Onda de tecnologia em Oahu

O surf cresceu muito rápido durante os últimos anos. Esporte que antigamente era praticado apenas por uma minoria e, que de certa forma já foi até discriminado, hoje em dia tornou-se uma atividade bem vista, o que faz aumentar drasticamente a cada dia o número de adeptos.

 

Ao mesmo tempo, isso faz o problema do crowd ser uma séria realidade. A  tendência é que o crowd não diminua nunca.

 

Pelo contrário, deve aumentar cada vez mais, pois verdade seja dita, quem tem ou teve a oportunidade de deslizar uma vez sobre as ondas, nunca  mais esquece a sensação e fica querendo sempre mais.

 

De prancha, de bodyboard, de peito ou de longboard, o prazer é grande e por isso cada vez mais temos mais gente no line-up à espera daquela onda perfeita.

 

Sempre achei que a solução para o crowd estaria na criação de fundos artificiais e nas piscinas de ondas. Claro que para isso é preciso muito dinheiro envolvido.

 

No caso dos fundos artificiais, além do investimento financeiro também são necessários muitos estudos para avaliar o ambiental, além de ser igualmente preciso a aprovação do governo, tornando essa opção ainda mais complicada e bastante burocrática.

 

Mas, sem dúvida, trata-se de uma ótima opção. Se pudéssemos transformar uma praia em picos de altas ondas, aumentaria o número de áreas para a prática do esporte e, teoricamente, haveria diminuição do número de praticantes nos locais de ondas boas.
          
Investir em piscinas com ondas também é uma boa solução, pois o surf depende muito das condições da natureza, fatores como direção e intensidade do vento, maré, direção da ondulação, formação de fundos e tamanho das ondas, tudo essencial para a formação de ondas boas. 
          
Numa piscina, a maioria dessas condições não faria a menor diferença, pois a onda vai estar sempre ali, quebrando do mesmo jeito, geralmente no mesmo lugar. Outro fator que também pode agradar muita gente, principalmente aqueles que não conseguem ou têm dificuldades para disputar ondas no meio do crowd.

 

É que geralmente nas piscinas existe uma fila e todos têm sua vez, o que torna a atividade um pouco mais disciplinada e agradável. As piscinas também levam uma outra vantagem em relação aos fundos artificiais: podem ser  implantadas em cidades sem praias.
            
Imagino que  uma piscina em Brasília, Belo Horizonte ou qualquer outro lugar distante da praia seria sem bem-vinda, daria a oportunidade de muitas pessoas que apreciam o esporte, mas não praticam pois não têm onde surfar.

 

Mesmo assim, uma piscina no Rio, Floripa ou em qualquer outro lugar que dá onda também não seria uma má idéia para os dias de flat ou de vento forte. Uma sessãozinha na piscina não seria nada mal.
            
Nunca imaginei que seria necessário construir uma piscina de ondas no Hawaii, ou até mesmo que algum dia existiria esse lugar, principalmente na ilha de Oahu, onde tem surf o ano inteiro, ao Norte, Sul, Oeste ou Leste da ilha.

 

Clique aqui para ver a galeria de fotos do Hawaiian Waters Adventure Park.

 

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Mas parece que os diretores do Hawaiian Waters Adventure Park, localizado em Kapolei, não se preocuparam com isso, pois investiram cerca  de US$ 1 milhão na nova aquisição do parque, uma piscina de onda no modelo “flowride”. A princípio, achei a idéia totalmente desnecessária e até mesmo meio sem graça.

 

A forma da piscina me parecia simples demais, mas de qualquer forma, confesso que não hesitei em comparecer à inauguração do novo “brinquedo”, que aconteceu no último sábado, 21 de maio, quando a imprensa especializada, bem como alguns convidados ilustres, se reuniu para ver vários surfistas profissionais e amadores da ilha nessa primeira experiência.

 

Os primeiros a se apresentar foram alguns dos salva-vidas que trabalham e mantém a segurança aquática do parque, dois surfistas e uma bodyboarder.

 

Todos já tinham tido oportunidade de testar suas habilidades na máquina e se mostraram bem à vontade, dando para perceber que alem do quesito “habilidade”, quanto mais tempo tiver de prática, melhor a performance.
            
Depois destes três, foi a vez dos “pros” entrarem em ação. Love Hodel foi o primeiro e, de cara, tomou uma vaca feia, ou “linda”, se preferir. Depois dele, Ross Willams conseguiu ficar em pé numa boa. Fez o drop, ensaiou umas manobras, mas caiu logo depois.

 

Alguns bodyboarders entraram em ação, deixando claro que deitado é bem mais fácil.

Eles chegaram a fazer boas manobras, inclusive algumas piruetas diferentes.

 

E os que surfaram de dropknee mandaram muito bem. Depois disso, foi a vez dos  irmãos Florence, primeiro Nathan, que mostrou uma boa habilidade e intimidade, fazendo várias manobras e alguns 360s.

 

Depois dele, o menor Ivan, de apenas 8 anos, não ficou muito para trás, mostrando que também leva jeito. Mas, quando Jon Jon Florence, o mais velho dos irmãos, entrou em ação, mostrou que realmente será um dos maiores nomes do surf no futuro.

 

O moleque é mesmo um fenômeno, seja nas marolas em frente de sua casa no Ehukai Beach Park, no Backdoor, Pipeline ou na piscininha de ondas, ele quebra. Dropou de lado, chegou na base e saiu fazendo todo tipo de manobra, espalhando água pra tudo que é lado, tanto para a direita quanto para a esquerda. Ele deu vários tail slides 360… um verdadeiro show que arrancou aplausos de todos.
           
Bonga Perkings também mostrou muita habilidade, apesar de estar surfando com uma prancha que mais parecia uma mistura de snowboard com skate, bem fina, quase reta e sem quilhas, totalmente diferente dos longboards que costuma usar. Mas nem por isso ele deixou de dar o seu showzinho.

 

A cada minuto que passava aumentava a fila para surfar. Alguns freesurfers também se arriscavam no meio dos pros e dava para perceber que, independente do nível de surf, a brincadeira não era tão fácil como aparenta.

 

Eu consegui uma credencial para surfar. Mas, preferi ficar por trás da câmera para me divertir com as vacas que rolavam sem parar, em vez de pagar um mico na frente de todos quando vi caras como Joel Centeio, Sean Moody, Rocky Cannon e TJ Baron mal conseguirem ficar em pé direito.

 

Mas com certeza vou tentar minha sorte no “brinquedo” em breve, já que a piscina estará aberta ao público durante esse verão.

 

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