Ciência das ondas

Ondas em alto mar

Swell grande na Ilha de Izaro, Mundaka. Foto: Billabong.com.

O texto sobre a formação das ondas deu uma breve idéia de como é complexo o processo de geração de ondas pelo vento no oceano. Certamente, a galera está ansiosa para saber mais sobre as ondas na arrebentação.

 

Porém, não devemos esquecer de que a quebra de uma onda em águas rasas numa praia é o estágio final da vida de ondas que nasceram e passaram praticamente toda sua existência no oceano profundo.

 

Portanto, galera, vamos ter paciência: vamos deixar as ondas no raso para mais adiante e, por enquanto, vamos tentar entender melhor como são as ondas em alto mar.

 

Propriedades Básicas de Ondas em Águas ?Profundas?

 

Primeiramente, é muito importante e necessário que a gente entenda algumas propriedades básicas das ondas na superfície da água.

 

Para tanto vamos deixar de lado temporariamente as ondas ?reais? do oceano e analisar uma situação mais simples onde possamos ter algum controle da situação.

 

Batedor pertuba o equilíbrio das águas e gera um `trem´ de ondas idênticas. Foto: Reprodução.

Engenheiros e cientistas que estudam o assunto costumam usar um dispositivo simples para gerar ondas em canais de laboratório, que consiste de uma palheta articulada no fundo acionada por um motorzinho como mostrado na figura ao lado.

 

O motor é regulado para girar com velocidade constante e, com isso, a palheta é forçada a oscilar ciclicamente, sempre do mesmo jeito, perturbando o equilíbrio da água e gerando um ?trem? de ondas idênticas, ideais para se entender aspectos básicos sobre o fenômeno.

 

[OBS.: Um dos maiores laboratórios para estudos de ondas do mundo está no Brasil! É o Laboceano da UFRJ.  Vale a pena conferir o site Laboceano].

 

Pode parecer estranho, a primeira vista, querer usar um canal desse tipo para estudar ondas em águas ?profundas? mas, como veremos em breve, isso é perfeitamente possível desde que tomemos algumas precauções.

 

Registro em laboratório. Foto: Reprodução.

Por enquanto, vamos supor que o canal seja fundo o suficiente de modo que as ondas que serão geradas se comportem como as ondas em alto mar. Nesse caso, se colocarmos um medidor de nível num ponto fixo qualquer do canal e registrarmos o movimento (vertical) da superfície da água por alguns instantes, vamos obter um registro como esse mostrado ao lado.

 

Detalhes importantes devem ser observados:
Todas as ondas são exatamente iguais, o que facilita muito o problema. Aliás, esse fato não causa surpresa já que o batedor faz sempre o mesmo movimento.

 

As cristas das ondas estão acima do nível médio (nível que a água teria se não houvesse ondas, indicado pela linha pontilhada) e os cavados abaixo dele. Esta constatação sugere que o ?balanço? causado pelas ondas em águas profundas tende a ser simétrico em relação ao nível médio.

 

Em outras palavras, poderíamos dizer que, em águas profundas, as ondas provocam tanto protuberâncias (cristas) quanto depressões (cavados) na superfície da água.

Feita essa observação, a questão agora é como definir a altura de uma onda individual. Nosso primeiro impulso seria, talvez, associar a ?altura? duma certa onda com a elevação (vertical) da crista em relação ao nível médio.

 

Essa idéia talvez funcionasse bem se as ondas não tivessem cavados… Na verdade, observando novamente o gráfico, vemos que o tamanho real das ondas ficaria melhor representado se incluíssemos também os cavados no cálculo das alturas. De fato, é isso que se faz. A altura duma onda é definida como a diferença de nível (na vertical) entre a crista e o cavado.

 

Observem que, se escolhermos o cavado anterior à crista, estaríamos medindo a onda pela frente, se escolhermos o cavado posterior, estaríamos medindo a onda por trás. Porém, como, nesse caso, as ondas são todas iguais, a altura obtida por uma forma ou outra seria exatamente a mesma !

