
Campeonatos de surf, alto nível, sol e uma galera show na praia. Na areia, cada equipe em sua tenda, com algumas até parecendo um castelo.
Doces e velhos nostálgicos tempos do surf. Quantos campeonatos em Itamambuca, Joaquina, Stella Maris ou praia do Pernambuco não rolaram com essa vibração total?
Em outras épocas, os campeonatos eram o máximo. Menos gente e mais patrocinadores para os atletas no mercado.
As equipes montavam suas tendas na areia, cada uma com seu modelo, sendo uma mais fantástica que a outra, com um estilo “feira do surf”. Eram dias inesquescíveis…
Apesar de estarmos em 2004, alguns campeonatos ainda conseguem trazer aquela velha e nostálgica vibe dos eventos dos anos 70 e 80.
Mas, grande parte das competições, agora com “N” categorias, começam a ficar cansativas e sem muito entretenimento. Surf sempre vai ser show, principalmente quando um incrível jovem surfista talentoso, no rip total, pega uma onda boa e destrói. A galera vai ao delírio. E o formato pode evoluir bem mais.

Só podia ser idéia dos gringos. Brad Gerlach, surfista top mundial de sua época, juntamente com seu pai (que também é surfista), inventaram um novo formato em que o surf é utilizado como um jogo.
Desde a primeira vez que ouvi falar fiquei empolgado com essa nova idéia. Não vejo a hora de assistir a uma partida de surf, num clássico de domingo, no estádio de Maresias, Itaúna, Itamambuca ou Joaquina.
Parece que não sou só eu quem já pensou no assunto aqui no Brasil. Neste ano, Renan Rocha, Tinguinha Lima e alguns outros, incluindo eu, se uniram para fundar a Liga Paulista de Surf Profissional. O objetivo da Liga é evoluir e promover o esporte de uma forma que melhore a situação do surfista profissional.
Serão os surfistas, por intermédio da Liga (juridicamente oficializada), que terão poder de decisão sobre o direcionamento das negociações futuras do esporte.
Essa idéia de jogo de surf, que já havia sido pensada pelo Renan e Tinguinha, envolve muito mais interesses, tanto dos patrocinadores quanto do público em si, principal item que sumiu da praia nos últimos tempos.

As marcas teriam que ter mais patrocinados para formarem um time. Seria preciso um time com oito atletas titulares, dois reservas, um técnico, um sub-técnico, um massagista, um psicólogo, um roupeiro, um barraqueiro, enfim, uma comissão técnica.
Os times poderiam ser formados por clubes, cidades ou patrocinadores. A Prefeitura de Florianópolis, o Governo do Estado de Rio de Janeiro, a zona leste de São Paulo, a Hang Loose ou a Onbongo… ou mesmo algum milionário.
Qualquer interessado poderia formar seu time. Muitos universos poderiam ter seu time inscrito no Brasileirão de Surf 2005.
O sucesso de público em Huntington Beach no X-Games 2003 mostrou que esse caminho é uma opção interessante a ser seguida. E, ao meu ver, aqui no Brasil deve contagiar a massa, pois nosso povo é movido pela paixão e temos as torcidas mais quentes do mundo.
Acredito que o único problema que esse sistema pode provocar são brigas de torcidas organizadas, como já acontece no futebol. Mas, acredito que nós surfistas não somos tão idiotas assim.
Surfers Moving Forward !!!