condições menores, oferece paredes longas e oportunidades para um surfe de alta performance. Quando o Pacífico Sul ganha força, a onda se transforma e passa a produzir tubos grandes, rápidos e extremamente pesados. O amplo campo de competição também reúne diferentes seções e exige leitura precisa do lineup. Depois de receber uma etapa pós-corte em 2024 e o WSL Finals em 2025, Cloudbreak volta agora a colocar todo o elenco do Championship Tour dentro d’água. É a primeira vez que isso acontece desde 2017. Italo chega de amarelo Entre os brasileiros, os olhos estarão principalmente sobre Italo Ferreira. Depois da semifinal em Teahupoo, o potiguar recuperou a lycra amarela e chega a Fiji isolado na liderança do ranking mundial. O campeão mundial de 2019 soma uma vitória, um vice-campeonato e dois terceiros lugares na temporada. Apesar de seu surfe de frontside e da capacidade nos tubos combinarem com Cloudbreak, Italo ainda busca um grande resultado no pico fijiano. A etapa também tem peso especial para Yago Dora. Foi justamente em Cloudbreak que o brasileiro conquistou seu primeiro título mundial, no WSL Finals de 2025. Atual terceiro colocado no ranking, Yago chega ao Fiji Pro buscando recuperar terreno na disputa pelo bicampeonato. Gabriel Medina completa outro capítulo importante da presença brasileira. Bicampeão da etapa, com vitórias em 2014 e 2016, o tricampeão mundial é, ao lado de Yago, um dos únicos brasileiros que já venceram em Cloudbreak. Dez brasileiros em Fiji O Brasil terá nove representantes no masculino e Luana Silva no feminino. Italo Ferreira, Yago Dora, Gabriel Medina, Miguel Pupo, Samuel Pupo, João Chianca, Filipe Toledo, Alejo Muniz e Mateus Herdy formam o contingente brasileiro entre os homens. Mateus é o único brasileiro escalado para o Round 1 masculino e enfrenta o australiano Jarvis Earle na terceira bateria. Os demais brasileiros entram posteriormente na competição. Além dos principais nomes do Tour, Fiji terá três wildcards: os locais Teo Degei e Ulukilupetea “Tea” Kurop, vencedores das seletivas fijianas, e o australiano Jarvis Earle, campeão mundial júnior de 2022. Kurop faz história como a primeira mulher de Fiji a disputar uma etapa do Championship Tour. Com o líder mundial de amarelo, um campeão mundial retornando ao palco onde conquistou seu título, dez brasileiros na disputa e diferentes pulsos de swell previstos ao longo dos próximos dias, Fiji abre uma das janelas mais promissoras da temporada. E, se os modelos de previsão realmente confirmarem o que começam a indicar para o início de setembro, o melhor de Cloudbreak pode ficar justamente para o final. Baterias do Fiji Pro 2026 Masculino Round 1 Round 2 Feminino Round 1 Round 2

    Com dez brasileiros na disputa, janela do Fiji Pro abre nesta segunda-feira (24), com primeira chamada às 16h30 (de Brasília). Previsão indica swell a caminho para os primeiros dias em Cloudbreak.

