Pipe Masters

O milagre de Dusty

Depois de tubaço no Backdoor, Dusty Payne comemora com a galera do Hawaii. Foto: © ASP / Kirstin.

O usuário Leandro de Carvalho é leitor assíduo das colunas de Sidão Tenucci. Talvez por isso tenha desenvolvido o hábito de escrever legal. E um de seus textos foi parar justamente na caixa-postal de nosso ilustre colunista, que por sua vez enviou o texto à redação. Leandro, foi mal ter embaçado a publicação, pois final de ano é sempre muito corrido na Waves. Mas, antes tarde do que nunca e finalmente publicamos o seu relato maneiro sobre a vitória de Dusty Payne sobre Mick Fanning no Pipe Masters.

 

Tive um dia muito puxado no trabalho (como sempre). Para melhorar, a adrenalina estava à milhão, pois tem swell à vista e todo mundo sabe que swell de verão passa rápido, como a chuva.

Talvez eu seja sortudo por trabalhar perto do mar. Porém, quando se está abarrotado de trabalho, a vontade mesmo é só de surfar e não de ficar admirando o mar, não é verdade?

 

O dia foi passou e a previsão se confirmou. Dava para perceber a ondulação encostando e o vento não soprava tão forte. Bom sinal. Enfim, o relógio bateu 17 horas e desliguei o sistema para me mandar à praia.

 

A água estava maravilhosa, como nos últimos dias, quente e muito clara. Rolavam boas ondas no meio, mas preferi dar uma investida na laje. Decisão acertada, porque quando a laje quebra, duas ondas já valem por um dia inteiro de surf na praia toda.

 

Peguei cinco ondas e ainda fiz uma queda no beach break, nada demais, porém o mergulho, a remada e as boas ondas sempre salvam o dia.

 

Mas não fiz este texto somente para falar do meu surf depois do trabalho. Quero relatar o que aconteceu depois da session. Cheguei em casa na fissura para assistir o Pipe Masters e fui direto ligar o computador.

 

Quando conectei no site do evento estava rolando a bateria do Mick Fanning x Dusty Payne. Dei uma olhada rapidamente e não sabia que estava desviando a atenção para o que seria a melhor bateria do ano, segundo os comentaristas gringos da Triple Crown.

 

O confronto estava a seis minutos do final e Dusty Payne (atleta local) estava na combinação, precisando de 17.95 pontos, pensei comigo “perdeu” e fui olhar os resultados para saber se os brasileiros tinham ido bem.

 

Foi quando para minha surpresa, e de todos que estavam assistindo ao evento, que aos três minutos do final o garoto havaiano pegou uma bomba para Backdoor e saiu limpo na baforada para arrancar 9.00 pontos dos juízes.

 

Muita coisa estava em jogo, além de fazer a mala de Mick Fanning e seguir vivo no evento, Dusty queria mesmo passar aquela fase para garantir sua vaga na elite do WT em 2011.

 

Ainda nem tinha dado tempo de digerir o resultado dos nossos guerreiros brazucas e o “moleque loiro” da Volcom roubava minha atenção para aquela disputa incrível. Depois da nota 9.00 o rapaz passou a precisar de 8.95 pontos para conseguir a virada, porém o tempo era o seu inimigo nesta hora, o mar virou uma piscina e Mick estava ali aparentando tranquilidade e consciente de que tinha feito seu trabalho.

 

Dusty por outro lado estava tenso, socava a água como um protesto radical contra o oceano que não mandava uma onda pra ele, foi aí que, a 42 segundos do fim, surge uma onda limpa, salvadora e o cara vem na morra novamente para Backdoor, entuba com classe e sai comemorando com toda a galera da Volcom House e do Hawaii mesmo  sem saber o resultado.

 

Dusty Payne consegue um merecido 9.87 pontos e assume a primeira posição, elimina Mick Fanning, carimba seu passaporte para a elite ano que vem, deixa a Volcom House feliz e ajuda Joel Parkinson na defesa do titulo da Triple Crown.

 

Acho que nem mesmo ele sabia de tantos feitos em uma só vitória, foi realmente um show e Dusty mereceu os pontos. Estou certo que nós brasileiros não simpatizamos muito com ele pelas besteiras que falou sobre a nossa terra adorada, mas isso que é bom no surf, não importa o time que ganha e sim o espetáculo proporcionado.

 

Fonte FreeSurfer

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.