
Pergunte a qualquer sommelier (especialista em vinhos) se ele já ouviu falar a respeito de Margaret River.
Certamente a resposta será sim. Faça a mesma pergunta a qualquer surfista do mundo que se preze e sem sombra de dúvidas você também escutará sim.
Pequena cidade pitoresca localizada no oeste australiano, Margaret River mistura o requinte dos vinhos internacionalmente famosos com o “power” das ondas que quebram em seus reef-breaks.
Tanto a indústria vinícola quanto o surf começaram a fazer parte da rotina e economia

da cidade na década de 60. Atualmente, além das cavernas, estas são as grandes atrações do local e garantem um enorme fluxo de turistas e surfistas para a região.
Vinhos
O clima definido como Mediterrânico, com pequenas variações de temperatura, chuvas escassas de outubro a abril, relevo repleto de vales e solo superpermeável faz com que as uvas cresçam com qualidade e sabor.
Obviamente, estas uvas originam vinhos premiados mundialmente. Chardonnays, Cabenet Savignon, Shiraz, Merlots e muitos outros são produzidos na região, que produz

cerca de 20% dos vinhos australianos premiados internacionalmente.
Eventualmente, quando o mar estiver “flat” (fato raro na costa oeste australiana), um tour pelas dezenas de vinícolas é uma ótima opção. Prepare-se para se embriagar em altíssimo nível.
Surfando os reefs
Reefs, points e beach-breaks são encontrados nesta pequena faixa compreendida entre Cape Naturaliste e Cape Leeuwin. Ao todo são mais de 75 picos.
Sem sombra de dúvidas a cidade de Margaret River e seus reefs são os mais conhecidos de todos. Não e à toa que há 21 anos o Salomon Masters, etapa 6 estrelas do WQS, acontece no local.
A história de MR no surf competição é recheada de momentos memoráveis na década de 80, com Tom Carroll dominando o pico por três anos. Em 1990, Tom Curren surfou ondas de 15 pés sólidos e em 2004 Neco Padaratz destruiu as ondas, com Raoni Monteiro em segundo.
Os grandes “swells” chegam aos reefs de Margaret River após grandes movimentações de terra no oceano, mais precisamente a mil km ao sul de Cape Leeuwin. As ondulações formadas marcham em direção ao continente até chocar-se com os reefs.
O resultado é uma das mais consistentes e espetaculares ondas já vista em qualquer lugar do mundo. Quando isso acontece, “Main Break” (o pico principal de Marga) separa os corajosos dos reles mortais. É preciso ter disposição para remar ao outside.
A atmosfera das praias acima é espetacular. A água transparente do Oceano Índico, locais amistosos e dias ensolarados proporcionam um pôr-do-sol incrível. Imagine apos uma alucinante sessão de surf, o sol se pondo no mar, todos tomando uma cervejinha e curtindo o visual. Isso aconteceu praticamente todos os dias que permaneci em Margaret.
Para aqueles que não se sentirem à vontade no “Main Break”, num raio de 30 km ao sul ou norte as opções são infinitas. Mas não pense que a qualidade ou a dificuldade diminui. Ondas como North Point, Guillotines, Supertubes e Yallingup estarão esperando para levá-lo ao limite do seu surf.
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Picos da região
Em Margaret River há ondas para todos os gostos, agradando deste os iniciantes até profissionais. Podemos destacar seis picos de surf:
The Box: Pesada direita tubular sobre um reef bastante raso. Raramente tem “crowd” e o risco de sair com alguns arranhões é grande. Um tubo em The Box é inesquecível.
Margaret River Mouth: Direitas e esquerdas num beach-break perfeito. Excelente para iniciantes.
Margarets Main Break (surfers point):

Internacionalmente famosa. Quase diariamente é possível surfar neste reef. Se Main Break não estiver quebrando, South Side (o lado esquerdo do reef) estará. A onda é pesada e extremamente fotogênica. Tubos, manobras radicais, tudo é possível nesta onda. Mas nunca é demais avisar: não vacile, pois o caldo nos dias grandes é “animal”.
Margarets Boomie: Este outer reef começa a funcionar quando o swell passa de 6 pés. Uma onda perfeita e de tubos insanos. O reef fica a 400m da praia, mas a remada vale a pena. Definitivamente, esta onda é para surfista experientes.

Grunters: Direita super longa que funciona com swell acima de 6 pés. Esta onda é completa e você pode fazer tudo que imaginar. Lembre-se que é um reef, portanto qualquer vacilo pode machucar.
Gas Bay: Existe um reef onde os tubos são alucinantes, mas as ondas do beach-break também fazem a cabeça. Ótima opção quando Main Break está lotado.
Além destas ondas, que podem ser exploradas sem carro caso você esteja hospedado na praia de Margaret River, existem diversas outras opções na região. Esta parte do West Australia é realmente abençoada.
Como chegar
A cidade de Margaret River está localizada a 275 km ao sul de Perth. O jeito mais fácil, após chegar ao aeroporto de Perth, é alugar um carro e se mandar pela South Western Hwy até Bunbury, depois siga pela Bussell Hwy em direção a Marga. Caso não queira alugar um carro, pegue uma van do aeroporto até o “Bus Port” e de lá um ônibus para Margaret River. Os ônibus saem diariamente às 13:15 hs e levam cinco horas até a cidade Margaret River.
Acomodação
Como o centro da cidade de Margaret River fica a 11 km da costa e o seu objetivo principal são as ondas e não os vinhos, a melhor opção é se hospedar ao lado da praia. Minha sugestão é o Surfpoint Resort (surfpoint.com.au).
Este é indiscutivelmente o melhor custo-benefício da cidade, pois além de excelentes instalações, ele oferece os melhores preços, possui traslado grátis para a cidade e ótima localização.
Em menos de 20 minutos de caminhada você estará nos melhores picos, como Main Break, South Side, The Box e Gas Bay. Ah, em tempo: surfistas brasileiros têm preços especiais!
Confira mais fotos de Margaret River.
Dica do autor
Se vier para a Austrália, não deixe de conhecer o resto de West OZ. Margaret River é apenas um pedacinho deste paraíso de ondas.