    ATUALIZAÇÃO: 21/08/2026, às 12h36 (horário de Brasília) Victor Bernardo e sua esposa, Johnni, apresentam evolução no quadro de saúde após o grave acidente de carro sofrido na Califórnia, nos Estados Unidos. Os dois já passaram por cirurgias e, segundo Mike Townsend, manager do surfista, estão conscientes, de bom humor e otimistas. Victor sofreu uma fratura na perna e um ferimento grave acima do joelho. O brasileiro passou por uma nova cirurgia na quarta-feira. Inicialmente, os médicos instalaram uma estrutura externa para estabilizar a perna, mas o equipamento já foi retirado. Segundo Townsend, a evolução indica a possibilidade de uma recuperação mais rápida do que se imaginava inicialmente. Johnni também passou por uma cirurgia considerada bem-sucedida. Ela sofreu uma hemorragia interna no abdômen e fraturas na face em consequência do acidente. Os ferimentos foram tratados cirurgicamente. De acordo com Townsend, os dois permanecem positivos diante de tudo o que enfrentaram nos últimos dias. Até o momento, nenhum deles tem previsão de alta hospitalar. Abaixo, você confere a matéria publicada originalmente sobre o acidente: O guarujaense Victor Bernardo e a esposa, Johnni, permanecem hospitalizados depois de sofrerem um grave acidente de carro na Califórnia, nos Estados Unidos, na noite do último domingo (16). O veículo em que o casal estava se envolveu em uma colisão com um caminhão. Vitinho foi levado de helicóptero ao hospital. O surfista sofreu uma fratura na perna e precisará passar por cirurgia. Johnni foi transportada de ambulância e também permanece sob cuidados médicos. De acordo com as informações divulgadas até o momento, o quadro dela inspira mais atenção, mas não há risco de morte. As circunstâncias exatas da colisão e o local onde ela aconteceu não foram divulgados. O cineasta Logan Dulien, amigo do casal, afirmou que o acidente poderia ter sido fatal e que os dois deverão enfrentar um longo período de recuperação. A notícia mobilizou a comunidade internacional do surfe nas redes sociais. Mick Fanning, Coco Ho, Kanoa Igarashi, Raimana Van Bastolaer e Mikey February estão entre os nomes que manifestaram apoio ao casal. Natural do Guarujá (SP), Victor Bernardo, conhecido também como Vitinho, ganhou projeção ainda jovem no surfe brasileiro. Em 2013, aos 16 anos, conquistou o título brasileiro Pro Junior, em uma geração que também revelou nomes como Italo Ferreira e Caio Ibelli. Ao longo da carreira, disputou etapas do circuito de acesso à elite mundial e competições em diferentes países. Nos últimos anos, Victor passou a dedicar maior parte da carreira ao free surf e à produção de conteúdo ligado ao surfe. O brasileiro se estabeleceu na Califórnia e continuou diretamente ligado ao esporte. Victor nasceu em 8 de fevereiro de 1997 e tem a Praia do Tombo, no Guarujá, como sua onda favorita. Neste momento, toda a equipe do Waves deseja muita força a Victor e Johnni e torce por uma recuperação completa e tranquila do casal. Veja mais sobre Vitinho: Album Surf retrata perfeição Novo capítulo da Album Victor Bernardo inspirado no Havaí Victor Bernardo poderoso Victor Bernardo performático Sopa de peixe Victor Bernardo na estileira Papo com Victor Bernardo Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Surfista brasileiro Victor Bernardo e sua esposa Johnni são hospitalizados após colisão nos Estados Unidos. Atleta sofreu fratura na perna e precisa passar por cirurgia.

    Teahupoo mostrou mais uma vez por que é uma das etapas mais aguardadas do Circuito Mundial. Tubos, notas altas, baterias apertadas e eliminações de alguns dos principais nomes da temporada marcaram a sétima parada do Championship Tour 2026, o Outerknown Tahiti Pro. Seth Moniz e Erin Brooks ficaram com os títulos. Para o Brasil, o grande destaque foi Italo Ferreira, que chegou às semifinais e deixou a Polinésia Francesa na liderança do ranking mundial. Primeira vitória de Seth Moniz Seth Moniz viveu em Teahupoo o maior momento de sua carreira no Championship Tour. Em sua sétima temporada na elite, o havaiano conquistou sua primeira vitória no CT ao derrotar Griffin Colapinto na decisão. A campanha