Marco Buru

Música em nome do surf

Em dúvida entre o surf e a música, Marco Buru resolveu unir as duas atividades. Foto: Arquivo Pessoal.

Surf e música são dois assuntos apaixonantes e o artista Marco Buru praticou intensamente as duas atividades. 

 

Começou cedo, aos 12 anos na música e aos 14 com o surf. Durante algum tempo não soube identificar com qual se dedicaria mais e o surf acabou prevalecendo até os 29 anos de idade.

 

Hoje ele considera-se um privilegiado por ter vivido plenamente estas duas paixões. “O surf me ensinou o amor e o respeito à natureza, a música, por meio de sua própria energia e emoção, me põe em um plano bem próximo da divindade”, diz Buru.

 

“Lembro bem, em meados de 1970 meu querido irmão Mariola, um amigo e eu cruzamos a praia da Enseada no Guarujá (SP) a pé com um pranchão Glaspac Mk3 (muito pesado) rumo à praia de Pernambuco para acampar. Na bagagem o que nunca faltou e não podia faltar era um violão Di Giorgio ano 64”, conta Buru.

 

“Era minha primeira surf trip com meu primeiro violão e nunca mais nos separamos. Até hoje ele está comigo e, por incrível que possa parecer, ainda faz um som bem bacana. Depois desta, vários acampamentos, luais e surfaris pelo Brasil atrás das ondas tiveram a companhia do meu violão. Em várias ocasiões tive o prazer de tocar com a rapaziada local ou com algum surfista amigo”, continua.

 

Sua relação entre a música e o surf é muito estreita e alguns dos amigos surfistas de sua geração viraram músicos bem sucedidos, entre eles Claudio Celso, mestre no jazz que tocou com Jaco Pastorius, Roberta Flack, Willy Nelson, Marisa Monte. Outros músicos-surfistas são José Neto (Netão), guitarrista que acompanha Harry Belafonte, e Edu Helou, grande pianista.

 

Outros nomes são Datcha Tenucci, que tocou com grandes músicos da MPB. Beto Caldas, com um trabalho em xilofone que vale conferir. A lista é grande e o mais maluco de todos é Lord K, ex-Kiko Surfboards, shaper e glasser da década de 70 e 80, que chegou a se apresentar com sua banda pelado em programas de TV.

 

Parece que o mar inspira quem carrega consigo o dom da música. Bom, o tempo passa e a produção de músicos-surfistas continua. Hoje temos Gabriel Pensador, um mestre na poesia; Armandinho, poeta do reggae. Além disso, existe um site muito bacana que divulga as bandas de surf music independente, o Hot Surfers.

 

Mas qual é o verdadeiro som da surf music? Talvez seja todo som que lembra o mar, desde a poesia até os solos de guitarras no estilo beach boys, sons havaianos, folk music com slyde.

 

Vale então fazer uma retrospectiva histórica para analisar melhor. A primeira música de surf que estourou nas paradas de sucesso mundial foi Surfin’USA dos Beach Boys em 1963. Até hoje a música é tocada e apreciada, com o som característico de guitarra que eles conseguiram impor com muita personalidade.

 

Um dos músicos atuais que mais exibem surf nas suas músicas é Jack Johnson, talvez pela sua própria história de surfista havaiano. Outros nomes que, surfistas ou não, tem como inspiração o surf são Ben Happer; G.Love, pouco tocado no Brasil mas muito bom; Donavon Frankenreiter, um mestre no folk, Tristan Prettyman (som feminino muito bom), músicos talentosos que têm como berço de inspiração as maravilhosas ondas.

 

Para finalizar poderíamos explicar como o surfista paulistano Buru chegou à música. Sua vida no surf foi muito intensa em uma época que era tudo muito selvagem. Ele e seu irmão surfaram altas ondas praticamente sozinhos, de Laguna, litoral de Santa Catarina a Saquarema Norte do Rio de Janeiro.

 

Naquela época não havia profissionalismo, a única maneira de continuar envolvido com surf seria virar empresário. Então Buru criou e participou de duas grandes marcas de surfwear no Brasil, uma delas ainda no mercado. Em conversa ele desabafa até hoje não entender porque um dos seus sócios na época não revelava o nome de Buru nas entrevistas e reportagens das quais participava. Pois como sócio-fundador teve importância fundamental na marca.

 

Mas, depois de perder duas grandes empresas para os seus sócios, resolveu tomar uma decisão radical e jogar para o alto todo conhecimento adquirido no comércio de marcas de surfwear e tornar-se músico profissional.

 

“Toquei vários anos na noite ganhando pouco, mas me divertindo muito”, comenta. Buru abriu um estúdio em São Paulo e teve a sorte de participar na produção de vários artistas renomados do cenário musical brasileiro, entre eles Titãs, Raimundos, Karnak, Toquinho, entre outros.

 

Agora o artista está com um projeto novo. Depois de tanto tempo fazendo parte de gravações e produções dos melhores músicos do Brasil, ele acumulou vivência e conhecimento.

 

“Tive uma divina inspiração e a oportunidade de gravar o meu disco Terra! Planetazul da Ilusão Vol. 1. Depois de pronto eu me dei conta o tanto de surf que ainda tem dentro de mim, como classificou um grande amigo: é um rock pop longboard surf music. E a respeito dele devo dizer que temos de ter a consciência de mantermos o nosso planeta sempre azul e cultivar a doce ilusão do amor que a vida nos traz”, finaliza Buru.

 

Para obter mais informações sobre o trabalho de Marco Buru, acesse o site Marco Buru.com.

 

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