 

Um outro parâmetro que também pode ser obtido do registro acima é o período ( T ) das ondas. O período é definido como o intervalo de tempo entre a passagem de duas cristas sucessivas por um ponto fixo. Na verdade, se fizéssemos uma marquinha no canal seria muito fácil medir o período com o relógio: bastaria cronometrar o tempo decorrido entre a passagem de duas cristas consecutivas pela marquinha e pronto!

 

Voltando a atenção para o canal, suponha que alguém tenha fotografado a onda no canal (o que é fácil fazer pois o canal tem paredes de vidro). Essa foto permitiria identificar um outro parâmetro muito importante: o comprimento de onda, que é definido como a distância entre duas cristas consecutivas.

 

No caso do laboratório, como todas as ondas são iguais, todas teriam a mesma altura, o mesmo período e o mesmo comprimento.

 

QUESTÃO Como o operador do motorzinho consegue controlar esses 3 parametros (altura, período e comprimento)?

 

Resposta A velocidade de rotação do motor controla a duração do ciclo de oscilação da palheta que, por sua vez, controla o período da onda: a cada ciclo da palheta, uma onda é produzida. A amplitude da excursão da palheta afeta o quanto esta ?empurra? a água e, por conseguinte, controla a altura da onda.

 

QUESTÃO E o comprimento da onda, como se controla?

 

Resposta Não temos controle sobre o comprimento ! Na verdade, o comprimento da onda é controlado indiretamente pelo período (e pela gravidade da Terra…). Existe uma formulinha bem fácil que permite calcular o comprimento em função do período. Para quem gosta de matemática a fórmula é a seguinte:
L = 1.56 x (TxT).   

 

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L é o comprimento em metros e T o período em segundos. Portanto, o comprimento está diretamente relacionado ao período e quanto maior o período da onda, maior seu comprimento.
[OBS Para termos uma idéia da ordem de grandeza do comprimento das ondas no oceano, podemos usar um período de 10 seg. (bem típico do fenômeno) na formuleta acima e calcular o comprimento correspondente, o que daria 156 metros. Para ondas de 20 s (um período relativamente longo para as ondas do mar) o comprimento seria de 624 m !  Um mar com ondas de, digamos, 5 m de altura, já é um mar bem respeitável, porém, é interessante observar que o comprimento das ondas é normalmente muito maior do que as alturas.]

 

QUESTÃO E quanto a velocidade de avanço, ou de ?propagação?, das ondas, que parâmetros influenciam essa velocidade?

Resposta A velocidade de propagação das ondas ( C ) pode ser obtida facilmente da formuleta acima lembrando que C = L / T . Portanto, a formuleta que possibilita calcular a velocidade das ondas em  km/h  (com o período em s) é a seguinte:
C = 5.6 x T

[OBS Ordem de grandeza das velocidades das ondas no mar: uma onda de 10 s. de período viaja pelo oceano profundo a 56 km/h; uma onda de 20 s  viaja a 112 km/h ! ] 

 Dois aspectos importantes devem ser observados aqui:
(i) Em águas profundas, a altura das ondas não afeta sua velocidade?
(ii) A velocidade das ondas em águas profundas depende diretamente do seu período: quanto maior o período, mais rapidamente as ondas se propagam.

 

IMPORTANTE Esse segundo resultado mostra que as ondas em alto mar são dispersivas . Como veremos adiante, essa propriedade é a responsável pela ?mágica? de transformar vagas ?desorganizadas? numa ondulação perfeita…

QUESTÃO Como é o movimento da água quando a onda passa ? Será que a onda ?carrega? a água junto ?

 

Figura ilustrativa do movimento da água causado por ondas em águas profundas. Foto: Reprodução.

Resposta Para responder essa questão, poderíamos introduzir na água bolinhas de ping-pong lastreadas para ficar com flutuabilidade neutra (isto é, com peso = empuxo) e simplesmente observar, através da parede de vidro do canal, o que aconteceria com as bolinhas com a passagem da onda.

 

O resultado está ilustrado na figura ao lado, ilustrativa do movimento da água causado por ondas em águas profundas.