foi construída desde o Round 1. No caminho até o título, Seth passou por Eimeo Czermak, Yago Dora, Barron Mamiya e Alan Cleland antes de encontrar Italo Ferreira nas semifinais. Depois de superar o brasileiro, derrotou Griffin na decisão. Na final, Seth venceu por 18,17 a 14,67, garantindo o primeiro troféu de sua carreira no CT. O resultado também provocou uma grande mudança em sua temporada: ele saltou 12 posições e chegou ao 19º lugar no ranking. Italo veste a lycra amarela Italo Ferreira chegou ao último dia de competição como principal esperança brasileira e avançou às semifinais ao derrotar Ethan Ewing nas quartas. O potiguar começou a bateria com um tubo para 5,33 e depois encontrou uma onda que rendeu 7,17. Na reta final, ainda conseguiu um 8,33 para fechar a disputa com 15,50 pontos contra 11,94 do australiano. Na semifinal contra Seth Moniz, Italo chegou a abrir boa vantagem. O brasileiro liderava por 12,50 a 5,50, mas o havaiano cresceu na parte final da bateria, recebeu 7,83 e 7,93 e virou o confronto. Seth avançou com 15,76 contra 13,83, enquanto Italo terminou a etapa na terceira colocação. Mesmo eliminado, o saldo do brasileiro foi importante na corrida pelo título mundial. Com os 6.085 pontos conquistados em Teahupoo, Italo chegou a 39.930 pontos e abriu 5.000 de vantagem sobre Leonardo Fioravanti, vice-líder. O Brasil ainda ocupa quatro das cinco primeiras posições do ranking: além de Italo na liderança, Yago Dora aparece em terceiro, Miguel Pupo em quarto e Gabriel Medina em quinto. Erin Brooks vira final e conquista o título No feminino, Erin Brooks protagonizou uma reação na decisão contra Anat Lelior. A israelense abriu vantagem e chegou à metade da bateria com duas ondas excelentes, 8,33 e 8,00. Brooks reagiu primeiro com um 8,27 e depois encontrou outro tubo para 8,93, assumindo a liderança. A canadense venceu por 17,20 a 16,33. Foi a primeira vitória de Erin como integrante fixa do Championship Tour. A canadense, de 19 anos, havia começado o Finals Day eliminando a atual campeã mundial e defensora do título da etapa, Molly Picklum, e depois passou por Isabella Nichols na semifinal. Com o resultado, Brooks subiu sete posições e chegou ao 11º lugar do ranking. Anat Lelior também deixou Teahupoo com o maior resultado de sua carreira. O vice-campeonato representou a primeira final de um surfista de Israel no Championship Tour. Slater desafia o tempo Aos 54 anos, Kelly Slater foi um dos grandes personagens da etapa. O 11 vezes campeão mundial eliminou Gabriel Medina em um dos confrontos mais aguardados do campeonato e fez isso com uma atuação que entrou para os destaques do ano. Slater somou 19,06 pontos na bateria, mostrando mais uma vez sua sintonia com Teahupoo. Sua campanha terminou nas oitavas de final, diante de Jack Robinson, mas não antes de o norte-americano voltar a deixar sua marca no campeonato onde construiu alguns dos maiores momentos de sua carreira. Brasileiros em Teahupoo Além da semifinal de Italo, João Chianca, Alejo Muniz e Miguel Pupo chegaram às oitavas de final. Miguel foi superado por Griffin Colapinto, enquanto Chumbinho e Alejo também se despediram nesta fase. Gabriel Medina havia sido eliminado anteriormente por Kelly Slater. No feminino, Luana Silva caiu no Round 2 diante da portuguesa Yolanda Hopkins. Próxima parada: Fiji Encerrado o Tahiti Pro, o Championship Tour permanece no Pacífico Sul. A próxima etapa será disputada em Cloudbreak, Fiji, com janela entre 25 de agosto e 4 de setembro. “A gente segue na disputa. É uma longa jornada e tenho que colocar o pezinho no chão para trabalhar campeonato a campeonato” Italo Ferreira, campeão mundial de 2019 Italo chega à próxima etapa com a lycra amarela, mas evita antecipar qualquer possibilidade de disputa pelo segundo título mundial. O brasileiro já definiu também seu próximo objetivo: conquistar pela primeira vez a etapa de Fiji. Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS)

    Seth Moniz conquista primeira vitória no CT, Erin Brooks vence entre as mulheres e Italo Ferreira deixa o Taiti na liderança do ranking após chegar às semifinais do Outerknown Tahiti Pro 2026.

