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Nova geração entra em cena

Nova geração de fotógrafos brasileiros movimenta Oahu. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Fedoca, Alberto Cação, Bruno Alves, Nelson Veiga, Flávio Vidigal, Motaury Porto, Sebastian Rojas, Nilton Barbosa e Dentinho são nomes de alguns renomados fotógrafos de surf que estavam no auge de suas carreiras quando eu comecei a surfar.
 
Depois surgiram Agobar Júnior, Nilton Baptista, Rick Werneck, Clemente Coutinho, Basílio Ruy, Nilton Santos e Fred Rosário – todos nomes bem conhecidos nos bastidores  das revistas de  surf .
 
Hoje em dia parece que virou moda ser fotógrafo de surf. Talvez o life style de praia e a atmosfera que cerca o mundo do surf têm atraído muita gente para esse meio.

Acho que mesmo que quisesse eu não conseguiria nomear todos os fotógrafos de surf que existem no Brasil hoje em dia.
 
Nesta temporada havaiana houve literalmente uma invasão da nova geração de fotógrafos brasileiros no North Shore. Nesta reportagem vocês conhecem alguns deles e um pouco do trabalho que fazem.
 
E, pelo que me pareceu, se depender desses novos talentos os fotógrafos de surf brasileiros estarão bem representados durante um bom tempo.

 

Confira entrevista com os fotógrafos Kalani Brito, Manoela D’Almeida, Julio Fonyat, Luiz Blanco, Tony D´Andrea, Gustavo Camarão, Pedro Tojal e Marianna Piccoli.

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Kalani Brito é fotógrafo desde os 14 anos. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Fale um pouco sobre você – idade, onde mora e o que faz na vida.

Meu nome é Kalani, tenho 25 anos, sou do Guarujá, cidade onde cresci e morei até os 18 anos. Logo depois fui morar na Costa Rica, onde fixei residência por quatro anos, trabalhando com fotografia, surfando e cursando faculdade de Hotelaria. Depois de concluir a universidade fui para o Rio de Janeiro, onde moro atualmente e que escolhi pelas ótimas condições de surf e fotografia, minhas duas paixões. Trabalhando como fotógrafo de surf, costumo fazer umas quatro viagens internacionais por ano, colaborando para a revista Fluir, Alma Surf e algumas revistas estrangeiras, bem como alguns sites, principalmente o Waves.

Há quanto tempo você é fotógrafo? Como aprendeu a fotografar e por que escolheu o surf?

Visual épico em Mentawaii. Foto: Kalani Brito.

Comecei a me dedicar à fotografia desde cedo. Com 14 anos fiz meu primeiro curso de fotografia com o Sebastian Rojas, que sempre me inspirou e me deu vários toques sobre fotografia de surf. Depois fiz outros cursos, mas a prática constante sempre foi muito importante para o aprendizado e aperfeiçoamento como fotógrafo. Meus pais são surfistas, comecei a surfar aos três anos e desde criança as fotos de surf dentro d’água me contagiam. Assim que sempre tive vontade de fotografar o mar, as ondas, o surf…

Como você vê e o que espera o mercado brasileiro de fotografia de surf?

É um mercado muito importante e em constante crescimento. Através da fotografia de surf, eternizamos momentos únicos, registrando a história do surf. Infelizmente ainda falta investimento por parte de patrocinadores e marcas que apóiem os fotógrafos de surf. Espero que essa nova geração de fotógrafos conquiste mais espaço e uma melhor remuneração para a nossa profissão.

Qual o equipamento que você usa atualmente? Por que o escolheu e como conseguiu a verba para comprá-lo?

Utilizo Canon, tenho uma câmera 40D, uma 20D e a caixa-estanque para elas, na qual eu uso três diferentes lentes – uma olho de peixe 15mm 2.8, a 50mm 1.4 e a 70-200mm 2.8. Para fotografar fora da água, uso uma teleobjetiva 400 mm 2.8, mais o tele converter 1.4x ou 2x. Escolhi esse equipamento pela ótima qualidade fotográfica obtida por ele, e foram longos anos de economia e trabalhos fotográficos com outros equipamentos inferiores até chegar a esse.

Por que e como veio parar no North Shore nesta temporada? Você está representando algum veículo especializado? Qual o destino do teu material?

Tinha planejado esta viagem desde o começo do ano, mas só em novembro confirmei minha vinda, com a ajuda da Nivana, que bancou minha passagem, e da revista Fluir, que alugou uma casa aqui no Hawaii e possibilitou minha estadia. Sempre encaminho o meu material principalmente para Fluir, bem como algumas revistas estrangeiras, site Waves e alguns patrocinadores.

O que está achando de fotografar no Hawaii, comparado a outros lugares, e quais as facilidades e dificuldades que têm encontrado por aqui?

Hawaii é um estúdio fotográfico natural. Quando todos os elementos estão a postos – ondas, vento, sol e surf -, o resultado é incrível, altas fotos num dos melhores lugares de surf do mundo. A paciência é um fator crítico também, já que dependendo da temporada e do tempo, pode ficar até um mês sem condições boas para fotografar.

Até o momento, qual o melhor momento em sua carreira como fotógrafo?

Ser convidado pela universidade de Nova Iorque para expor minhas fotografias de um projeto de resgate cultural dos indígenas da Costa Rica. Esse é outro tipo de fotografia que eu amo: cultura… Como fotógrafo de surf, foi ter encarado as pesadas e geladas ondas do Chile fotografando dentro da água algumas sessions insanas dos tops do WCT, registrando imagens alucinantes.

De onde vem a inspiração para fotografar?

