
Quem pratica esportes, mesmo os que não praticam, apenas trabalham, de um jeito ou de outro, direta ou indiretamente, são todos competidores.
Durante nossa estada na Terra – mesmo que alguns digam que não e que detestam esse tipo de coisa – passamos o tempo todo competindo, seja por uma vaga na universidade, um cargo melhor em uma empresa e até mesmo pelo amor dos pais com os irmãos.
A diferença é que no esporte, a competição é declarada e assumida por quem decide participar.

Quem opta pelo surfe competição, passou antes por outros estágios: o surfe aprendizado e o surfe lazer.
No aprendizado, experimentamos sensações jamais vividas antes, algo que nos envolve como parte da natureza e logo se torna nosso maior lazer, com gosto de quero mais.
Na verdade, o que descobrimos com o surfe é um novo estilo de vida, mais próximo de nossas raízes primitivas que interagiam com a natureza no dia-a-dia.
Sem que muitos

percebam, essa ânsia pelo surfe é mais que um simples desejo de lazer. São momentos de interiorização, meditação, ou seja lá qual for o nome, que cada um dá a essa energia de surfar.
Para muitos, essa paixão passou a ser um trabalho, pois competir é trabalhar. É ir atrás do sonho, da realização, da conquista e também de uma melhor condição financeira.
Se pensarmos bem, não é nada diferente de quem busca o sonho e a realização na empresa, no emprego ideal, ou na conquista de uma bolsa de estudos. No final, é tudo a mesma coisa, o importante é ter muito amor pelo que se faz.

Para ser bem sucedido numa profissão ou ser um campeão é preciso muito trabalho e dedicação.
Um bom exemplo de profissional é a surfista catarinense Jacqueline Silva, que acaba de vencer a primeira etapa do WCT 2004 e tornou-se a primeira atleta do Brasil a liderar o ranking mundial WCT. Mas, todo esse sucesso não vem por acaso.
Faz parte de um longo trabalho da atleta, seu treinador e patrocinadores. Foi em 1996 que ela conquistou seu primeiro título nacional e surgiu como uma grande promessa do surfe feminino.

Mas, veja que isso ocorreu há oito anos e nesse meio tempo muita coisa aconteceu, muito
esforço, suor, alegrias e frustrações, para só agora chegar a uma posição inédita para o surfe brasileiro.
Além disso, admiro a Jacque pela pessoa que ela é, sempre respeitosa com todos, suave na sua maneira de ser, mas forte – sem agredir – quando é preciso. Carrega consigo o gosto do surfe lazer.
Outro dia, li um depoimento da tetracampeã mundial, Lisa Andersen, onde ela diz que a Jacque é daquelas surfistas que têm conexão com o mar, pois sempre vem uma onda especial para ela.

É assim mesmo que as coisas funcionam com quem trabalha com o coração. O universo conspira a seu favor e quando menos se espera tudo acontece.
Portanto, não basta apenas ser campeão, é preciso ser íntegro, ser gente, servir de exemplo de coisas boas, pois de maus exemplos o mundo está cheio e só assim faremos a diferença.
Desde bem pequena, descobri que o esporte era a minha grande paixão, que o surfe alimentava minha alma e era o ticket para um mundo onde eu poderia ser alguém.
Mesmo que o surfe ainda não fosse tudo o que é hoje, era esse o caminho a seguir na busca por um lugar ao sol e por um reconhecimento que só interessava a mim.
Trabalhei no que foi possível, conquistei o que pude e hoje sou muito grata ao surfe pelo que sou e pela qualidade de vida que tenho. Passei pelo surfe aprendizado, o surfe lazer, o surfe competição/trabalho e há alguns anos voltei ao surfe lazer – minha verdadeira paixão – meus momentos de meditação e integração total com a natureza.
Muitas vezes vamos tão longe em busca de algo que está sob nosso nariz, mas percorrer o caminho é necessário, pois só assim se aprende que o que tanto procuramos já estava dentro de nós.
Busque a sua onda!