    A próxima chamada o Outerknown Tahiti Pro 2026 acontece nesta segunda-feira (10) às 14h (de Brasília). Depois de mais de um mês de paralisação desde o Rio Pro, em Saquarema, o Championship Tour da WSL retorna para uma das ondas mais desafiadoras do planeta: Teahupoo, no Taiti. Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para saber tudo sobre a etapa de Teahupoo A janela de competição acontece entre os dias 8 e 18 de agosto. Uma das solicitações mais frequentes desde o lançamento da nova plataforma foi o retorno dos comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial. Por isso, o Waves volta a abrir o espaço para a comunidade acompanhar, comentar e trocar opiniões ao longo das baterias. Durante muitos anos, esse encontro entre surfistas fez parte da cobertura dos eventos no Waves. Agora, a tradição retorna renovada, mantendo o que sempre foi mais importante: a participação da comunidade. Feito de surfista para surfista, o Waves acredita que acompanhar uma etapa vai muito além de assistir às baterias. É também comentar o que acontece nas entrelinhas, discutir as notas, defender seus favoritos e trocar ideias com outros apaixonados por surfe. Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS) 18.20 x 17.40 Callum Robson (AUS)15 Griffin Colapinto (EUA) 19.60 x 8.50 Rio Waida (IND)16 Miguel Pupo (BRA) 13.50 x 1.94 Mateus Herdy (BRA) Round 3 1 Kauli Vaast (FRA) 12.00 x 12.34 Alan Cleland (MEX)2 Seth Moniz (HAV) 12.10 x 9.04 Barron Mamiya (HAV)3 Connor O’Leary (JAP) 10.33 x 11.66 Italo Ferreira (BRA)4 Liam O’Brien (AUS) 6.66 x 7.67 Ethan Ewing (AUS)5 Ramzi Boukhiam (MAR) 14.00 x 9.10 João Chianca (BRA)6 Alejo Muniz (BRA) 2.10 x 13.66 George Pittar (AUS)7 Kelly Slater (EUA) 8.46 x 15.00 Jack Robinson (AUS)8 Griffin Colapinto (EUA) 16.67 x 15.17 Miguel Pupo (BRA) Quartas de final 1 Alan Cleland (MEX) 1.50 x 13.66 Seth Moniz (HAV)2 Italo Ferreira (BRA) 15.50 x 11.94 Ethan Ewing (AUS)3 Ramzi Boukhiam (MAR) 17.74 x 8.84 George Pittar (AUS)4 Jack Robinson (AUS) 11.50 x 11.83 Griffin Colapinto (EUA) Semifinais 1 Seth Moniz (HAV) 15.76 x 13.83 Italo Ferreira (BRA)2 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.37 x 15.40 Griffin Colapinto (EUA) Final 1 Seth Moniz (HAV) 18.17 x 14.67 Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 Sally Fitzgibbons (AUS) 1.67 x 4.16 Anat Lelior (ISR)2 Tya Zebrowski (FRA) 2.00 x 6.90 Erin Brooks (CAN)3 Isabella Nichols (AUS) 8.77 x 7.13 Vahine Fierro (FRA)4 Stephanie Gilmore (AUS) 3.90 x 4.73 Yolanda Hopkins (POR)5 Alyssa Spencer (EUA) 5.00 x 1.93 Bella Kenworthy (EUA)6 Bettylou Sakura Johnson (HAV) 4.44 x 6.00 Brisa Hennessy (CRC)7 Nadia Erostarbe (ESP) 8.67 x 4.66 Francisca Veselko (POR)8 Tyler Wright (AUS) 4.57 x 5.34 Kelia Gallina (TAH) Round 2 1 Caroline Moore (HAV) 8.90 x 11.83 Erin Brooks (CAN)2 Molly Picklum (AUS) 9.50 x 3.56 Alyssa Spencer (EUA)3 Sawyer Lindblad (EUA) 6.67 x 7.16 Isabella Nichols (AUS)4 Lakey Peterson (EUA) 4.73 x 4.90 Nadia Erostarbe (ESP)5 Gabriela Bryan (HAV) 1.46 x 12.73 Anat Lelior (ISR)6 Caroline Marks (EUA) 5.50 x 8.27 Kelia Gallina (TAH)7 Luana Silva (BRA) 3.97 x 10.17 Yolanda Hopkins (POR)8 Caity Simmers (EUA) 13.50 x 1.33 Brisa Hennessy (CRC) Quartas de final 1 Erin Brooks (CAN) 13.50 x 3.27 Molly Picklum (AUS)2 Isabella Nichols (AUS) 7.83 x 7.26 Nadia Erostarbe (ESP)3 Anat Lelior (ISR) 9.50 x 6.53 Kelia Gallina (TAH)4 Yolanda Hopkins (POR) 12.33 x 6.90 Caity Simmers (EUA) Semifinais 1 Erin Brooks (CAN) 15.10 x 11.17 Isabella Nichols (AUS)2 Anat Lelior (ISR) 12.50 x 3.43 Yolanda Hopkins (POR) Final 1 Erin Brooks (CAN) 17.20 x 16.33 Anat Lelior (ISR))

    Confira ao vivo o Outerknown Tahiti Pro 2026 e participe dos comentários e debates no nosso fórum, durante as etapas da WSL.