 

Com a passagem das ondas as partículas de água descrevem movimentos oscilatórios com órbitas circulares cujos diâmetros diminuem com a profundidade. Observar que a partir de uma profundidade igual à metade do comprimento de onda a água não é mais afetada pela onda.

 

O que se vê é que, com a passagem das ondas, as bolinhas se movem de uma forma bem curiosa: elas ficam oscilando para frente e para trás e para cima e para baixo, descrevendo uma ?órbita? circular.

 

Quem já observou o movimento de uma garrafa ou uma bola boiando em alto-mar vai confirmar esse resultado. Isso ocorre, dentre outras coisas, porque a velocidade com que a forma da onda avança (a velocidade C que calculamos acima) é muito maior do que a velocidade com a qual a água se move. Assim, a onda passa, a água ?balança? mas não vai junto com a onda.

 

É muito importante observar que as bolinhas que estão abaixo da superfície também orbitam mas a amplitude do movimento vai declinando a medida que a profundidade aumenta. Na verdade a última bolinha mostrada na figura já nem se movimenta mais e, portanto, ela nem saberia ?dizer? se há ondas na superficie ou não!

 

Como indicado na figura, essa última bolinha está localizada numa profundidade igual à metade do comprimento da onda. Ora, se a onda não consegue afetar a água a partir de profundidades maiores que metade do seu comprimento (0.5 L), é razoavel supor que o que estiver abaixo dessa profundidade também não consegue afetar a onda.

 

Por exemplo, se o fundo do canal estiver a uma profundidade igual ou maior que 0.5 L, a onda não tomará conhecimento disso e, portanto, não será afetada pelo fundo. Assim, vemos que o conceito de agua ?profunda? é relativo ao comprimento e logo ao período da onda.

 

Portanto, não há problema nenhum em estudar ondas em águas profundas com o canal em questão se a profundidade da água for maior que 0.5 L !

 

[OBS No oceano, por exemplo, uma onda de período 10 s e comprimento 156 m só começaria a ?sentir? o fundo a partir de profundidades menores que 78 m. Portanto, 78 m é o limite de águas profundas para essa onda. O limite de águas profundas para uma onda de período 20 s ( L = 624 m) seria de 312 m! A conclusão é que quanto maior o período, mais as ondas são afetadas pelo fundo. Esse resultado será de enorme importância quando formos analisar as transformações que o fundo produz nas ondas.]

 

Um último assunto importante refere-se a energia das ondas. Quem já tentou mover coisas dentro d?água sabe que essa tarefa requer força… não é fácil mexer com a água ! No caso do canal, a força é produzida pelo motorzinho que vai consumir energia (elétrica, no caso) para funcionar. Se medíssemos o consumo de energia do motor, verificaríamos que este depende da altura da onda gerada pela máquina, ou seja, quanto maior a altura da onda, mais energia o motor ?puxaria?. Na verdade, a relação entre energia e altura nas ondas é quadrática, ou seja, para gerar ondas com o dobro da altura, o motor teria de dispender quatro vezes mais energia.

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Um fato curioso é que o motor está pondo energia na água no inicio do canal e as ondas que foram criadas se encarregam de transportar essa energia ao longo do mesmo, exatamente como ocorre com ondulações que cruzam os oceanos, muitas vezes levando por milhares de km a energia que elas adquiriram do vento em tempestades longíquas!

 

A Idéia do Espectro de Ondas

 

As propriedades básicas vistas acima são crucias para o entendimento de vários fenômenos que observamos nas ondas ?reais? do mar. Porém, para isso temos ainda que resolver uma questão básica que é a seguinte: Como aplicar o conhecimento adquirido no laboratório com ondas certinhas ? ou ?regulares? no jargão dos engenheiros ? para as ondas irregulares e desorganizadas que o vento produz no oceano ?