Sempre me inspirei com o mar, com a sincronia das ondas perfeitas, com a sensação de tirar uma foto alucinante e querer uma melhor ainda; a busca pelo desconhecido, pelo inexplorado, por ângulos diferentes, exclusivos. Cada amanhecer já é uma ótima inspiração para fotografar…

Você admira o trabalho de algum(s) fotógrafo(s) em especial? Por quê?

O primeiro fotógrafo que lembro ter me inspirado muito foi o Woody Woodworth, com fotos surreais. Admiro muito o trabalho do Sebastian Rojas, pois sempre produziu imagens alucinantes e inspiradoras, junto com Scott Aichner, Sean Davey, Tony Fleury, Clemente Coutinho, Bruno Lemos, entre outros… E da nova geração, o carioca Pedro Tojal, que tem talento de sobra, e gosto também do trabalho do Luiz Blanco, sempre buscando ângulos novos.
 
Qual a foto que você ainda não fez, mas ainda tem muita vontade de fazer?

Tenho muita vontade de fazer uma seqüência de fotos com uma câmera fotográfica na minha prancha, registrando um tubão de lá de dentro!!!!

O que poderia dizer para as pessoas que gostariam de começar a fotografar surf?
 
Persistência, todo começo é difícil. Procure se informar bem sobre as câmeras e lentes antes de fazer o investimento. Não espere ganhar dinheiro logo no começo; o reconhecimento demora, e a profissão não é bem remunerada. Procure aprender a surfar também, e veja o máximo de fotos de surf possível, isso o ajudará a saber quando apertar o disparador.

 

Clique aqui para ver as fotos de Kalani Brito

 

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Manoela D´Almeida trabalha como fotógrafa e repórter free lancer. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Fale um pouco sobre você – idade, onde mora e o que faz na vida.

 

Meu nome é Manoela Pezzi D`Almeida, tenho 22 anos e sou gaúcha de Porto Alegre. Acabei de me formar em Jornalismo pela PUC de Porto Alegre e atualmente trabalho como fotógrafa e repórter free lancer. Já publiquei nas revistas regionais Solto e Sul Sports, ambas do Sul, nas nacionais Fluir Girls e Alma Surf e na internacional Huck Magazine.

 

Já viajei para vários lugares com o intuito de surfar e fotografar, e ultimamente este tem sido meu trabalho. Meu foco é mais no surf feminino, fotos de life style e também big surf. Fiz algumas exposições fotográficas como a California Life Style, em 2006, que retratava cultura surf e urbana do Sul da Califórnia.

Há quanto tempo você é fotógrafa? Como aprendeu a fotografar e por que escolheu o surf?

Pôr-do-sol na Costa Rica. Foto: Manoela D´Almeida.

Comecei a fotografar quando entrei na faculdade, em 2002, e passei a fotografar profissionalmente há dois anos. Surfo de prancha desde os 13 anos e, na verdade, o surfe nunca foi só um esporte para mim, e sim meu estilo de vida. Entrei na faculdade de Jornalismo com o sonho de poder viajar. Na verdade, pensava em televisão, mas comecei a fotografar e foi só o que quis fazer. Comecei a fotografar minhas trips de surf e passei a publicar em revistas junto com meus textos.

Como você vê e o que espera o mercado brasileiro de fotografia de surf?

Olha, eu sou nova no meio e acho que já estou entendendo como as coisas funcionam. O mercado é bem saturado e, na verdade, não remunera bem os profissionais. O dinheiro que juntamos acaba sendo gasto para comprar mais equipamento. Mas sou apaixonada pelo o que faço e procuro tentar fazer um trabalho diferencial, com enfoque mais em cultura surf, no surf feminino e com reportagens. As fotos publicitárias e para marcas de surf são, na verdade, as que pagam melhor e sustentam o mercado. É preciso achar um caminho alternativo e buscar contatos.

Qual o equipamento que você usa atualmente? Por que o escolheu e como conseguiu a verba para comprá-lo?

Eu acabei de comprar uma Canon 40D e uso a minha 20 D também. De lente, uso uma 24-100 mm f.4, uma 50 mm f1.8 e uma 18-5 5mm. De tele, tenho, por enquanto, uma 100-400 mm f4.5 com tele-conversor 1.4x. Meu foco na verdade é cultura surf, ou seja, paisagens, fotos de life style e retratos. Uso flash e rebatedor para estes trabalhos. Mas também bato fotos de ação e esta tele tem sido boa aqui no Hawaii. Quero muito comprar um 600 mm, mas é um investimento alto. A verba para estes equipamentos vem do meu trabalho e dos meus pais, que me ajudam muito neste início.

Por que e como veio parar no North Shore nesta temporada? Você está representando algum veículo especializado? Qual o destino do teu material?

Sonho desde pequena em conhecer o Hawaii e fiz muitas trips também antes de vir pra cá. Já fui para Austrália, Costa Rica, Califórnia, África do Sul, mas sempre sonhei com o North Shore. Resolvi vir este ano, pois comecei a publicar meu material e sabia que aqui me renderia muitas pautas e fotos. Como sonhava em ver o Pipe Masters, adiantei minha vinda e acabei perdendo minha cerimônia de formatura. Quis vir também para entrar mais em contato com o meio, para ver se vou continuar direcionando minha carreira no surf. Desde que fui cobrir o WCT feminino em Itacaré para a Fluir Girls, fiquei ainda mais apaixonada e com vontade de viajar, fotografar e divulgar o esporte, principalmente o surfe feminino. Atualmente faço as matérias daqui para o Solto, revista da região Sul e também trabalho como free lancer para a Fluir e Alma Surf. Internacionalmente já publiquei na revista inglesa Huck Magazine e espero ampliar o leque depois do Hawaii. Também tenho uma parceria com as pranchas Auckland e estou batendo fotos para eles e para a Freesurf.

