Neco arma o cutback em Noronha

O ano de 2006 será marcante na vida do catarinense Neco Padaratz.

 

Aos 29 anos, o ex-top do WCT prepara seu retorno às competições depois de ter sido afastado em julho do ano passado por uso de esteróides anabolizantes.

 

A volta de Neco ao cenário competitivo acontecerá na etapa do WQS que rola em Fernando de Noronha, entre os dias 6 e 12 de fevereiro.

 

?Deram um ?pause? e não um ?stop? na minha carreira. Agora vou apertar o ?play? novamente?, disse ele em recente entrevista ao Globo Esporte.

 

Segundo Roberto Perdigão, diretor regional da ASP South America, Neco é convidado da entidade nos dois eventos do WQS no Brasil, Noronha e Santinho, em Florianópolis, e entra direto na fase dos 96 surfistas.

 

“Faz parte da nossa estratégia dar quantos convites forem necessários para que o Neco consiga ficar entre os top 30 do WQS, que entrarão no corte para os principais eventos do WQS e SuperSurf de 2006 – depois do 6 estrelas de Durban, África do Sul. Não tenho nenhuma dúvida de que ele irá conseguir”, afirma Perdigão.

 

O atleta também começa a temporada de patrocínio novo e tem como principal objetivo reconquistar seu lugar na elite mundial, onde esteve por sete temporadas (97, 98, 2000, 01, 02, 03 e 04).

 

?Estou de volta à Mormaii, que me patrocinou pela primeira vez quando eu só tinha 9 anos?, revela Neco, que espera obter um bom resultado em Noronha, de onde saiu campeão da prova em 2003.

 

?Noronha tem uma energia diferente de qualquer outro lugar. Em 2003, tinha acabado de ser demitido pela empresa que faz o campeonato. Estava só com o dinheiro que tinha guardado das premiações e venci o evento. Aquilo foi uma provação para mim?, diz Padaratz, que é bicampeão do WQS (2003 e 04).

 

Sobre a estratégia que adotará para voltar ao WCT, ele explica que optará por disputar as etapas mais importantes do WQS, mas também irá se dedicar às provas do Sul-Brasileiro, que classificam para o SuperSurf.

 

?Não vou pedir convite porque nunca fui de pedir favor?, resigna-se. Entre as etapas que mais sente saudades no circuito mundial estão as realizadas em Jeffrey?s Bay, África do Sul, Gold Coast e Margareth River, na Austrália, e Sunset, Hawaii.

 

?Estou com saudades do Hawaii. Aquele lugar me arrepia da cabeça aos pés. Sinto que algo bom me aguarda no final da rota?, diz ele sobre as duas últimas etapas do WQS, que acontecem em Haleiwa e Sunset.

 

Apesar de todas as dificuldades que enfrentou com a suspensão, Neco garante que tirou lições importantes e aproveitou o tempo afastado para reorganizar sua vida e seus objetivos.

 

?Neste tempo sem competir, aproveitei para surfar com os amigos em lugares em que não ia há muito tempo. Nos próximos três anos vou tentar me dedicar 100% ao trabalho, algo que não fazia antes. Tudo que aconteceu me colocou num ponto melhor?, reconhece.

 

Para tentar recuperar a vaga na elite mundial ele terá que ralar. Mas o surfista, conhecido pela determinação e perseverança, busca inspiração num dos maiores mitos do esporte mundial, o piloto Ayrton Senna.

?Hoje o circuito é bem mais difícil, principalmente porque vou ter de entrar nas triagens, junto com o milésimo do ranking. Mas não tem problema. O Ayrton Senna também foi posto para trás tantas vezes e conseguiu voltar?, compara.

 

Neco conta que ler a biografia de Senna o tem ajudado muito. ?O ano passado foi bem marcante: consegui superar o trauma em Teahupoo com aquela nota dez e em Jeffrey?s Bay recebi a notícia da suspensão. Tiraram minha cadeira, mas meus amigos me respeitam e sabem que vou buscá-la de volta?, conclui Padaratz.

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