 

A resposta a essa questão passa pelo conceito do Espectro das Ondas do Mar. Esse é um conceito bastante sofisticado e o seu entendimento requer muita atenção do leitor. A idéia fundamental do Espectro consiste em interpretar as ondas irregulares e ?desorganizadas? encontradas no oceano como resultado duma superposição de vários trens de ondas regulares, cada um deles com ondas de altura, período e direção conhecidos.

 

Segundo essa idéia, podemos imaginar que o vento na zona de geração funciona como um conjunto de máquinas batedoras de onda similares às do laboratório só que de tamanho gigante, cada uma ajustada para produzir o seu trem de ondas regulares que, ao se superporem a medida que viajam pelo oceano, dão origem as ondas ?bagunçadas? que vemos no mar.

 

Esses trens de ondas regulares são chamados de componentes espectrais e o famoso Espectro Direcional nada mais é do que um gráfico que mostra, para um certo estado de mar, quais componentes estão ?ativadas? e quanta energia cada uma delas contem [lembrando: a energia das ondas está relacionada à sua altura].

 

Uma maneira bastante usada para plotar o Espectro Direcional usa coordenadas polares ou seja uma figurinha de forma circular. A posição das ?manchas? no Espectro Direcional indica a direção de onde vêm as ondas (Sul em baixo, Leste à direita, etc) e as cores o nível de energia (logo, a altura) das componentes (azul ? baixa energia, amarelo ? alta, etc).

 

O Espectro Direcional mostrado no WAVESCHECK é CALCULADO pelo modelo de geração de ondas do LaHiMar (*). Na figurinha do WAVESCHECK, o período das componentes presentes é indicado pela distância ao centro do círculo, ou seja, ?manchas? mais afastadas do centro indicam a presença de energia em períodos maiores e assim por diante.

 

[(*) Aliás, como funcionam mesmo esses tais ?modelos de previsão de ondas?? O que exatamente eles prevêem? Como eles conseguem fazer isso? … perguntinhas interessantes para serem respondidas no futuro… ]
 

Exemplo de Espectro Direcional.  Foto: Reprodução.

Exemplo de Espectro Direcional. O Espectro mostrado na figura foi MEDIDO pela bóia do LaHiMar (quando esta estava ativa) ao largo da ilha de SC no dia 03/09/2002. A condição de mar nesse dia era de um swell de SSE (150o) com período longos (período de pico de 16 s). Os espectros que aparecem no WAVESCHECK são CALCULADOS pelo modelo WW3 do LaHiMar para os pontos indicados, mas a idéia é a mesma.

 

As características e a forma do Espectro Direcional ajudam muito a entender o que está acontecendo no mar. Por conta da complexidade do processo de geração descrito anteriormente, o vento vai sempre colocar energia num conjunto de componentes com diferentes períodos e direções ?espalhadas? em torno de uma componente mais ?energética? que vai ser o ponto mais alto ? o ?pico? ? do Espectro.

 

É por isso que os Espectros se apresentam sempre como ?manchas? e a forma dessas ?manchas? contém informações importantes. Por exemplo: uma ?mancha? larga indica que a energia que o vento pôs no mar está distribuída em componentes com períodos e direções bem variados e, por conseguinte, deve resultar num estado de mar com ondas bem bagunçadas.

 

Por outro lado, uma ondulação ?limpinha? deve aparecer no Espectro Direcional como uma ?mancha? estreitinha indicando que a energia está bem concentrada em torno de um certo período e de uma certa direção (o caso mostrado na figura acima é um bom exemplo).

 

Um fato interessante é que, como reflexo da variabilidade dos ventos sobre o oceano, é possível haver a presença simultanea de mares de direções bem diferentes. O Espectro Direcional numa situação assim apresentaria a presença de duas ou mais  ?manchas?. Na costa Sul/Sudeste brasileira, por exemplo, é comum encontrar Espectros com uma ?mancha? abaixo do centro e outra mais à direita indicando a existência simultânea de uma ondulação de Sul ? usualmente gerada por uma tempestade mais afastada ?  e de vagas de Leste/Nordeste ? resultado do vento local.