    Etapa Natal chegou ao fim neste domingo nas areias da Praia de Miami com vitórias de Daniella Rosas e Douglas Silva. Com status QS 4.000 da World Surf League (WSL), a etapa é válida tanto para o ranking sul-americano 2026/27 da WSL South America quanto para o Circuito BB na temporada. O domingo começou com as Quartas de Final masculina, seguidas pelas Semifinais nos dois naipes, e na sequência foi a vez da grande decisão em ambas as categorias, com aumento de tempo para 35 minutos por confronto para dar mais tranquilidade aos competidores na escolha das ondas no litoral potiguar. Douglas Silva desbanca líder do ranking para celebrar a vitória Em um duelo entre Santa Catarina e Pernambuco, Douglas Silva (BRA) conquistou sua primeira vitória no Circuito Banco do Brasil de Surfe, superando o catarinense Luan Wood (BRA), líder do ranking do QS sul-americano e do Circuito BB, embalado pelo título da etapa de Imbituba. Em uma final eletrizante na Praia de Miami, Douglas começou forte e abriu a disputa com uma onda 8,50, e Luan respondeu logo na sequência, marcando 8,07 pontos ao trabalhar muito bem as manobras de base-lip. Luan precisava de 7,14 pontos para virar o resultado e ainda teve uma última oportunidade quando os dois surfistas conseguiram pegar ondas a menos de 30 segundos do fim, mas o  catarinense recebeu 6,50 e não conseguiu a virada, confirmando Douglas Silva como grande campeão da etapa de Natal. “Primeiramente, agradecer a Deus por esse momento. Estou muito feliz, estava me sentindo bem desde o começo do evento. Estava leve. Quero agradecer a todos pela torcida, aos meus patrocinadores que acreditam no meu sonho e no meu futuro, ao meu coach Alan… Aproveitar pra dar um feliz Dia dos Pais pra todo mundo. Muito feliz de sair com a primeira vitória no Circuito BB. Seguir firme e forte trabalhando, o trabalho não para”, celebra o campeão, que completa: “Eu sempre falo pra todo mundo que nossa vida é ganha nos mínimos detalhes e é algo que eu tenho trabalhado bastante com meu coach. Estamos ajudando muito isso. 1% melhor a cada dia. Deus colocou pessoas boas na minha vida e está dando certo. A gente trabalha todos os dias para que dê certo e a gente está colhendo os resultados“. Trajetória impecável começa nas semifinais As semifinais masculinas do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocaram frente a frente dois dos surfistas que mais se destacaram no evento. Douglas Silva eliminou o campeão da etapa de 2025, Israel Junior (BRA), por 16,84 a 12,67 pontos, deixando o potiguar em combinação. O duelo foi marcado pelo confronto entre dois aerialistas: Israel ainda arriscou mais um superman, repetindo o feito das quartas, mas foi Douglas quem construiu a vitória com um surfe de borda muito forte, tanto de backside quanto de frontside, garantindo duas notas de critério excelente (8,67 e 8,17).  Em grande fase, Douglas chegou à decisão com uma campanha praticamente perfeita em Natal. Antes da final, Dodô já mostrava confiança em suas declarações:  “Eu tô muito leve, muito tranquilo. Eu realmente vim aqui pra sair com o título, estou muito focado nessa etapa (…) Essa é minha meta“. Na semifinal anterior, Luan Wood confirmou o favoritismo e superou Rafael Barbosa (BRA) por 14,70 a 13,67, garantindo vaga na decisão. Luan chegou a Natal na liderança do ranking depois das duas primeiras etapas e vinha de uma sequência consistente: no sábado, venceu suas duas baterias, incluindo uma onda 7,67 que foi decisiva para avançar às quartas. Rafael também chegou forte, ocupando posição de destaque no ranking e tendo como antecedente recente um duelo apertado contra Luan. A vitória colocou Luan na final contra Douglas, em um confronto que reúne o líder do QS sul-americano e o atleta que chega embalado por um dos melhores momentos da temporada. Peruana supera Maria Eduarda Cesar e conquista o título  A final feminina do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocou frente a frente experiência e nova geração. De um lado, Maria Eduarda Cesar (BRA), uma das promessas do surfe brasileiro com apenas 18 anos, disputando a primeira final de sua carreira no Circuito BB. Do outro, a peruana Daniella Rosas (PER), atleta olímpica, tricampeã sul-americana da WSL e atual campeã do circuito Banco do Brasil, que chegou à segunda final em duas etapas disputadas em 2026. Em 2025, Daniella foi ainda campeã em São Sebastião e em Imbituba. Em uma decisão de 30 minutos, Dani venceu por 9,07 a 9,84 pontos, administrando bem a escolha das ondas e a prioridade nos minutos finais. Duda apostou principalmente nas direitas em frente ao palanque, mas a peruana foi mais eficiente na leitura do mar. O resultado reforça a consistência de Daniella em eventos no Brasil.  “Estou super agradecida. Poder ganhar aqui é super especial. Venho de uma sequência não muito boa no Challenger, mas estou feliz de poder ganhar aqui. Em Imbituba não foi meu grande dia (na final contra a Sophia Medina), e aqui fiquei o mais tranquila possível e ajustei meus erros. Estou feliz e agradecida”, celebra a campeã, que projeta os próximos passos:  “Agora vou pra casa, porque faz muito tempo que não vou pra lá. Saio para a Espanha, depois volto para o Brasil para a etapa do Espírito Santo… Tenho bons resultados no Brasil e quero manter isso constante. Estou totalmente focada nos Challengers. Esse ano me sinto muito melhor, estou super feliz em todos os sentidos. Agradecida de estar aqui, de ganhar aqui. A verdade é que estou muito feliz”, finaliza Dani.  Atleta BB, Tainá Hinckel (BRA) e Alexia Monteiro (BRA) encerraram suas participações na semifinal, terminando o evento em terceiro lugar no geral.  Resultados Circuito Banco do Brasil de Surfe em Etapa Natal Masculino Quartas de final 1 Luan Wood (BRA) 11.60 x 8.70 Wesley Leite (BRA)2 Rafael Barbosa (BRA) 13.50 x 12.23 Gabriel Klaussner (BRA)3 Israel Junior (BRA) 14.00 x 12.03 Ryan Kainalo (BRA)4 Douglas Silva (BRA) 15.10 x

    Pernambucano Douglas Silva conquista primeira vitória no Circuito Banco do Brasil, e peruana Daniella Rosas vence no feminino na etapa de Natal, disputada na Praia de Miami (RN).

    A Defesa Civil mantém alertas para ventos fortes nesta sexta-feira (7) em áreas do litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro, com rajadas que podem chegar a 100 km/h no litoral paulista. A situação já provocou ventos de 97,2 km/h em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, durante a noite de quinta-feira (6). Clique aqui para ver a previsão das ondas em SP Clique aqui para ver a previsão das ondas no RJ No estado de São Paulo, a previsão é de alerta vermelho nesta sexta e no sábado (8), com destaque para o litoral, a faixa leste e regiões de serra. A Defesa Civil chegou a enviar alertas severos aos celulares da população do litoral sul e da Baixada Santista até Bertioga. A força do vento já pôde ser sentida em diferentes pontos da costa paulista. Além dos 97,2 km/h registrados em Itanhaém na noite de quinta, os ventos chegaram a 90 km/h em Mongaguá no período noturno. Na manhã desta sexta, Caraguatatuba registrou rajadas de 49,3 km/h. Também houve registros de 37,6 km/h em Santos, 36,7 km/h em Cananéia, 31,2 km/h em Mongaguá e 31,1 km/h em Ilhabela. A Baixada Santista está entre as regiões com previsão de ventos fortes e maior risco no estado. Bertioga, Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba suspenderam as aulas da rede pública nesta sexta-feira. Segundo a Defesa Civil, a ventania pode provocar queda de árvores e placas, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia, dificuldades no tráfego, impactos em aeroportos e agitação marítima. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Agência SP (@agenciaspoficial) Rio de Janeiro também recebe alerta No Rio de Janeiro, a Defesa Civil estadual também emitiu um alerta severo para ventos e chuva forte na manhã desta sexta-feira. A mensagem enviada aos celulares alertou para vento forte nas próximas horas e orientou a população a evitar deslocamentos. A cidade do Rio entrou em Estágio 2 ainda na noite de quinta-feira, diante da previsão de intensificação dos ventos entre quinta e domingo (9). As aulas das redes municipal e estadual foram suspensas nesta sexta por precaução. As condições para um vendaval se intensificaram com a combinação entre um ciclone e uma frente fria, e os ventos podem passar dos 90 km/h na Região Metropolitana do Rio. Para esta sexta, a previsão indica rajadas fortes, entre 52 e 76 km/h, e muito fortes, acima de 76 km/h, a partir da manhã. Atenção redobrada no litoral A ventania está associada à chegada de um ciclone extratropical à região Sul do país e exige atenção especial de quem está no litoral. Além dos ventos fortes, há previsão de ressaca. No estado de São Paulo, nove das 16 regiões administrativas estão em alerta vermelho, incluindo Santos e o Vale do Paraíba e litoral norte. Além dos riscos provocados pelo vento em terra, a Defesa Civil paulista inclui a agitação marítima entre os possíveis impactos das condições meteorológicas. O cenário reforça a necessidade de atenção de quem pretende frequentar praias ou realizar atividades no mar durante o período de maior intensidade dos ventos. No domingo (9), a previsão para São Paulo passa para alerta amarelo, com as rajadas se deslocando gradualmente em direção ao Rio de Janeiro. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Corpo de Bombeiros Militar/ RJ (@corpodebombeiros_rj)

    Litoral paulista está entre as áreas de maior atenção nesta sexta-feira (7), enquanto Rio de Janeiro também recebe alerta para ventos fortes. Rajadas já chegaram a 97,2 km/h em Itanhaém.