O que está achando de fotografar no Hawaii, comparado a outros lugares, e quais as facilidades e dificuldades que têm encontrado por aqui?

Olha, a luz deste lugar é impressionante. É realmente um estúdio natural e as ondas são muito perfeitas. O maior problema que enfrentei nos primeiros dias era a instabilidade do tempo. Meu equipamento tomou chuva e está exposto a muita umidade. O bom aqui do Hawaii é que é um lugar super seguro. Na África, por exemplo, eu ficava muito mais preocupada com violência e roubos. Mas, é claro que é sempre bom abrir o olho. E uma dificuldade é o preço das coisas aqui; aluguel e comida são caros.

Até o momento, qual o melhor momento em sua carreira de fotógrafa?

Eu estou começando, mas posso dizer que ter passado 16 dias na Bahia trabalhando para a Fluir Girls e depois ter feito uma trip com a Billabong pelo Sul da Bahia, acompanhada por Silvana Lima, Marina Werneck e Isabelinha, foi demais. Senti valorizada quando recebi a revista e tinham publicado ao todo 63 fotos minhas. Eu trabalhei duro e obtive o resultado. Foi minha primeira trip com tudo pago e mais material publicado. Todas minhas outras trips foram do meu bolso.

De onde vem a inspiração para fotografar?

Acho que da paixão que eu tenho pelo surfe e do prazer que sinto quando estou surfando. Eu amo o estilo de vida e tenho vontade de retratar tudo o que eu vejo e transmitir para as pessoas. Cresci olhando revistas de surf e, na verdade, são as fotos que alimentam nossa imaginação. É incrível pensar que posso estar mostrando um pouco do que estou vivendo para os leitores. E acho incrível fotografar alguém que tenha uma história legal e dividir com os outros. Por ser mulher, sei como é difícil encarar um mar pesado, e quando olho a Maya fazendo o que ela faz e sendo esse doce de pessoa, fico ainda mais admirada. Posso dizer que atualmente a Maya tem sido uma inspiração para mim.

Você admira o trabalho de algum(s) fotógrafo(s) em especial? Por quê?

Eu admiro muito a fotógrafa gaúcha Roberta Borges. Na verdade, a Roberta foi minha primeira grande inspiração na fotografia de surfe e na paixão pelo surfe feminino. Tive a oportunidade de conviver intensamente com a Roberta quando eu estava no início da minha faculdade. Nós surfávamos juntas e eu acompanhava o trabalho dela. Na verdade, a Roberta foi minha “sogra”, e o meu ex-namorado, que era enteado dela, é filmaker. Aprendi muito com os dois. Outra mulher que admiro muito é a Juliana Morais. Adoro os textos, a atitude e as fotos dela. Já os fotógrafos de surfe que mais admiro são o Sean Davey, Tim Mckenna e David Pu`Hu.
 
Qual a foto que você ainda não fez, mas ainda tem muita vontade de fazer?

São várias.ultimamente. Principalmente agora que estou no Hawaii, tenho sentido a necessidade de ter uma caixa-estanque. As fotos dentro d?água têm outra perspectiva, ângulos diferentes, maravilhosos… Mas eu entraria na água em condições pequenas, para fazer fotos mais artísticas. Gosto de fotos mais soul; sonho em bater de uma surfista de longboard em um fim de tarde daqueles aqui do Hawaii, com chuva e sol.


O que poderia dizer para as pessoas que gostariam de começar a fotografar surf?

Eu diria que é um trabalho maravilhoso, porém mais duro do que parece. É preciso de muito amor e dedicação e também um certo desprendimento para poder ficar longe da família e amigos. Mas os lugares que você conhece, as pessoas e os visuais fazem você se sentir abençoado.

 

Clique aqui para ver as fotos de Manoela D´Almeida

 

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Julio Fonyat reside em San Diego (EUA) há sete anos. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Fale um pouco sobre você – idade, onde mora e o que faz na vida.

 

Meu nome é Julio Fonyat, tenho 26 anos. Moro em San Diego, Califórnia, há sete anos. Na Califórnia, me dedico às fotos de surf, curso faculdade de Fotografia e faço uns eventos (casamentos principalmente) para ajudar no orçamento.

 

Há quanto tempo você é fotógrafo? Como aprendeu a fotografar e por que escolheu o surf?

 

A fotografia entrou na minha vida muito cedo. Meu pai era um grande fotógrafo no Brasil, José Bina Fonyat Neto, e faleceu quando eu tinha apenas quatro anos. Fiquei, então, com seu acervo e câmeras para tomar conta. Quando fui morar na Califórnia, fiquei impressionado com a qualidade e, principalmente, a diversidade das ondas.

 

Padang quebra com perfeição. Foto: Julio Fonyat.

Como eu sempre fui aquele cara que tinha uma máquina na mão em todas as situações, foi uma coisa muito natural começar a fotografar os amigos surfando. Quando eu vim de férias para o Hawaii pela primeira vez, não tive dúvidas de que a fotografia de surf seria meu foco principal. Ainda uso as câmeras do meu pai para fazer um lance diferente.

 

Como você vê e o que espera do mercado brasileiro de fotografia de surf?

 

O mercado brasileiro no meio da fotografia de surf é bem ruim. Os veículos de imprensa têm um orçamento muito limitado, e a mesma coisa acontece com as marcas de surfwear brasileiras. Existe uma desvalorização enorme do profissional da fotografia. Além disso, as revistas usam muito material de fotógrafos gringos, o que dificulta ainda mais para os fotógrafos brasileiros. Realisticamente, eu não espero muito do mercado brasileiro!