De posse do Espectro é possível estabelecer os 3 parâmetros básicos que definem um certo estado de mar e que aparecem nos gráficos do WAVESCHECK:

(i)  Período de Pico ? período da componente de maior energia ? o ?pico? ? do Espectro Direcional.
(ii) Direção de Pico ? a direção dessa mesma componente. Essa direção corresponde à direção do vento que gerou as ondas.
(iii) Altura Significativa ? Uma altura representativa do estado do mar, obtida a partir da contribuição de todas as componentes presentes, isto é, que usa a energia de todas as componentes do Espectro.

 

QUESTÃO Como essa tal Altura Significativa (abreviada, Hs) se relaciona com a altura das ondas individuais presentes no mar?

Antes de abordar essa questão é preciso definir claramente como vamos medir a altura de ondas individuais no caso real do oceano, confira aí.

 

 

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Registro do movimento da superfície do mar. Foto: Reprodução.

Definição da Altura das Ondas em Alto Mar

O gráfico ao lado é um registro do movimento da superfície do mar com duração de 75 s  obtido pelo ondógrafo da UFSC no dia 18 de Março de 2002.

 

Registro do deslocamento vertical da superfície do mar obtido pelo Ondógrafo da UFSC. O registro mostra a presença de 12 ondas (com diferentes alturas e períodos). A linha horizontal corresponde ao nível médio do mar.

 

Comparando esse gráfico com o obtido no laboratório fica evidente a irregularidade das ondas geradas pelo vento: agora encontramos ondas ?individuais? de vários tamanhos!

 

Porém, como no laboratório, vemos que as ondas ?reais? também tem cristas acima do nível médio e cavados abaixo deste. Como definir a altura de uma onda individual nesse caso?  Ora, da mesma maneira que fizemos no laboratório: A ?altura? de uma onda é definida como sendo a diferença de nível (na vertical) entre a crista e o cavado.

 

Observe que agora, como as ondas são irregulares, a escolha do cavado anterior (onda medida pela frente) ou posterior (onda medida por trás) à crista afetaria a altura individual da onda ! Curiosamente, se fossemos calcular uma altura média com muitas ondas, o valor encontrado não seria muito diferente se medíssemos as ondas pela frente ou por trás.

 

A medição pela frente talvez fosse mais interessante pois essa seria a altura que uma embarcação teria de ?escalar? para passar a onda. O mais importante aqui é atentar para o fato de que a medição tem de ser feita verticalmente, da crista (ponto mais alto) até o cavado (ponto mais baixo da superfície da água).

 

Com essa definição e de posse dum registro da posição da superfície do mar como esse da figura, a altura de qualquer onda poderia ser prontamente determinada.

Altura Significativa de um Estado de Mar

Muito bem, agora vamos retornar à questão:

QUESTÃO Como essa tal Altura Significativa (Hs) obtida da ?energia? do Espectro se relaciona com a altura das ondas individuais presentes no mar ?

Resposta A altura significativa (Hs) corresponde à média do terço superior das maiores ondas presentes… Como assim, não é a média da altura de todas as ondas presentes?  NÃO! Por exemplo, se conseguíssemos medir as alturas (individuais) de, digamos, 300 ondas, teríamos que separar as 100 maiores (1/3 do total), calcular a média dessas 100 alturas e, aí sim, teríamos a tal altura significativa (Hs) que é a altura usada para caracterizar o tamanho das ondas de um dado estado de mar … estranha essa história não é… porque isso?

O motivo tem a ver com um fato curioso: testes realizados com observadores experimentados mostraram que a altura estimada visualmente por esses observadores corresponde surpreendentemente bem à altura significativa calculada a partir do Espectro de Ondas !!

