O renascimento do mercado carioca

Segundo a história do surf brasileiro, foi na cidade do Rio de Janeiro que o esporte deu seus primeiros passos sobre uma prancha. A partir da década de 50, no Arpoador, alguns locais começaram a surfar e boa parte dos jovens do local e bairros próximos foi influenciada.

 

Porém, as informações para o seu desenvolvimento eram precárias, pois ainda não existia um intercâmbio com surfistas de outros locais e publicações especializadas, como a Surfer, raramente chegavam às bancas – e quando encontradas, eram vendidas a preços exorbitantes.

 

A única maneira de conhecer o que existia além das fronteiras era viajando para coletar dados e passar para os amigos. Além das revistas, uma nova febre chegou à cidade.

 

Um local da Califórnia chamado Duke Boyd, cansado de surfar com o mesmo calção que lhe machucava, pediu a uma amiga para desenhar um modelo funcional para surfistas. Assim nascia a marca Hang Ten.

 

Assim que chegaram as bermudas se tornaram marca registrada da galera, todos usavam os boardshorts e as camisetas com o logotipo dos dois pezinhos. Com isso uma nova fase surgiu, fazendo com que alguns visionários criassem suas próprias marcas e semeando o que viria a ser o mercado carioca de surfwear.

 

Uma das primeiras foi a Waimea, que realizou campeonatos válidos pelo circuito mundial  da extinta IPS (International Professional Surfers), no Arpoador, com a presença de mitos Gerry Lopez e Cheyne Horan, além dos brasileiros Pepê Lopes, Daniel Friedman, entre outros.

 

No início da década de 70,  Vitor Vasconcellos inicia a fabricação de pranchas
com o nome de Vickstick. Alguns anos depois, Pedro Bataglin (atual shaper
da Rusty) também dá início a uma nova empresa que se chamava  Hot Dog.

 

Os dois começam um novo capítulo no mercado brasileiro, criando na década de
80 uma das maiores empresas fabricante de pranchas, a famosa  Hot Stick.

Com um novo logotipo e com produtos de alta qualidade, a empresa, além
de fabricar pranchas, também inicia a confecção de roupas se tornando uma
das líderes de mercado.

 

O surf brasileiro estava saindo de uma fase decadente e seu verdadeiro crescimento se deu na década de 80, período em que foi criada a Cristal Graffiti, que posteriormente se tornou uma das maiores empresas do país. Em 83, surgiu um tênis que chamou a atenção de toda a juventude pelo seu estilo despojado. Seu nome? Redley.
 
Com um estilo completamente diferente de tudo que existia no segmento, a empresa cresceu e se tornou líder do mercado, investindo forte no marketing com uma equipe com grandes atletas, principalmente no surfe e bodyboard.

 

Outro empresário que estava realmente à frente de seu tempo foi o carioca Roberto Valério, proprietário da Cyclone. Sua equipe era formada por atletas como Peterson Rosa e Vitor Ribas, atuais tops do circuito mundial. Nove entre 10 surfistas usavam suas bermudas, fazendo com que a marca se tornasse uma das melhores confecções, até o falecimento de Valério, em 94.

 

Com as sucessivas mudanças de planos econômicos dos governos, alta do dólar e inflação, acontece o inevitável: várias empresas cancelaram campeonatos, atletas foram demitidos e ficou impossível manter os lucros com tantas crises. Com o surgimento do plano Real, veio a estabilidade e com ela os empresários voltaram a investir.

 

Um bom exemplo disso é a rede de lojas carioca Jamf, há 14 anos no mercado e que passou por várias oscilações econômicas. Atualmente com oito lojas, a rede se tornou a maior distribuidora de marcas do Estado, e nos últimos anos passou por uma grande revitalização, desde seu logotipo até o visual das lojas.

 

A empresa inclusive possui um Centro de Treinamento, além de realizar o Circuito Jamf Nova Geração, com quatro etapas válidas pelo circuito amador carioca. Outro sinal positivo de investimento no Estado foi a fusão de várias lojas que fazem parte de um mesmo espaço, intitulado “Surf Gallery”, no shopping New York City Center, na Barra da Tijuca. O “pool” de lojas inclui a 2Surf, Quiksilver Board Riders, Hot Buttered, entre outras.

 

Edgard Arruda, proprietário da 2Surf, está no mercado há três anos e possui um total de três lojas, todas situadas no mesmo bairro. Investindo nas etapas da federação carioca e patrocinando atletas, ele também apóia uma escola de surf.

 

“O Rio sempre será a capital do surf, e sempre tive vontade de começar um trabalho, era um desafio, uma vez que a cidade dita moda da maneira mais descontraída e natural. E trabalhar com multimarcas tinha que dar certo, o cliente entra na loja e tem uma variedade de opções”, explica.

 

Mais um empresário que apostou no mercado carioca é Zé Ricardo. Rica, como é mais conhecido, é proprietário da Multisurf, em Ipanema.

 

De acordo com ele, no mercado há oito anos, o conhecimento de mercado e a própria carência de lojas desse nível foram os principais motivos que o levaram a montar uma loja no Rio de Janeiro.

 

“Estou com a Multisurf há aproximadamente quatro anos e conheço bem o mercado. Porém, um dos principais obstáculos é o alto custo de uma boa localização”, diz Rica, que patrocina Marcelo Trekinho, atleta da elite do SuperSurf.

 

Segundo o Sindicato dos Lojistas, esse número tende a aumentar, pois os pedidos de informação para abertura de lojas são grandes. E segundo estatísticas do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), boa parte dos futuros empresários que freqüentam os cursos e palestras é composta de empresários do ramo de surfwear e/ou artigos esportivos.

 

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