
Acabei de assistir a quinta etapa do Circuito Brasileiro Amador, que aconteceu no Tombo, Guarujá (SP). Uma aula de atualização de surf moderno.
O evento aconteceu no meio da semana. Na praia estavam somente as pessoas interessadas, de olho na ação dos novos nomes do surf brasileiro. Foi muito legal ver as bandeiras dos Estados e as equipes reunidas.
O mar subiu um pouco na segunda e terça-feira, mas no dia final estava bem marola.
Alguns nomes devem ser comentados: entre os que mais me chamaram a atenção estava Simão
Romão, do RJ, que evoluiu muito neste último ano e estava num ritmo forte.

Gustavo Schilickmann, de SC, mostrou bastante técnica e estilo, lembrando Taj ou Gerlach miniatura para vencer na Iniciante.
Outros destaques da nova geração foram Jean da Silva, Thiago Bianchini e Hizunomê Bettero.
O Brasil está carregado de talentos… Outros nomes fortes que estavam ali ainda se transformarão nessa nossa vida de mutante.
Nesta fase o talento está ali, mas conseguir os objetivos e conquistar o pequeno espaço da elite, se mantendo ali por uns bons anos, exige decisões corretas, cabeça e direcionamento certos.

No Feminino a disputa ficou entre Juliana Quint e a capixaba Iryes Pereira, na maré cheia e quase flat. Juliana conseguiu manobrar numa esquerdinha, tirou 4,5 e passou a liderar no meio da bateria.
Iryes rabiscou e finalizou com uma forte rasgada uma esquerda boa e tirou 5,5, melhor nota da bateria, e levou a etapa. A Iryes também é surf total… Valeu a queda da galera de Vila Velha aqui na frente de casa.
Já Silvana Lima, revelação do ano, não encontrou as ondas (elas não existiam) na semi-final e terminou em quinto lugar.
Essa cearense de 17 anos, que está morando no Rio, é a ‘menina para se assistir’ do momento.

Todo mundo está pegando bem, mas ela e mais um outro fenômeno brasileiro chamado Adriano Mineirinho são os que estariam mais bem cotados, se no surf existissem apostas.
A bateria final Mirim foi um show à parte. Com a maré subindo, Adriano, o gigante da mídia americana, mostrou quem é que vai dominar daqui pra frente. Arrasou.
Tirando alguns mal-entendidos do julgamento, principalmente nas interferências, o evento foi ótimo. Mineirinho não concordou com uma interferência marcada contra ele, e não a seu favor.
Assim como Ernesto Nunes, eu também achei que inverteram a decisão de quem cometeu a interferência. Márcio Farney também ficou a mercê da decisão duvidosa dos juízes e voou.

Isso não pode acontecer três vezes no mesmo campeonato e no mesmo dia.
Voltando a falar da final Mirim, Mineirinho pegou duas ondas animais, e numa delas mandou um aéreo 360 depois de acelerar muito, sem perder velocidade na aterrissagem, conectou para a esquerda e deu umas batidas extremamente agressivas no inside.
Quem viu sabe o que eu falo. Valeu só 8,5, mas na minha cabeça foi um dez registrado e filmadinho na memória.
O garoto é reconhecido como o futuro Top do mundo… Com 15 anos, acho que se tem alguém com um surf parecido, está escondido.