 

[OBS Não sei se a galera do surf já pensou sobre essa questão… mas, quando alguém dá um boletim das condições do mar informando que ?hoje as ondas estão com 2 metros de altura…?, por exemplo, o que significa exatamente essa altura ?  Bem, se estivéssemos em alto mar e a pessoa em questão fosse um observador ?experimentado?, intuitivamente, a altura estimada (visualmente) por ela corresponderia, aproximadamente, à altura significativa Hs ! … Bem, em águas rasas, com ondas quebrando… tudo fica mais complicado… mas vamos chegar lá…]

Ainda devemos lembrar que essa altura significativa não corresponde à maior altura presente, ou seja, num mar de Hs = 2 m, é certo que vamos encontrar ondas maiores que 2 m. Existe uma teoria estatística sobre a altura das ondas em alto mar muito interessante que permite fazer uma estimativa de qual seria a maior onda provável de acontecer num certo intervalo de tempo.

 

A teoria prevê, por exemplo, que se o mar estiver com uma altura significativa de 2 m e você esperar 1 hora, é provável que você encontre uma onda com 3.4 m de altura. A rigor essa teoria estatística só é válida para ondas em alto mar. Mesmo assim, podemos usá-la para ter uma idéia, mesmo que grosseira, do que esperar em águas mais rasas. Fazendo isso, podemos inferir o seguinte resultado aproximado: se o boletim está indicando um mar com HS = 2,0 m, por exemplo, é bem provável que apareça uma ?rainha? com 3,4 m num intervalo de tempo de 1 hora !

 

…Vamos em frente…

[OBS Quem quiser ver um estudo feito no LaHiMar sobre esse assunto. Clique aqui para conferir.

 

 

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O Fenômeno da Dispersão e a ?Mágica? do Swell

 

Finalmente, estamos em condições de responder a pergunta apresentada no texto anterior de como a natureza consegue transformar as ondas ?bagunçadas? que o vento produz, numa ondulação perfeita e organizada. A resposta a essa questão vem da combinação de dois conceitos básicos: (i) a interpretação espectral das ondas geradas pelo vento e (ii) a propriedade da ?dispersão? de ondas. Para entender melhor esse último conceito, vamos fazer uma analogia com uma corrida de maratona… leia com atenção o que segue.

 

A maratona é uma corrida na qual os participantes têm de percorrer uma longa distância. Os corredores duma maratona tem habilidades bem variadas: há o grupo de elite ? normalmente quenianos ? que correm muito mais rápido que os outros; há o grupo dos profissionais que correm bem, mas que não conseguem acompanhar os ?quenianos?, há ainda o grupo dos aspirantes a profissional, depois os amadores bem preparados  e, finalmente, os que estão na corrida só pra se divertir e que ficarão muito felizes se conseguirem chegar ao fim, mesmo que nos últimos lugares… Na hora da partida, toda a galera está ?embolada? e todos vão partir juntos quando o sinal soar.

 

Vamos pensar no que acontece com o conjunto de corredores a medida que a corrida se desenrola. Ora, como os corredores ?viajam? a velocidades diferentes, depois duma certa distância, eles começam a se separar… os ?quenianos? assumem a dianteira, os profissionais vem a seguir, os aspirantes atrás e assim por diante.

 

Ou seja, os corredores vão se separando em função das suas velocidades, com os que correm mais rápido tomando a dianteira!

Como é a chegada de uma maratona? Todos nós sabemos a resposta: os ?Kenianos? serão os precursores, chegando, provavelmente, com uma dianteira bem folgada em relação ao segundo pelotão de profissionais, que, por sua vez, estarão bem a frente dos amadores e assim por diante. Aliás, os familiares da galera que está na maratona só por diversão têm de esperar um bom bocado para ver sua chegada tamanha é a diferença de velocidade entre eles e os ?quenianos?…

 

Vejam só o que a diferença de velocidade conseguiu fazer: a galera que estava toda embolada no inicio foi se separando ? ou ?dispersando? ? aos poucos ao longo do trajeto e, como a distância é muito grande, a chegada dos corredores se deu de forma super bem organizada. Uma maratona é um bom exemplo de uma corrida ?dispersiva?. Mas o que isso tem a ver com a propagação dum swell no oceano?  TUDO!!! 

