
Não é à toa que ir para o Hawaii é o sonho de todo surfista. Há dois dias Sunset quebra com altas ondas, mesmo com um forte vento lateral de nordeste.
Enquanto em Pipeline rolava a etapa final do mundial de bodyboard, as melhores opções eram os picos de Sunset e Velzyland.
Um fato curioso e atípico é a falta de crowd nos picos do North Shore. Nunca vi tão vazio.
É claro que em lugares como Pipeline sempre haverá uma séria disputada, mas somente entre os locais e poucos forasteiros.

Até o número de brasileiros é bem menor do que o normal para a época do ano. Ótima opção para quem está planejando desembarcar aqui.
Na última quinta-feira Sunset teve ondas iradas de até 3 metros com um crowd ridículo de cerca de dez cabeças, entre elas o carioca Yuri Sodré, novo integrante brasileiro no WCT.
Da areia presenciei o show proporcionado pelo surfista, incrivelmente ainda sem patrocínio.
?Estou há três meses no Hawaii, amo esse lugar. Agora que o WCT rola em ondas pesadas quero estar familiarizado, mas é claro que isso tem um custo e estou investindo do próprio bolso. Mesmo assim estou muito feliz?, afirma Sodré.
Outro que desenhava uma linha sólida nas ondas era Jerônimo Vargas, um dos herdeiros de Valdir Vargas. O surfista mostrou que a genética o favoreceu e, como o pai, não perde mais um inverno havaiano.
Owl Chapmam e Roger Erickson, figuras tradicionais no pico, não poderiam estar de fora. Owl mora de frente para Sunset e tem mais horas de surf nessa onda do que muitos que estão lendo esta material têm de vida.
Eu também peguei altas ondas com minha 7’6 nova, a prancha é mágica. Prancha boa é assim: na primeira onda você já sabe que é boa, não precisa forçar a barra, trocar quilhas ou coisas do tipo.
O australiano ex-campeão mundial Barton Lynch também curtia a sessão. Quando indagado sobre a filha e a esposa Francis Hazar, bodyboarder brasileira e figura constante nos invernos havaianos, respondeu: ?Ela ama surfar, mas agora está no shopping com nossa filha?.
No dia seguinte as ondas abaixaram, mas ainda havia altas. Carlos Burle deu duas quedas com o amigo Carlos Sanfelice, uma bem cedo e outra no final de tarde.
Eu aproveitei o vento para dar uma velejada em Mokuleia com o big rider João Maurício e os atletas Will James e John Amudson. O cinegrafista Marcus Sala e seu pupilo Sydney Guimarães, além da minha namorada, me acompanharam na jornada.
Ondas de até 5 pés em uma bancada rasa proporcionaram um kitesurf de alta performance. A previsão indica que o swell deve abaixar para os próximos dias. Mas, em quatro dias as ondas devem ultrapassar os 15 pés. Isso é Hawaii.
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