 

Qual o equipamento que você usa atualmente? Por que o escolheu e como conseguiu a verba para comprá-lo?

 

Eu tento ser bem diversificado no meu equipamento. Utilizo equipamento digital, 35 mm cromo, formato médio, e até polaroids. Eu curto muito estar em contato com diferentes formas de fotografar, então tento sempre levar coisas diferentes para as minhas viagens. Em cromo, eu utilizo Leicas M3, herdadas de meu pai; meu equipamento digital é todo da Canon, e minha caixa-estanque é da SPL waterhousings. Para falar a verdade, olhando para trás, não sei nem como fui capaz de investir tanto dinheiro em equipamento, mas a gente vai comprando o que pode, com o pouco que sobra no fim do mês, depois das contas. A compra do equipamento foi bem aos poucos mesmo…

 

Por que e como veio parar no North Shore nesta temporada? Você está representando algum veículo especializado? Qual o destino do teu material?

 

Eu tento vir ao Hawaii o máximo que eu posso, já que é perto da Califórnia. Fugir um pouco daquele inverno lá, que é bem gelado. Eu trabalho como free lancer, encaminho meu trabalho para os mais variados veículos, principalmente revistas especializadas em surf e bodyboarding.

 

O que está achando de fotografar no Hawaii, comparado a outros lugares, e quais as facilidades e dificuldades que têm encontrado por aqui?

 

Fotografar no Hawaii é muito bom, principalmente para quem vive em um lugar tão diferente como a Califórnia. A quantidade das ondas e a luz fazem do Hawaii quase que um estúdio a céu aberto. O fato de o Hawaii ser uma ilha faz com que tudo mude muito rápido – a luz, as ondas… Sem dúvida, o meu local favorito de fotografar até o momento.

Até o momento, qual o melhor momento em sua carreira de fotógrafo?

 

Acredito que o melhor momento da minha carreira foi ser destaque em uma revista californiana como contribuidor, por ter contribuído com muitas fotos para uma matéria sobre os incêndios que rolaram no Sul da Califórnia em 2007. Minha viagem para a Ásia também foi um dos melhores momentos, sem dúvida alguma.

 

De onde vem a inspiração para fotografar?

 

A inspiração para fotografar vem do meu pai. Cresci vendo os livros dele, imaginando como seria ver o mundo pelo viewfinder de uma câmera. Hoje em dia eu sigo os passos dele, e a única coisa que eu tenho certeza é de que sempre trabalharei com fotografia. Outros fotógrafos de surf me inspiram muito também.

 

Você admira o trabalho de algum(s) fotógrafo(s) em especial? Por quê?

 

Claro! São tantos… Dentro do surf, gosto muito do trabalho do Nelly, principalmente a parte de flash… Curto muito o estilo do Jack English e Jason Reposar. Dentro d?água, não me canso de olhar as imagens do Scott Aichner, com a fisheye. Não tem ninguém que chegue perto. Da nova geração aqui nos Estados Unidos, eu gosto do Chris Burkard, Todd Glaser, tem muita gente boa aí… Dos brasileiros, admiro muito o trabalho do Bruno Lemos, Fred Pompemayer e do Luiz Blanco. São os tops, com certeza.
 
Qual a foto que você ainda não fez, mas ainda tem muita vontade de fazer?

 

Existem alguns picos que eu gostaria muito de ter o privilégio de fotografar. Acho que Teahupoo seria um grande sonho. As ilhas Mentawaii também são um objetivo que eu tenho na minha cabeça. Já fui a Indonésia, estive tão perto… Mas acho que gostaria muito de fazer uma foto boa de Copacabana, meu “home break”…

 

O que poderia dizer para as pessoas que gostariam de começar a fotografar surf?

 

É um mercado muito difícil. O equipamento é bem especializado e acaba sendo muito desgastado por viagens, idas à praia, maresia… Viver de fotografia é muito difícil, e a fotografia de surf, provavelmente, é o campo menos rentável dentro da fotografia. Mas, se você curte viajar e fotografar, eu diria para ir fundo e seguir seus sonhos…

 

Clique aqui para ver as fotos de Julio Fonyat

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Luiz Blanco trabalha com fotografia há cerca de três anos. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Fale um pouco sobre você – idade, onde mora e o que faz na vida.

 

Meu nome é Luiz Blanco, tenho 24 anos, moro no Rio de Janeiro e estudo Jornalismo na PUC.

 

Há quanto tempo você é fotógrafo? Como aprendeu a fotografar e por que escolheu o surf?

 

Trabalho com fotografia há mais ou menos três anos. Fiz alguns cursos para aprender melhor, mas a verdade mesmo é que o início foi na marra; li alguns manuais e fui tentando, queimando filme, errando e acertando. O surf está presente na minha vida há um bom tempo, acho que foi natural direcionar meu foco para ele. Além do mais, se não fosse surf não fotografaria mais nada, é a única coisa que realmente me inspira.

 

Marcelo Trekinho voa alto. Foto: Luiz Blanco.

Como você vê e o que espera do mercado brasileiro de fotografia de surf?

 

Sinceramente, não espero nada do mercado brasileiro, faço minhas fotos sem me preocupar com isso. Acho que, antes de tudo, fotografo pra mim mesmo, por prazer de ver uma foto boa… Depois penso em encaixá-la em algum lugar, mas sei que o mercado no Brasil é muito fraco e desvaloriza totalmente o trabalho do fotógrafo, infelizmente. Por isso não espero nada dele.

