Por trás das notas

O campeão não quer entregar a coroa

Depois de quatro etapas realizadas, o circuito mundial de surfe profissional continua sob o reinado do atual campeão mundial, o havaiano Andy Irons.

Com duas vitórias neste começo de ano, o campeão está mostrando estar em impecável forma e sintonizado com o atual critério de julgamento: mesclar modernidade, força e experiência em ondas pesadas e tubulares.

 

Vi Andy surfando pela primeira vez no mundial amador da Barra da Tijuca, em 94, e deu para sentir que ele tinha muito talento, apesar da inevitável comparação com seu irmão mais novo, Bruce, que parecia ser ainda mais talentoso.

 

Alguns invernos havaianos depois, o garoto do Kauai cresceu, moldou seu estilo e seu surfe ganhou linhas mais longas, para se adaptar às ondas grandes e volumosas do Hawaii.

 

Sua regularidade tem sido impressionante, o que comprova a harmonia entre preparo físico e psicológico. Andy é do tipo que se acha melhor que os outros e nada o abala, ainda mais depois de seu primeiro título mundial. Com este começo de ano, vai ser muito difícil outro surfista, fora Kelly Slater, fazer frente ao atual campeão do mundo.

 

Os brasileiros continuam irregulares, mas o resultado de Danilo Costa no Tahiti foi excepcional. E não aconteceu por acaso, foram anos de investimento e horas de treinamento para conseguir um pódio em Teahupoo.

 

Quem viu as imagens do evento sentiu que Danilo surfava com maestria, entubando em pé, com estilo e uma tranqüilidade de quem conhece o pico e suas variações. Ele não competiu no Fiji devido a uma contusão no pé, e está em tratamento para voltar na próxima etapa, no Japão.

 

Entre os outros brasileiros, apenas Paulo Moura vem mostrando melhora este ano. Ele é o melhor colocado no momento, e sua performance no Tahiti comprovou que conhecer a onda é o melhor caminho para as vitórias. Peterson também está regular e mostrando que pode a qualquer momento fazer um pódio.

 

O Neco pode subir no ranking nas próximas etapas, pois já tem dois bons resultados e descarta um zero. O Herdy mostrou que mereceu ser convidado devido à contusão no ano passado e está entre os 28 primeiros do ranking.

 

Na próxima etapa no Japão, temos todas as condições de recuperar posições, pois as ondas japonesas sempre ajudaram os brasileiros, e podem ser o ponto de partida para a reação brasileira. Boa sorte e boas ondas.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.