    O Circuito Banco do Brasil de Surfe retorna ao Rio Grande do Norte para mais uma etapa da temporada de 2026. Entre os dias 7 e 9 de agosto, a Praia de Miami, em Natal, recebe pela terceira vez uma das principais etapas do calendário da WSL South America, válida pelo Qualifying Series (QS) 4.000. E, entre os principais nomes da competição, um atleta chega cercado de expectativa: o potiguar Mateus Sena, campeão da etapa em 2024 e um dos favoritos para repetir o feito diante da torcida. Em cinco anos, o Circuito Banco do Brasil de Surfe consolidou-se como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional sul-americano. Já foram 21 etapas realizadas, mais de duas mil inscrições e mais de 700 atletas únicos, de 15 nacionalidades, reforçando a importância da competição para a formação de novos talentos. “Cada etapa do Circuito Banco do Brasil de Surfe representa muito mais do que uma competição. É uma oportunidade de fortalecer o surfe brasileiro, criar caminhos para a nova geração de atletas e aproximar ainda mais o esporte das comunidades onde ele nasceu e se desenvolveu. Natal reúne todos esses elementos o que faz elevar a expectativa de realizar mais um grande evento e seguir consolidando o circuito como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional na América do Sul”, evidencia Ivan Martinho, presidente da WSL América Latina. O Rio Grande do Norte tem tradição na modalidade, revelando nomes como Italo Ferreira, campeão olímpico e mundial da WSL, Jadson André, que permaneceu por 13 temporadas na elite do Championship Tour, além de atletas como Joca Junior, Marcelo Nunes, Danilo Costa, Aldemir Calunga, Alan Jhones e Israel Junior. Agora, Mateus Sena busca escrever mais um capítulo dessa história. Foi justamente na Praia de Miami que o surfista viveu um dos momentos mais marcantes da carreira. Em 2024, conquistou o título da etapa e também da temporada do Circuito Banco do Brasil de Surfe. Na decisão, arrancou uma nota 8.50 na última onda, a menos de dois minutos do fim da bateria, para virar sobre Adauto Sena e levantar o troféu diante da praia lotada. “A conquista de 2024 foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira. Foi o primeiro título sul-americano da história do Rio Grande do Norte em um evento desse porte, e isso torna essa vitória ainda mais especial. Guardo lembranças muito boas daquele dia, com minha família, meus amigos e todas as pessoas que me viram crescer acompanhando da praia. Tudo isso me dá ainda mais confiança, porque sei que já consegui uma vez e agora vou em busca de repetir esse resultado”, destaca Mateus. No ano seguinte, a tradição foi mantida com mais um título potiguar, desta vez conquistado por Israel Junior. Agora, em 2026, os dois surfistas entram na disputa com a chance de se tornarem os primeiros bicampeões da etapa de Natal. Competindo novamente diante da família, dos amigos e da torcida local, Mateus afirma chegar mais preparado para lidar com a responsabilidade de correr em casa. “Depois de já ter vencido uma etapa, chego mais leve, focado e tranquilo, sabendo que o trabalho foi feito. Me preparei da melhor forma, cuidando da alimentação, treinando o corpo e a mente, dentro e fora da água, e isso me dá muita confiança. Poder contar com minha família, meus amigos e com as pessoas que me viram crescer, na praia onde tudo começou, torna esse momento ainda mais especial. Espero poder retribuir todo esse apoio com um grande resultado”, afirma. Além do aspecto esportivo, o surfista destaca o impacto que a realização de uma etapa da WSL pode gerar para o estado e para os jovens atletas da região. “É muito importante para o desenvolvimento do surfe no Rio Grande do Norte. O estado tem ondas de qualidade e muitos surfistas talentosos que ainda não estão no radar do cenário nacional e internacional. Um evento desse porte cria oportunidades para que esses atletas mostrem seu potencial. Além disso, o histórico recente mostra a força do surfe potiguar, com títulos conquistados em 2024 e 2025 por atletas da casa. Espero que este ano a gente possa manter essa tradição”.