 

Veja só: O vento numa tempestade cria ondas no mar, ou mais precisamentes, coloca energia em componentes com diferentes períodos (essa é a interpretação espectral das ondas geradas pelo vento). As componentes do Espectro comportam-se como os corredores da maratona, cada uma com sua velocidade definida em função do seu período: os ?quenianos?, são as componentes de período mais longo presentes, os amadores as de período mais curto e assim por diante.

 

Na ponto de partida da ?corrida?, isto é no local onde está a tempestade, todo mundo está ?embolado? e o negócio é uma bagunça… Porém quando a tempestade amaina e as componentes começam a se propagar pelo oceano transportando a energia que o vento lhes passou, a separação, ou a dispersão como dizem os cientistas, tem início.

 

Quanto mais longínqua for a tempestade, isto é quanto maior for a distância a percorrer, mais bem separadas e agrupadas ficarão as componentes. Um swell que viajou 5000 km, por exemplo, vai estar muito mais organizado que outro que viajou apenas 500 km.

 

QUESTÃO Há alguma maneira de observar a dispersão do swell na sua propagação pelo oceano ?
Resposta: Sim, hoje em dia é possivel fazer isso com facilidade. Para tanto basta acompanhar uma sequência de mapas do período de pico (*) calculado pelo modelo de ondas. A figura abaixo, obtida do modelo WW3 no site do LaHiMar, ilustra bem o caso. Observando a figura dá pra ver bem o avanço de algumas ondulações pelos oceanos pois essas se apresentam sempre como uma sucessão de faixas de período decrescente a partir da frente de avanço do swell.

 

Mapa de Período. Foto: Reprodução.

Mapa de Período de Pico obtido com o Modelo WW3 do LaHiMar/UFSC para a grade Global mostra ao lado a propagação de ondulações nos oceanos. Observar dispersão das ondulações com períodos mais longos passando a frente do swell.

 

Em particular, nesse dia há um swell no Oceano Indico gerado por uma tempestade ocorrida a Sul da Africa no dia 12/09. [ Atenção: essa é uma condição favorável a ocorrência de altas ondas em toda a Indonésia quando essa ondulação atingir a costa!] 

 

[(*) Outra perguntinha: Porque o mapa de Altura Significativa (Hs) NÃO acusa nada de especial ? … Mais uma questão interessante a ser vista no futuro… ]

 

QUESTÃO Será que a chegada à costa de um swell longínquo teria também similaridade com a chegada duma maratona ?

Resposta Certamente que sim! A subida do mar no caso dum swell longínquo ocorre de forma bem característica: as primeiras ondas a chegar, ainda com pouca energia (logo altura ainda pequena), seriam as componentes de período mais longo, as chamadas ondas precursoras do swell.

 

Com o passar do tempo, as condições do mar tenderiam a apresentar uma diminuição progressiva dos períodos a medida que as componentes menos velozes fossem chegando e um aumento progressivo das alturas com a chegada do grosso da energia.

 

Para observar essa chegada dispersiva no modelo de ondas teríamos de prestar atençao na evolução temporal do espectro e ver o período de pico migrar do contorno do círculo (periodos mais longos) para o centro (períodos mais curtos).

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QUESTÃO Como seria o aspecto do mar numa situação assim ?

 

Resposta A separação das componentes ?arrumaria? o mar tornando-o incrivelmente organizado ! As ondas teriam aspecto extremamente regular com períodos (e, logo, comprimentos) longos e cristas bem extensas, como que se tivessem sido produzidas por uma máquina!

 

Além disso, as ondas tenderiam a vir em séries super bem definidas, com intervalos de ?calmaria? entre séries igualmente bem marcados…

 

Isso tudo graças ao fenômeno da dispersão. Com certeza uma condição oceânica assim ofereceria a possibilidade de ondas épicas na costa…  mas não podemos esquecer que ainda estamos em alto mar… para chegar a costa e quebrar lá no rasinho, as ondas ainda têm de passar sobre a Plataforma Continental que margeia a borda dos continentes.

 

Nessa passagem elas certamente vão ser afetadas pelo fundo e muita coisa ainda pode (e vai !) acontecer… mas isso é assunto para o futuro.

