História de pescador

O atum que mudou o surf

Na década de 60, o surfe viveu uma das principais mudanças de paradigma de sua história: o surgimento das mini-models. O que muita gente não sabe é que um dos principais responsáveis pelo feito foi um atum.

 

Durante uma pescaria em Alexandra Headland, Austrália, 1964, depois de tirar o peixe da água, um surfista exótico chamado George Greenough apreciou o formato de sua calda e profetizou que aquilo seria o futuro das quilhas das pranchas de surf.

 

Naquela época, quando os longboards dominavam o cenário e as quilhas eram do tipo bolina, Greenough era completamente fora dos padrões. Surfava ajoelhado com pequenas pranchas e a dificuldade de remar era grande, compensada pelo tempo que permanecia dentro dos tubos.

 

Amigo de Greenough e que veio a se tornar uma das maiores lendas do surf, Bob McTavish passou a experimentar novos formatos de quilha e a reduzir o tamanho das pranchas, o que foi testado e aprovado por Nat Young, Wayne Lynch e depois pelo resto do mundo até hoje.

 

A cena do atum, uma das sementes desta mudança, foi presenciada por McTavish, que a pedido do fotógrafo Jair Bortoleto a reproduziu em desenho exclusivamente para a II Santos Surf-Art, evento que rolou em janeiro deste ano no Museu do Surf em Santos (SP).

 

Parte da importância histórica e cultural da peça que integra um acervo público no Brasil está no fato de que, antes disso, o lendário shaper só havia participado de uma exposição no Museu do Surf de Huntington Beach, Califórnia, nos anos 90.

 

Bortoleto, que faz suas próprias pranchas, inspirou-se com o desenho. Concebeu um modelo com influências dos 60 e utilizou uma quilha igual a de Greenough para vivenciar algo parecido com os primeiros passos daquela histórica mudança de rumo.

 

O projeto da prancha teve incentivo cultural da Natural Art e conquistou apoio da indústria local. A laminação foi feita na Over Reef e o shape, com bloco Ocean King, foi desbastado à mão na Surforme Warehouse, que disponibiliza completa infra-estrutura para shapers autônomos.

 

Clique no player ao lado e veja imagens inéditas do desenho de Bob McTavish, da produção da prancha e do test-drive feito por Bortoleto.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.