    Campeão do circuito em 2024 na Praia de Miami, natalense Mateus Sena volta a competir em casa em busca de manter a hegemonia potiguar em etapa do Circuito Banco do Brasil.

    O surfe contemporâneo, com sua indústria bilionária e recente status olímpico, muitas vezes ofusca uma verdade histórica profunda: suas raízes não são ocidentais, tampouco puramente recreativas. É exatamente essa lacuna cultural que o jornalista e antropólogo Luciano Meneghello busca preencher em seu novo livro, Surfe e Ancestralidade. A obra chega ao mercado como um relato histórico e um manifesto literário que promete transformar a maneira como a comunidade esportiva enxerga o oceano e a própria prancha. Em 2020, ele lançou seu primeiro livro, Raiz (revisado e ampliado em 2025), uma obra que narrou a saga dos polinésios que, há 3.500 anos, desbravaram 22,5 milhões de km² no Pacífico guiados apenas pelas estrelas, aves e ondas. Foi dessa cultura umbilicalmente ligada à natureza que nasceram esportes como a canoagem polinésia, o stand up paddle e o surfe. Inquieto com o apagamento das origens indígenas do surfe no Havaí pré-colonial, o autor tomou uma decisão corajosa: voltou aos bancos universitários para cursar Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O resultado foi uma monografia aprovada com nota máxima unânime, que agora ganha vida nas páginas de Surfe e Ancestralidade. A decolonização das águas O ponto central da obra está na desconstrução do estereótipo do surfe como uma atividade de lazer desfrutada por uma juventude branca de classe média. Meneghello nos convida a entender o heʻe nalu, a milenar prática havaiana de deslizar sobre as ondas, com sua própria cosmologia, integrada a uma relação de poder e conexão com o meio ambiente. Com uma narrativa envolvente, o autor detalha como operam os processos de apropriação cultural e a subsequente “turistificação” promovida pela indústria. A obra propõe uma decolonização do olhar sobre as águas, oferecendo ao leitor, seja ele um surfista profissional ou de fim de semana, um novo nível de respeito pelo esporte. Fruto de anos de pesquisa e imersão etnográfica nas ilhas de O’ahu e Maui, o livro revela como o povo nativo (Kānaka Maoli) passou a utilizar as zonas de surfe (po‘ina nalu) como territórios de soberania em resposta aos processos coloniais que mudaram drasticamente a realidade das ilhas havaianas. O autor traça uma linha do tempo fascinante que vai das sofisticadas pranchas ancestrais de madeira até as tensões políticas modernas, culminando no poderoso “Renascimento Havaiano” e na épica jornada da canoa Hōkūleʻa. Surfe e Ancestralidade transporta o surfe de uma técnica esportiva, que movimenta hoje um mercado bilionário, para uma “epistemologia da paisagem marinha”. Ele oferece aos praticantes a oportunidade de reconectar o ser humano ao fluxo do meio ambiente, em um processo capaz de “pacificar o branco” apontando caminhos para uma vida mais presente e conectada com o mundo real. Como adquirir a obra Surfe e Ancestralidade está sendo lançado diretamente pelo autor. Os interessados em adquirir o livro e acompanhar os bastidores dessa pesquisa podem entrar em contato e realizar a compra através do perfil oficial no Instagram: @surfeeancestralidade.

    Antropólogo Luciano Meneghello propõe releitura das origens do surfe, resgatando a cultura polinésia e questionando a visão ocidental que transformou a prática em esporte e indústria.