A galera, com certeza, deve estar se perguntando onde encontrar condições assim… O mapa de períodos de pico do modelo de ondas sugere que as costas Oeste dos continentes estão melhor posicionadas que as costas Leste para receber ondulações longínquas devido ao fato de que essas ondas tem a tendência de vir mais do quadrante Oeste do que do Leste… [Porque? …Tudo tem sua explicação… mas isso vai ficar para outra oportunidade também…].

Existem várias regiões costeiras no mundo onde ondas assim podem ser encontradas e, com certeza, todas elas tem altas ondas pra surfar ! Abaixo estão duas fotos de ondulações chegando à costa na Indonésia que é uma das regiões mais favoráveis da Terra (mas não a única…) para receber ondulações longínquas, no caso, as constantes e poderosas ondulações geradas por tempestades no sul do Índico e que tem de cruzar cerca de 7 a 8 mil km de oceano para chegar à costa de Java, Bali, Sumatra, Ilhas Mentawai, etc…

 

 

Indonésia com período longo. Foto: Reprodução.

Notem ao lado as fotos do swell do Oceano Índico chegando à costa da Indonésia. Observar o enorme comprimento de onda (distância entre cristas da série), indicando que o período do swell é igualmente longo (provavelmente da ordem de 20 s)

 

Essa história toda deve ter atiçado a galera para ir a praia na esperança de encontrar um swell longinquo quebrando no seu pico, mas…

 

? Será que o nosso Brasil tem ondas assim ? 

 

? Como é o ?clima de ondas? da nossa costa ?
… Assuntos para outros textos não faltam…  Por enquanto, vamos ficando por aqui.

 

Comprimento das ondas na Indonésia indica período da ordem de 20 segundos. Foto: Reprodução.

Prof. Eloi Melo, Ph.D. –  Setembro / 2007

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    A próxima chamada do MEO Rip Curl Pro Portugal está marcada para esta terça-feira (20) às 3h45 da manhã (de Brasília). Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30 Filipe Toledo (BRA)3 – Italo Ferreira (BRA) 15.00 x 10.43 Jack Robinson (AUS)4 – Guilherme Ribeiro (POR) 10.33 x 5.00 Kanoa Igarashi (JAP)5 – Yago Dora (BRA) 13.66 x 11.67 Connor O’Leary (JAP)6 – Ethan Ewing (AUS) 15.73 x 11.17 Frederico Morais (POR)7 – Seth Moniz (HAV) 12.80 x 12.60 Miguel Pupo (BRA)8 – Griffin Colapinto (EUA) 17.17 x 13.27 Kauli Vaast (FRA) Quartas de final 1 – Morgan Cibilic (AUS) x Gabriel Medina (BRA)2 – Italo Ferreira (BRA) x Guilherme Ribeiro (POR)3 – Yago Dora (BRA) x Ethan Ewing (AUS)4 – Seth Moniz (HAV) x Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 11.33 x 3.53 Luana Silva (BRA)2 – Francisca Veselko (POR) 8.54 x 7.90 Sawyer Lindblad (EUA)3 – Caitlin Simmers (EUA) 14.16 x 7.93 Nadia Erostarbe (ESP)4 – Carissa Moore (HAV) 12.33 x 6.76 Johanne Defay (FRA)5 – Teresa Bonvalot (POR) 11.40 x 10.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Lakey Peterson (EUA) 11.17 x 7.10 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 15.74 x 11.10 Yolanda Hopkins (POR)8 – Erin Brooks (CAN) 12.50 x 7.27 Tyler Wright (AUS) Quartas de final 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 7.43 x 7.34 Francisca Veselko (POR)2 – Caitlin Simmers (EUA) 11.50 x 8.93 Carissa Moore (HAV)3 – Teresa Bonvalot (POR) x Lakey Peterson (EUA)4 – Molly Picklum (AUS) x Erin Brooks (CAN)

    Próxima chamada para o MEO Rip Curl Pro Portugal em Peniche acontece nesta terça-feira (20) às 3h45 da manhã (de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates em nosso fórum.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.