 

Qual o equipamento que você usa atualmente? Por que o escolheu e como conseguiu a verba para comprá-lo?

 

Atualmente tenho uma 20d, uma 300 f4, 70-200 f4 e um 50 f1.8, além de um converter 1,4x. Tudo Canon. No começo tinha uma câmera de filme bem simples, mas que me possibilitava regulá-la manualmente, uma lente bem fraquinha também. Aos poucos fui juntando grana e dando um upgrade no equipamento, comprava uma câmera nova, depois de um tempo uma lente… E quando fui melhorando o equipamento, fui tendo mais retorno nas fotos que fazia, até conseguir o que tenho atualmente, que acho que satisfaz totalmente minha necessidade.

 

Por que e como veio parar no North Shore nesta temporada? Você está representando algum veículo especializado? Qual o destino do teu material?

 

Vim para o North Shore meio em cima da hora. No fim do ano não tinha decidido o que iria fazer nas férias da faculdade, tinha pouca grana, mas queria viajar. O Camarão botou uma pilha e comprei a passagem. Chegando aqui fui me agilizando, encontrei alguns amigos que me ajudaram muito e vou ficando aqui. Viajo com meu dinheiro, até prefiro ficar livre de algum compromisso com apenas um veículo. Mando meu material basicamente para a Blackwater, Fluir, Transworld, Surfer e Water; são as mídias que eu tenho um contato bom e costumo mostrar meu trabalho. Não necessariamente será publicado.

 

O que está achando de fotografar no Hawaii, comparado a outros lugares, e quais as facilidades e

dificuldades que têm encontrado por aqui?

 

Fotografar no Hawaii é muito bom. Bons surfistas, boas ondas, você não precisa de barco para ir até os picos, o que acho uma grande vantagem. Quando fui ao Tahiti, que é um lugar lindo e com altas ondas, me senti muito preso por ter que ficar fotografando do barco. Não é muito minha especialidade, prefiro ficar livre, buscar novos ângulos. Aqui me possibilita isso, não estou preso a nada e nem a ninguém, minha experiência aqui está sendo muito positiva.

 

Até o momento, qual o melhor momento em sua carreira de fotógrafo?

 

Acho que o que me deixou mais orgulhoso foi a matéria de Noronha que eu fiz pra Transworld. Ter suas fotos reconhecidas no exterior é muito gratificante. A capa da Fluir que eu fiz ano passado também me deixou muito orgulhoso, porque é uma foto que eu gosto muito!

 

De onde vem a inspiração para fotografar?

 

Inspiro-me em quem está fazendo algo diferente e bonito de se ver. Pode ser um filme, um quadro ou a própria foto.

 

Você admira o trabalho de algum(s) fotógrafo(s) em especial? Por quê?

 

Admiro muito o trabalho que os gringos vêm fazendo, sempre na vanguarda. Sempre vejo boas fotos, mas um cara que me impressiona bastante é o Kenny Hurtado, staff da Surfing. Me amarro muito no trabalho do cara e de certa forma me identifico bastante. 

 

Qual a foto que você ainda não fez, mas ainda tem muita vontade de fazer?

 

Não sei responder essa. Para mim, as idéias surgem na hora, depende do lugar, do surfista. Não procuro projetar nada muito inacessível na minha cabeça, procuro fazer o melhor do que tenho em mãos.

 

O que poderia dizer para as pessoas que gostariam de começar a fotografar surf?

 

Faça com prazer. Sem prazer, desista.

 

Clique aqui para ver as fotos de Luiz Blanco

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Tony D´Andrea é niteroiense e reside nos Estados Unidos. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Fale um pouco sobre você – idade, onde mora e o que faz na vida.

 

Meu nome é Antônio D?Andrea, tenho 28 anos, sou niteroiense e atualmente moro nos ?Esteites?. Aqui fora fui apelidado de Tony – era mais fácil pros gringos não quebrarem a língua. (risos).

 

Há quanto tempo você é fotógrafo? Como aprendeu a fotografar e por que escolheu o surf?

 

Brinco com máquina fotográfica desde os 15, com Camarão e outros amigos de Itacoatiara. Alguns cursos, uns livros e bastante foto queimada, foi assim que eu aprendi! Profissionalmente, tem dois anos que estou no mercado. A fotografia de surfe veio como uma extensão do dia-dia que tinha quando eu morava em Niterói. Quando não surfava, estava fotografando ou filmando os amigos, assim a gente revezava!

Danilo Couto encara uma bomba em Pipeline. Foto: Tony D´Andrea.

Como você vê e o que espera do mercado brasileiro de fotografia de surf?

 

O mercado brasileiro de fotos de surfe é uma piada. Enquanto existirem empresas sanguessugas e fotógrafos mercenários, se vendendo por qualquer trocado, a tendência é só piorar! Eu espero que a resposta venha de nós (fotógrafos da nova geração). A mídia necessita da gente, tanto revistas quanto anunciantes.

 

Acredito numa associação ou algo parecido (http://tabeladosurfe.bravehost.com/index.html), na qual exista um bom senso nos preços cobrados e que todos, tanto nova quanto “velha” geração, saibam valorizar cada trabalho. Empresas multinacionais pagam cinco vezes menos por foto publicitárias aqui no Brasil, enquanto nós pagamos o mesmo preço que os gringos nos equipamentos…

 

Qual o equipamento que você usa atualmente? Por que o escolheu e como conseguiu a verba para comprá-lo?

 

Tudo Canon, porque sempre tive e nunca me deu problema. Então, pra que trocar? Verba pra comprar é 100% vinda do meu suor. Vim pros Esteites com 21 anos pra batalhar e aqui estou sete anos depois, muitos quilômetros rodados e meu equipamento na mochila!

