Novos caminhos para o surf profissional

Com o objetivo de resgatar a regularidade de competições profissionais nos mais diversos estados, peço aos atletas profissionais e interessados que reflitam para o atual quadro do surfe brasileiro.

 

Para um público aproximado de dois milhões e meio de praticantes, reservamos uma parcela muito pequena do dinheiro das premiações para algo em torno de 150 profissionais que correm o Super Trials (segunda divisão do surf).

 

Provavelmente, o número de profissionais no Brasil é bem superior.

De qualquer maneira, esse número cai para menos da metade, com relação aos que competem no Super Surf (primeira divisão). Quer dizer, os melhores surfistas do Brasil, a elite do surf brasileiro é integrada por algo em torno de 60 surfistas profissionais.

 

Pois bem, este circuito – menina dos olhos do surf brasileiro – é composto por cinco etapas, dando uma média aproximada de dois meses e uma semana para cada evento.

 

O SuperTrials, divisão de acesso ao SuperSurf, supostamente tido como o eventos estaduais, onde compete a grande maioria dos surfistas no Brasil, está praticamente deixado em segundo plano.

 

As etapas simplesmente não existem, e quando acontecem são uma guerra de foices entre os melhores do Brasil, eliminando praticamente as chances de um atleta regional sem patrocínio pontuar no seu estado.

 

Entre outras coisas, a Abrasp, em concordância com o conselho de surfistas (para o qual reservo um parágrafo a parte), chegou a me dizer que campeonatos como os universitários, chegam a espantar patrocinadores em potencial, pois se tem surfistas pros em competições de custo inferior, para que patrocinar eventos profissionais com um custo extremamente superior?

 

Por isso, foram implantadas medidas para proibir surfista profissional competir nos universitários representando uma faculdade.

 

Vale lembrar que uma faculdade tanto pode ser representada por surfistas profissionais quanto por amadores.

 

A falta de competência deve ser dissociada da ideológica. Esta deve prevalecer em prol da evolução do surf profissional no País.

Esse quadro dá margem para a seguinte análise: amanhã, Flávio Padaratz, Fábio Gouveia ou Renan Rocha recebem proposta de bolsa e salário de uma faculdade para representá-la em eventos universitários, mas, mesmo se quiserem, não vão poder aceitar. A regra nova proibe.

 

Em outras palavras, isso é o mesmo que incitar o surfista profissional que quer estudar e continuar competindo profissionalmente a não entrar numa faculdade.

 

Por outro lado, me foi proposta a inclusão da categoria profissional nos universitários.

Mas, aí, começo a fugir daquilo que me proponho.

 

A Abrasp deveria fomentar o surf profissional dentro de cada estado litorâneo. Para tanto, deveria eliminar o SuperTrials do calendário.

 

O SuperSurf deveria ser mantido. Mas, para ingressá-lo, somente os melhores de cada estado. Ou seja, seria criada uma maneira de estabelecer o número de atletas de cada Estado, uma vez que este irá compor uma forma mista de representantes.

 

Por exemplo, SP, RJ, SC, PE poderão ter oito representantes; RS, CE, PB, PR, RS, quatro, e PI, PA, MA, AP, ES, AL, SE, RN, dois.

Desta forma, seria estabelecida a divisão de acesso, que juntamente com mais quatro convidados e mais os tops 16 do SuperSurf do ano anterior, seria formalizada a elite do surf profissional brasileiro.

 

É importante dizer que, justamente por ser uma medida para o fomento do surf profissional dentro de cada estado, os circuitos estaduais não poderiam ser abertos aos atletas de outras regiões.

 

Mas poderiam ser homologados pro/am, sem chance de prêmios em dinheiro para amadores. A medida se justificaria pelo fato de o surfista não ter que viajar para um lugar tão longe, diminuindo custos menores de premiações, oferecendo em contrapartida maior chance de premiação em dinheiro para retardatários.

 

Ou seja, um campeonato profissional estadual poderia variar em graduações, como 1A, 2A, 3A, de acordo com o mínimo oferecido em premiação, como, R$ 8 mil, R$ 10 mil etc.

 

Assim, haveria um resgate do surfe em cada região. Seria muito mais fácil fechar patrocinadores, pois com as premiações ligeiramente reduzidas, mais eventos poderiam ocorrer, com circuitos estaduais de cinco etapas (e não três), revelações surgiriam mais rapidamente, associações estaduais dadas como mortas ressuscitariam…
 
Quanto ao conselho de surfistas profissionais do SuperSurf, não sei exatamente quem são, mas da mesma forma que eles estão defendendo seus interesses junto à Abrasp neste circuito, posso falar que um conselho parecido surgiu, numa tal de Liga Paulista de Surf Profissional recentemente, e numa analogia ao atual quadro político anti-ideológico de nosso país, vemos tais representantes – como uma câmara legislativa, em maioria, quando não em sua totalidade, defender interesses internos de uma camada elitizada (como as antigas oligarquias), centralizada em meros 60 surfistas profissionais, no caso do SuperSurf.

 

Está faltanto representatividade do povo (o resto dos surfistas profissionais). Cadê nossos representantes? Estamos sem competições profissionais estaduais, no caso, SuperTrials!

 

Nossos representantes (vereadores) exigem premiações altas (como se fossem seus salários garantidos para mais um mandato), mas se esquecem de que eles entram na fase da premiação em dinheiro ou uma antes, quando o trialista tem que passar umas cinco fases.

 

Eles não aceitam eventos estaduais que premiem R$ 8 mil divididos com 16 surfistas.

 

Isso é graduação, não significa que o circuito todo seria assim.

 

Ademais, tem surfistas que já não sabem qual circuito devem centrar suas energias para o coroamento de um título. Há aqueles com bons patrocínios, que se não estão no WCT, ora estão no WQS ou ora no SuperSurf.

 

Para quê ficar correndo estaduais nas regiões vizinhas, dificultando a chance de surfistas locais sem patrocínios obter prêmios em dinheiro, e ainda ficar reclamando que querem premiações mais altas, se ainda não conseguem nem unificar os títulos que se propuseram a disputar?

 

Está faltando visão e ética!

 

Por ora, proponho que o número de representantes do SuperTrials (se é que existe) seja dividido da seguinte maneira: 2/3 de trialistas contra 1/3 de tops, já que neste circuito temos sempre mais do que o dobro de top 58 competindo.

 

E, quando forem tomar decisões importantes, que sejam divulgadas as pautas através do site da associação, com pelo menos duas semanas de antecedência.
  
Para finalizar, estou pensando democraticamente, não vale elitizar/centralizar o circuito brasileiro. Devemos fomentar o surf profissional nos demais estados, principalmente massificar/popularizar cada vez mais nosso esporte e dar a oportunidade para o (res)surgimento de novas e velhas revelações.

 

Talvez não agrade a muitos, mas essa opinião expressa o sentimento de muitos trialistas.
 
Veja mais sobre o atleta Daniks Fischer no site www.daniksfischer.kit.net

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