Rick Werneck

Música, som e mar

Conheça um pouco de Ricardo Werneck, ou Rick, como é conhecido e carinhosamente chamado pela galera do Alfabarra, condomínio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Desde que chegou da Austrália, em 1992, Rick se dedica especialmente a fotografar os tubos que quebram em frente a sua casa. Lá, no famoso “Alfabarrels”, é fonte de inspiração para vários fotógrafos, incluindo aí nomes como Pedro Tojal, Henrique Pinguim e mais recentemente seu sobrinho Mateus Werneck, filho do também surfista Claudio Werneck, um dos sócios de Rick na Cristal Graffiti nos anos 80.

Casado com Laila. juntos criaram os filhos Luke (20) e Xande (22). Anos depois, o sobrinho Henrique (8) foi acolhido e passou a fazer parte da família, que tem surfe e música no seu cotidiano.   

Veja a seguir uma pequena entrevista com esse excelente fotógrafo e aprecie algumas de suas fotos na nossa galeria.

Nome: Rick Werneck

Idade: 55 anos

Há quanto tempo você fotografa surfe?  

Há 35 anos, desde abril de 1981.

Quais as viagens de surfe que mais te marcaram profissionalmente?

Fiz muitas viagens para lugares pouco explorados, como  Fernando de Noronha, em 1986, Pelicano Point, em 1993, Kauai, em 1997, Timor, em 2000, mas, sem dúvida, a viagem que mais me marcou foi a primeira vez que alguém surfou a Pororoca, no rio Araguari, em abril de 1997. Na época a gente não sabia, mas estávamos sendo pioneiros em uma nova modalidade de surfe que se espalhou mundialmente, o surfe em ondas de maré, ou “tidal bores”, como os gringos gostam de falar. A partir dali, pessoas do mundo inteiro quiseram surfar as ondas da Amazônia e, posteriormente, de outras pororocas pelo mundo.  Além de ter fotografado, fui o terceiro, junto com o filmaker Sylvestre Campe, a ter surfado uma pororoca. Quando Guga Arruda e Eraldo Gueiros caíram da onda no último dia, Sylvestre e eu pegamos suas pranchas reservas e surfamos o fim da onda. Uma foto minha saiu no livro de recordes Guinness, registrando o Guga e o Eraldo na onda.

Quais fotógrafos te inspiraram?

Os fotógrafos que me inspiram são os que me fazem querer ir pro mar fotografar. Alguns são mais antigos do que eu e outros são mais novos, o que me mantém dentro d’água por tantos anos. Do mais antigo para o mais novo: Dan Merkell, Don King, Chris Van Lennep, Clemente Coutinho, Pedro Tojal, Mateus Werneck.

Fale um pouco da relação surfe x música

Por incrível que pareça, o surfe e a música surgiram para mim na Inglaterra. No início dos anos 70, eu morava em Londres com minha família, onde eu ouvia e respirava rock todos os dias da semana. Nessa época vi surgir David Bowie, Queen, Kiss e outros astros que se tornariam gigantes. Depois de muito insistir, meus pais deixaram eu comprar uma bateria Rogers e meu irmão uma guitarra Vox, que trouxemos para o Brasil e começamos a tocar com amigos. Em 2001, durante uma viagem de surfe nas Maldivas com a minha mulher e uns amigos, comecei a compor, depois a tocar violão e finalmente a cantar e a me apresentar em palcos pelo Brasil.  O auge foi tocar com meus filhos no Canecão, tendo o Milton Nascimento na plateia, entre os amigos. Hoje em dia, reencontrei o guitarrista com quem tocava nos anos 70 e voltei a tocar bateria.

No verão de 1974, fomos até Newquay, no sudoeste da Inglaterra, e eu vi surfistas no mar.  Meu pai alugou uma prancha para mim e para meu irmão e foi nosso primeiro contato com o surfe. Fora isso, acredito que todo surfista carrega consigo trilhas sonoras, principalmente em viagens. A associação é quase natural. Se alguém filma uma onda sua, o que você faz? Coloca uma música e mostra para os amigos. Nas viagens e nos filmes de surfe, sempre tem uma trilha sonora. No mar eu penso em música e, muitas vezes, quando escrevo música, eu penso no mar. Num dia perfeito, eu surfo com os amigos pela manhã e depois levo um som até o sol se por.

Qual tua relação com o kite? Fale sobre o programa Vento Ventania.

Minha relação com o kite é parecida com a minha relação com o bodyboard. Ela se dá através do mar e das pessoas que praticam o esporte. Sou amigo de bodyboarders e kitesurfistas e acabo fotografando eles enquanto brincam ou competem no mar. O Frajola, um dos pioneiros, eu conheço desde os anos 80, da Barra.  Eu frequento o quiosque dele, que é o centro do kite no Rio. O quiosque vizinho ao seu, na praia, é do Marcelo Cunha, que eu conheci nos primórdios do kite quando fui fotografar uns campeonatos para a Red Bull e nos tornamos amigos. Ele era a estrela dos eventos, junto com o Boyzinho, outro grande amigo.

A série Vento Ventania surgiu quando o Ricardo Bocão me pediu que escrevesse umas sinopses de possíveis programas para o canal Woohoo, para ele apresentar aos sócios e investidores.  Entre os doze programas que eu criei, havia programas sobre surfe, guitarra, skate, culinária, bastidores de shows e dois sobre kite. O Bocão me pediu que juntasse as duas ideias sobre o kite em uma só e daí nasceu Vento Ventania. Produzi a série com um tom bem democrático, entrevistei profissionais e amadores de diferentes estados e diferentes classe sociais, para extrair a relação destas pessoas com o vento. Além disso, com o kitesurfe nas ondas cada vez mais parecido com o surfe, pude aplicar todo meu conhecimento de posicionamento dentro d’água para conseguir imagens muito perto da ação e reproduzi-las em câmera super lenta. A repercussão foi excelente, e assim que foi ao ar, surgiram convites para filmagens de episódios para uma segunda temporada em outros cantos do Brasil.

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