 

Por que e como veio parar no North Shore nesta temporada? Você está representando algum veículo especializado? Qual o destino do teu material?

 

Este ano não pude ficar muito tempo no Hawaii. Vou ser papai em março e tenho que dar assistência à minha esposa e ao meu primeiro filhão! Meu material é encaminhado a algumas revistas ao redor do globo!

 

O que está achando de fotografar no Hawaii, comparado a outros lugares, e quais as facilidades e dificuldades que têm encontrado por aqui?

 

Hawaii é Hawaii ! Pipe é a onda mais bonita, na minha opinião. Quanto às dificuldades, é só você olhar os precinhos de aluguel e comida na ilha! (risos).

 

Qual o melhor momento em sua carreira de fotógrafo?

 

Tubo da temporada do Danilo Couto, ano passado! Página dupla, edição de fevereiro da Fluir

 

De onde vem a inspiração para fotografar?

 

Quando me lembro das fotos coladas na parede do meu quarto, feitas por outros fotógrafos há 12, 15 anos, ficava viajando nos momentos clicados, e gostaria de passar pra molecada de hoje em dia a mesma vibe que sentia quando via aquelas fotos!

 

Você admira o trabalho de algum(s) fotógrafo(s) em especial? Por quê?

 

Posso dizer que admiro uma boa foto, um bom trabalho, independente do fotógrafo. Todos nós temos dias de glória, seja brasileiro ou gringo… Quem é bom, é bom. A nova geração está vindo com força total…

 

Qual a foto que você ainda não fez, mas ainda tem muita vontade de fazer?

 

Meu filho Matheus, que está pra nascer, num tubão em Pipe daqui a 15 anos. Seria irado!

 

O que poderia dizer para as pessoas que gostariam de começar a fotografar surf?

 

Se você acha que vai ficar rico tirando fotos de surfe, escolheu a profissão errada! Se mesmo assim você realmente quiser, vá em frente, pois tudo feito com amor tem retorno!

 

Clique aqui para ver as fotos de Tony D´Andrea

 

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Gustavo Camarão é videomaker e voltou a fotografar recentemente. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Fale um pouco sobre você – idade, onde mora e o que faz na vida.

 

Meu nome é Gustavo Bordallo, meu apelido é Camarão, tenho 28 anos e moro em Itaipu, Niterói (RJ). Trabalho com vídeo, fazendo filmes de surf, mas voltei a fotografar recentemente.

 

Há quanto tempo você é fotógrafo? Como aprendeu a fotografar e por que escolheu o surf?

 

Foi em 98, na primeira viagem de surf que fiz pra fora do País. Fui ao Panamá surfar com dois amigos, Fisy e Cocada, e voltando ao Brasil, conheci um fotógrafo (Fábio Paradise) no avião em que estava voltando da Indonésia.

 

Começamos a conversar e achei uma profissão que tinha muito a ver comigo. Cresci na praia e não me via trabalhando em um escritório, longe do mar.

Tahiti é repleto de cenários encantadores. Foto: Gustavo Camarão.

Assim que cheguei ao Brasil, conversei com meus pais sobre minha idéia de entrar em um curso de fotografia e eles me apoiaram. Meus pais e minha irmã sempre me deram a maior força, na verdade toda a minha família. E foi assim que comecei a fotografar, entrei em um curso na Urca e depois fiz um curso na Estácio de três anos que é como se fosse uma faculdade de Fotografia.

 

Como você vê e o que espera do mercado brasileiro de fotografia de surf?

 

Não espero muito, faço porque gosto. Tenho meu próprio negócio e não dependo muito. Gosto de valorizar o meu trabalho e vejo que no Brasil a minoria das empresas é séria. É normal você receber uma contraproposta de permuta de roupas. Eu não vou comer um casaco no café da manhã e nem almoçar uma calça jeans.

 

Qual o equipamento que você usa atualmente? Por que o escolheu e como conseguiu a verba para comprá-lo?

 

Tenho uma 70 / 200 2.8 Ultrasonic da Canon, um converter de 2x, o corpo é uma 30D. Escolhi este equipamento, pois não faço só surfe; gosto muito de fazer teatro também. A 70 / 200 é uma lente bem versátil e me possibilita fazer diversos trabalhos. Comprei o equipamento com o dinheiro dos meus trabalhos.

 

Por que e como veio parar no North Shore nesta temporada? Você está representando algum veículo especializado? Qual o destino do teu material?

 

Estou preparando dois vídeos novos de surfe e um de bodyboard agora pro ano de 2008, e o Hawaii é muito bom pra colher material. Tenho feito bastante material pra Blackwater e algumas vezes pra Fluir.

 

O que está achando de fotografar no Hawaii, comparado a outros lugares, e quais as facilidades e dificuldades que têm encontrado por aqui?

 

Tenho achado tudo maneiro. A única dificuldade que estou tendo é que estou ficando em Waialua, um pouco distante dos picos.

 

Qual o melhor momento em sua carreira de fotógrafo?

 

Acho que foi a minha primeira foto publicada. Foi no primeiro filme que fotografei surfe na vida! Foi publicada uma página dupla do Guilherme Corrêa em Itacoatiara, na extinta revista de bodyboard Style.

 

De onde vem a inspiração para fotografar?

 

Viajamos para lugares paradisíacos, o difícil é faltar inspiração! Acho que é isso que faz valer essa profissão.

 

Você admira o trabalho de algum(s) fotógrafo(s) em especial? Por quê?

