Show na Indonésia

Nova geração mostra as armas

Thiago Camarão comanda show da nova geração nas direitas de Keramas, Indonésia. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Depois de alguns dias navegando pelas ilhas Mentawai, em Sumatra, não consegui esconder a alegria ao chegar em terra firme, principalmente ao chegar à ilha de Bali.

 

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Logo no primeiro dia, em Uluwatu, encontrei com vários brasileiros bem no fim de tarde, quando a maré vazia proporcionava melhores condições para o surf.

Apareceram no pico Thiago Camarão, Jerônimo Vargas, Yan Guimarães, Ricardinho da Guarda e Jessé Mendes, acompanhados pelos videomakers Paulo Tracco e Gustavo Camarão.

Pouco antes do pôr-do-sol, eles entraram com tudo dentro d’água e mostraram que, se depender deles, o futuro do surf brasileiro está garantido.

Yuri Soledade encontra o caminho da felicidade. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Os garotos simplesmente apresentaram um surf muito radical e moderno. Enquanto apreciava o surf e o belo pôr-do-sol,  um dos “warungs” no clife de Uluwatu, trocava uma idéia com alguns amigos e com o decorrer da conversa percebia que é impressionante como a galera que realmente gosta do surf faz praticamente de tudo para pegar onda, pois o surf é realmente uma coisa que vicia.
 
Aqui em Bali, há surfistas em todas as partes, e um dos assuntos e comentarios mais freqüente que se escuta é sobre o crowd dentro d’água. Ouvi dizer que alguns dias atrás havia cerca de 100 pessoas no outside de Bingin.

Em Uluwatu, o número de pessoas não chegava a tanto, mas os comentários eram sempre os mesmos: “que crowd, hein?”.

Depois disso, ouvi os relatos do pessoal que surfou em Desert Point no dia em que o mar tinha subido e a história não foi diferente – um crowd impossível com três a  quatro caras na mesma onda, discussões, palavrões, sem falar nas ameaças e brigas.
 
Sempre especulei que o futuro do surf estaria nos fundos artificiais e nas picinas de onda. Imaginava isso para um futuro distante, mas, diante das circunstâncias, acho que “demorou” para que esse tipo de coisa estivesse acontecendo com mais intensidade.

Sabe aqueles adesivos “Surfing Sucks”? Nunca achei muito legais, mas estou quase comprando um desses e colocando no meu carro, pois se o surf continuar a crescer como está crescendo, vai ficar uma loucura. Já está difícil, imagina daqui há algum tempo?!

Mesmo desanimados com o crowd em Bali, resolvemos tocar a bola pra frente e investimos num surf bem cedo no outro lado da ilha. Uma direita que ficou conhecida depois que o Jamie O’Brien apareceu surfando num dos segmentos de seu último filme. Keramas fica perto de Sanur. Apesar de parecer um beach breack, na verdade o fundo é de pedra.
 
Chegamos ao pico por volta das 8 horas da manhã. O surf nesta região tem de ser pela manhã, pois o vento maral geralmente entra cedo nesse lado da ilha. Para a nossa infelicidade, as ondas não estavam muito boas e o vento maral já estava querendo entrar.

 

Mesmo assim, para não perder a viagem, o surf acabou rolando, mas antes de entrar na água, um dos locais que estava na areia comentou que, por volta das 11 horas, o mar iria melhorar.

 

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Ricardo Santos pronto para sumir nas cortinas de Uluwatu. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Não acreditei muito, pois o cara não parecia ser surfista e era um dos donos do quiosque, então achei que ele estaria tentando fazer com que ficássemos por ali consumindo os produtos da sua birosca.

 

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Mas, com o passar do tempo, o vento em vez de aumentar como deveria acontecer, foi diminuindo e  até uma leve brisa de terral soprou por algum tempo. Exatamente por volta das 11 horas, as ondas pareciam totalmente diferentes com as que vimos quando chegamos.

 

Foi mais ou menos nessa hora que entrou uma das maiores e mais perfeitas ondas do dia. Thiago Camarão, que estava melhor posicionado, remou forte e, mesmo meio atrasado, tentou ficar de pé.

 

Yan Guimarães afia o backside em Keramas. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Porém, no momento em que tirou as mãos da borda, saiu voando lá de cima do lip e foi engolido por um tubo quadrado.

Essa foi a única onda que realmente rolou tubo. Todas as outras eram apenas uma longa parede, boa para manobras. Na água, havia apenas dois caras que não eram brasileiros.

 

Eles estavam com um fotógrafo da Oakley e um deles eu já conhecia do Kauai. Sei apenas o seu primeiro nome, Sebastian. Um moleque magrinho e loiro que estava quebrando de frontside.

O outro era o Pepe, local de Bali e representante da Oakley na Indonésia. Estava de camisa vermelha e sempre vinha nas melhores ondas, tinha um estilo alucinante, meio parecido com o do Luke Hitchings.

Eles surfaram por pouco tempo e depois saíram fora, deixando o pico só para a equipe brasileira, bem na hora em que as ondas melhoraram. Os brasileiros fizeram a festa dentro d’água. Ricardinho da Guarda, mesmo com febre, fazia um surf muito forte de backside e surfava com um estilo bem parecido com o de Mark Occhilupo.

Outros dois surfistas que também estavam quebrando de backside foram Yuri Soledade e Yan Guimarães. De frontside, um dos destaques foi a nova promessa do surf havaiano, Ian Gentil – que tem sangue brasileiro correndo nas veias e mostrou nitidamente ter evoluido depois de um treinamento intensivo nas Mentawaii.

O melhor surfista dentro d’água na minha opinião e de alguns outros foi Thiago Camarão, que fazia uma mistura de surf clássico com linhas bonitas, variando com umas manobras ultramodernas e radicais, deixando muita gente de boca aberta, inclusive o videomaker Gustavo Camarão, que ficou o tempo todo na areia filmando toda a caída.

Lembro também que, na hora em que eu etava surfando, o Camarão mandou um aéreo muito alto bem na minha frente e do Yuri Soledade e aterrissou em cima do lip.

 

Ficamos chocados não só com a altura, mas como ele não torceu o tornozelo naquela manobra? Parece que o garoto tem um pouco de borracha em seu DNA.

Depois de um tempo, o inevitável acabou acontecendo e tanto a maré como o vento mudaram, mas fomos embora de cabeça feita e eu particularmente havia aprendido mais uma coisa com aquela sessão de surf.

Independente da quantidade de surfistas no planeta, sempre vai haver um dia, um momento, uma caída, em que acabaremos tendo o privilégio de surfar apenas com alguns dos seus amigos na água, e na verdade serão esses momentos que vão deixá-lo cada vez mais apaixonado ou “viciado” por essa incrível atividade que, realmente, somente quem surfa consegue entender.

 

Por isso, tenho de voltar atrás e dizer que fica difícil, independente das circunstâncias, dizer que ?Surfing Sucks”. Isto seria hipocrisia, porque surfar é alucinante, certo? Tri makasi…

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