
O Nordeste, por ter poucas fábricas de surfwear de peso, sempre ficou com a menor parte dos anúncios em revistas, e teve conseqüentemente seu espaço reduzido em cobertura de eventos e destaques de atletas, além de nossos picos serem menosprezados pela mídia.
Lembro demais quando a Fluir tinha um encarte especial de competições e que de vez em quando aparecia a cobertura de um evento ou outro do Nordeste. Na Hardcore também não era diferente e em algumas páginas preto e branco, poderíamos aparecer para o Brasil naquele pequeno espaço.
Trips para cobertura de picos no Nordeste, então, conto nos dedos as que já apareceram nas revistas nacionais – com exceção de Noronha, que já existe no cronograma anual das revistas. Mas aí tudo combina, vai na época correta, passa no mínimo uma semana e tá feito o material.
Para todos os outros picos, era sempre a mesma história, quando apareciam era na época dos WQS que aconteciam pelo Nordeste. Uma das poucas exceções foi um campeonato que rolou em Maracaípe chamado Ultimatum, que Alexandre Herdy venceu em 95. Foi o único Brasileiro Pro que deu onda naquela praia e por coincidência (será?) também foi o único marcado para a época correta.
Prova maior disso foi a etapa do Super Surf que rolou em maio de 2001 no Icaraí, Fortaleza (CE), e todos reclamaram da qualidade das ondas. Mas todo mundo sabe (e eu já morei no Ceará por três anos) que a época mágica dos terrais e ondas de qualidade já havia passado fazia tempo.
Aproveitando esta lacuna surgiu o Surf Press, que pegou o embalo do auge do crescimento do surf nordestino a partir de 93 e foi no inverso do que apontavam as revistas nacionais, que aumentavam seus espaços para as surf trips.
A prioridade era levantar a bandeira do surf nordestino, seja com coberturas exclusivas de eventos regionais ou no destaque dos nordestinos em picos nacionais e internacionais, mostrando o que até alí ninguém sabia direito.
O fotógrafo Clemente Coutinho passava meses em Noronha pegando os maiores mares da temporada, que apareciam em formato de jornal com os “cães” pernambucanos descendo bombas incríveis.
O Surf Press pegou o “boom” da região e com o tempo virou revista, com uma linha diferente das demais, sempre focada na nossa região. Infelizmente, em 2001 o Surf Press deixou de ser um produto rentável para sua equipe, pois os custos eram altos para fazer a revista, enquanto a cada edição menos anunciantes apareciam.
Como conseqüência, a quantidade de páginas regrediu até o ponto que Marcelo Cartaxo e Hélio Coutinho (fundadores) decidiram fechar as portas, partindo para o segmento de surfwear com a marca Mentor.
O Nordeste ficou órfão da sua mídia impressa e isso é o próprio retrato da região, que perdeu os eventos profissionais e cujos atletas ficam sem patrocínio. Mas, o principal é que depois desta tempestade toda, ainda vemos nascer talentos como a cearense Silvana Lima, que mudou para o Rio de janeiro para mostrar seu surf ao Brasil.