 

Gosto muito do trabalho do Luiz Blanco, acho que ele faz um trabalho espetacular, completamente diferenciado dos demais. Dentro d?água, o Pedro Tojal está arrebentando. Na minha opinião ele vai ser, se já não é, o melhor fotógrafo brasileiro que já tivemos dentro d?água.

 

Qual a foto que você ainda não fez, mas ainda tem muita vontade de fazer?

 

Dentro d?água, mas só quando parar de fazer os vídeos. Ainda fico muito preso a eles, na verdade é a minha prioridade.

 

O que poderia dizer para as pessoas que gostariam de começar a fotografar surf?

 

Acho que temos que trabalhar com o que realmente gostamos na nossa vida, só assim ficaremos realizados, talvez não financeiramente, mas com certeza no seu interior você vai estar completo. Um pouco poético demais, isso nem combina comigo, mas é a melhor definição que posso dar. Valeu!!!

 

Clique aqui para ver as fotos de Gustavo Camarão

 

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Pedro Tojal tem 25 anos e nasceu no Rio de Janeiro. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Fale um pouco sobre você – idade, onde mora e o que faz na vida.

 

Meu nome é Pedro Tojal, tenho 25 anos, sou carioca e moro no Rio de Janeiro. Diretor e fotógrafo do site zonasurf.com.br e colaborador das revistas Fluir, Alma Surf e BlackWater.

 

Há quanto tempo você é fotógrafo? Como aprendeu a fotografar e por que escolheu o surf?

 

Longa história (risos). Fiz faculdade de Comunicação Social na ESPM e durante um ano estudei fotografia voltada para produtos. Nessa mesma época sempre surfava com um grande amigo, Daniel Lima. Em uma das sessions ele apareceu com uma dessas máquinas fotográficas descartáveis e à prova de água. Quando fomos revelar o filme, vi que as fotos que ele havia tirado de mim surfando estavam bem ruins e as que eu fiz dele um pouco melhores.

Backdoor e a luz no fim do túnel. Foto: Pedro Tojal.

Pensei, então, ?ou eu sou um péssimos surfista ou tenho um mínimo de talento?. Resolvi acreditar que tinha algum dom fotográfico e comecei a registrar aquilo que acho mais lindo no nosso planeta, o mar.

 

Como você vê e o que espera do mercado brasileiro de fotografia de surf?

 

No Brasil, esse mercado ainda tem muito o que evoluir. Só digo uma coisa: é preciso ter muito amor pelo surf para entrar e se manter nesse mundo.

 

Qual o equipamento que você usa atualmente? Por que o escolheu e como conseguiu a verba para comprá-lo?

 

Praticamente só tiro fotos aquáticas, por isso procuro sempre equipamentos leves e compactos. Isso me ajuda na hora de nadar e tomar ondas na cabeça. Meu equipamento atual é uma Canon G7 e duas caixas-estanques, uma para a lente 35mm – 210mm e outra que fiz para a lente olho de peixe 9mm – 180 graus. Tenho também uma objetiva, mas já está com teia de aranha (risos).

 

O que está achando de fotografar no Hawaii, comparado a outros lugares, e quais as facilidades e dificuldades que têm encontrado por aqui?

 

O Hawaii é um estúdio fotográfico em forma de ilha. As facilidades são a perfeição das ondas e o nível dos surfistas. As dificuldades são as correntes, o fundo de coral e o crowd. 

 

Qual o melhor momento em sua carreira de fotógrafo?

 

Estar no Hawaii e ser pago para isso. Este está sendo o momento.

 

De onde vem a inspiração para fotografar?

 

Do mar.

Você admira o trabalho de algum(s) fotógrafo(s) em especial? Por quê?

 

Brasileiro é o Rick Werneck e gringo é o Scott Aichner. Os dois são mestres da fotografia aquática.

Qual a foto que você ainda não fez, mas ainda tem muita vontade de fazer?

No momento existem duas que quero muito fazer no Rio de Janeiro. Uma é do Pão de Açúcar visto de dentro do tubo do Shore Break e a outra é do Morro Dois Irmãos e Pedra da Gávea vistos de dentro do tubo da Laje do Castelinho.

O que poderia dizer para as pessoas que gostariam de começar a fotografar surf?

Não faça pensando no dinheiro.


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Marianna Piccoli, 20, nasceu em Curitiba e reside em Florianópolis. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Fale um pouco sobre você – idade, onde mora e o que faz na vida.

 

Meu nome é Marianna Piccoli, tenho 20 anos, nasci em Curitiba e mudei para Florianópolis há oito anos. Tenho vivido na ilha desde então. Em Floripa, além de trabalhar com fotografia e filmagem, curso a faculdade de Administração. Pratico bodyboard também, o que me faz estar na praia sempre que posso, seja para surfar ou fotografar.

 

Há quanto tempo você é fotógrafa? Como aprendeu a fotografar e por que escolheu o surf?

 

Desde pequena sempre me interessei pela fotografia. Comecei a fotografar por diversão há quatro anos, quando morei na Austrália durante um ano. Lá tive contato direto com o surf, o que me fez interessar por esse tipo de fotografia. Costumava fotografar meus amigos com uma digital pequena. Ao longo da trip a vontade de fotografar foi crescendo.

Linhas intermináveis em Sunset Beach. Foto: Marianna Piccoli.

De volta ao Brasil, comprei uma câmera e a lente. Meu equipamento era simples, estava longe de ser um equipamento profissional. Aos poucos comecei a vender algumas fotos para amigos e conhecidos e acabei me apaixonando de vez pela fotografia de ação.

 

Nessa época também tive contato com a fotografia de skate, comecei a abrir mais a minha cabeça com relação a outros tipos de fotos além da foto de surf. Em 2006, passei três meses aqui no Hawaii durante a temporada. Nessa época trabalhei em uma pizzaria no North Shore e não pude me dedicar totalmente às fotos. Já decidida a trabalhar com isso, juntei um pouco de dinheiro aqui, peguei minhas economias no Brasil e consegui comprar uma lente profissional. A partir daí, comecei a levar a fotografia mais a sério e a trabalhar com isso. Há cerca de um ano comecei a realizar alguns trabalhos de filmagens, outra coisa que pretendo trabalhar paralelamente com a fotografia.

 

Como você vê e o que espera do mercado brasileiro de fotografia de surf?

 

O mercado atual da fotografia de surf no Brasil é um pouco complicado. Infelizmente temos somente duas publicações grandes e nelas a abertura é um pouco limitada. Nas publicações menores (regionais), rolam alguns trabalhos, mas o retorno ainda é baixo.  Acredito que falta um pouco de abertura para os fotógrafos brasileiros perante os gringos dentro das mídias maiores e marcas. Temos muitos fotógrafos bons, alguns tão ou melhores que os gringos, algo que aos poucos está mudando. Os baixos valores pagos pelas fotos também são desproporcionais aos gastos com equipamentos. Muitas coisas ainda têm que melhorar nesse mercado para que se ganhe justamente e possa-se viver exclusivamente dessa profissão.

 

Qual o equipamento que você usa atualmente? Por que o escolheu e como conseguiu a verba para comprá-lo?

 

No meu equipamento atual de fotografia uso câmera Canon 40 D, teleobjetiva Canon EF 300mm IS USM f 2.8, duplicador Canon 1.4x , duplicador Canon 2.0x , câmera Rebel 350D, objetiva Canon 28-90 mm, tripé manfrotto.  A escolha do meu equipamento, principalmente da lente, foi uma questão de investimento. Pensei que se realmente queria entrar no mercado profissional da fotografia produzindo imagens de alta qualidade, teria que investir pesado num primeiro momento. Estava e estou consciente de que o retorno vem à longo prazo. Pesquisei muito antes de comprar, conversei com alguns fotógrafos e acho que fiz a escolha certa ao comprar minha lente atual. Minha lente, apesar de não ser uma tele das mais potentes (para o surf) e de ter um zoom fixo, por ser uma f / 2.8 é uma lente muito clara e rápida, além de possuir um autofocus muito bom. Dentro de todo o dinheiro que eu consegui juntar, acho que foi a melhor opção. Aos poucos pretendo ir melhorando meu equipamento.

 

Por que e como veio parar no North Shore nesta temporada? Você está representando algum veículo especializado? Qual o destino do teu material?

 

Vim para Hawaii nesta temporada com o objetivo de registrar a temporada inteira, produzir um bom material não só das fotos de ação como eu estava acostumada, mas também de natureza, retratos, entre outras coisas. Além da venda de fotos para o free surf, tenho produzido muitas imagens dos atletas brasileiros para depois tentar negociar com as respectivas marcas. Também tenho feito fotos para revista Juice e fotos e trabalhos em vídeo para a produtora Emotion Surf.

 

O que está achando de fotografar no Hawaii, comparado a outros lugares, e quais as facilidades e dificuldades que têm encontrado por aqui?

 

Fotografar no Hawaii tem sido mais uma vez um grande aprendizado e um intensivo de imagens. A luz, a proximidade e a qualidade das ondas fazem do Hawaii um estúdio natural onde é possível tentar diversos tipos de fotos. A quantidade de surfistas bons também é destaque à parte. As dificuldades, na minha opinião, estão relacionadas aos elevados custos para se manter aqui, como estadia e alimentação. Isso comparado a outros lugares como Indonésia, México …

 

Qual o melhor momento em sua carreira de fotógrafo?

 

Sinceramente, acredito que meu melhor momento como fotógrafa ainda está um pouco longe. Como profissional, estou apenas começando. Sei que tenho muito o que aprender ainda e aperfeiçoar em meu trabalho. A publicação da minha primeira capa na revista Juice foi bem legal. Num momento em que eu estava bem mais ligada nas filmagens, me fez voltar ao mundo da fotografia.

 

De onde vem a inspiração para fotografar?

 

A inspiração para fotografar o surf vem muito da minha vontade de viajar, conhecer novos lugares, novas culturas. Poder registrar cada lugar diferente e, ao mesmo tempo, conhecer as melhores ondas do mundo. Poder trabalhar perto do mar e no meio da natureza. Isso tudo junta com a relação que eu tenho com o mar e com o bodyboard.

 

Você admira o trabalho de algum(s) fotógrafo(s) em especial? Por quê?

 

Dos fotógrafos brasileiros, acho muito legal o trabalho do Sebastian Rojas. Suas fotos, antes mesmo de me tornar fotógrafa, sempre me chamaram a atenção. Gosto muito das fotos aquáticas do Ricardo Borghi também.

 

Qual a foto que você ainda não fez, mas ainda tem muita vontade de fazer?

 

A foto que ainda não fiz, mas que estão nos meus planos começar a fazer, é a foto underwater com uma caixa-estanque. Já caí algumas vezes com uma câmera digital pequena, e as fotos realmente impressionam.

 

O que poderia dizer para as pessoas que gostariam de começar a fotografar surf?

 

Para as pessoas que querem começar, eu diria que nem tudo é fácil nesta profissão. Pelo contrário… Tem que ralar muito para conseguir se dar bem. Mas, se realmente isso está dentro delas e é numa session de imagens que está a satisfação para irem fundo, tem que acreditar e persistir, que a recompensa pessoal valer a pena.

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