O paraibano Alessandro Costa, 35, construiu uma nova vida no Hawaii. Há seis anos no North Shore de Oahu, ele casou-se com a japonesa Momo Sakuma e teve os filhos Kaiano e Linda Maria.
“Arretado” nas ondas do arquipélago, Alessandro ganhou o respeito entre os locais e foi destaque em revistas especializadas, principalmente pelo desempenho em Pipeline e Rocky Point.
Em 2006, o surfista saiu de João Pessoa desanimado com as competições. Preferiu sair em busca do sonho de infância: surfar as famosas ondas da temporada havaiana.
Na entrevista abaixo, Alessandro fala sobre vários assuntos como sua chegada ao Hawaii, início no esporte, localismo e os planos para o futuro.
Como foi o seu início no surf?
Meu primeiro contato com as ondas foi com o bodyboard, aos 10 anos. Continuei assim por três anos, só que de vez enquando que ia surfar. Cheguei até a comprar a antiga Fluir Bodyboard.
Tinha medo de surfar com prancha, achava que iria me machucar com o bico dela. A galera da minha rua também começou a entrar na onda de ir à praia e compraram pranchas. Foi aí que apareceu uma prancha quadriquilha que comprei de Flavio Romero (amigo de infância do mesmo bairro).
Meu primeiro dia de surf foi no Mar do Macaco (PB). As ondas estavam um pouco maiores de meio metro, perfeito para aprender. Não tinha ninguém para nos ensinar, fomos no instinto mesmo.
Lembro que fiquei realmente em pé e fui até o raso na minha quinta tentativa. Foi o máximo! Depois disso não parei mais.
Quando foi que você decidiu ir para o Hawaii?
Foi quando dois amigos, os irmãos Felipe e Felix Giusti, passaram férias com os pais no Hawaii e ficaram por lá. Eles chegaram aqui em janeiro de 2005. Ligaram várias vezes para eu ir.
No Brasil eu já tinha desanimado de correr campeonatos de surf, tinha que encontrar um rumo para minha vida profissional. Já era formado em administração de empresas e estudava para concurso. Pensei: “Poxa, não consegui me tornar um surfista profissional, vou ter que arrumar um emprego convencional”.
Encarei esta oportunidade de mudança de vida como uma benção de Deus! Sabia que teria que trabalhar pesado para me sustentar, mas estaria onde qualquer surfista sonha estar. Foi aí que comecei a me organizar para esta mudança de vida.
Quando chegou tinha lugar para ficar e onde trabalhar?
Realmente tudo foi uma benção de Deus! Quando cheguei, o Felipe Giusti já havia construído uma tremenda casa de madeira em um surf camp que bastava atravessar a rua estava no pico de Rocky Point. Parecia um sonho!
O Felipe e o Felix já trabalhavam na feira do Suwap Meet montando barracas. Cheguei em uma sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006, dia do meu aniversário de 29 anos. Acordei no outro dia sábado, às 2:30 horas da manhã e parti com eles. Acabei entrando para a mesma equipe que eles já trabalhavam. Foi perfeito.
Em que lugar da ilha você reside agora?
Continuo no North Shore, mudei há pouco de Rocky Point para Pupukea.
Já passou algum perrengue com o localismo?
No primeiro mês, em Rocky Point. Depois de pegar uma boa onda, volto para o outside e vejo um local de cara, me encarando e gesticulando, como se eu tivesse rabeado ele. Fui em sua direção e falei em um inglês bem arranhado (risos) que não era eu quem havia entrado em sua onda. Sabia que ele era um local e jamais droparia na onda dele.
Por coincidência saímos do mar na mesma hora e nos cumprimentamos na praia. Até hoje isso acontece. Aqui rola isso, os locais lhe testam para saber como é a sua personalidade. Se você amarelar eles vão montar. O que deve ser feito é encarar a situação e mostrar respeito pelo local.
Você pegou uma das melhores ondas em Pipe na temporada de 2010, certamente a melhor onda do dia entre os brasileiros. O que mudou depois disso?
Ganhei mais respeito dos locais. Tive um grande retorno de mídia para a marca Viking, minha patrocinadora. Foram duas páginas duplas em revistas, uma entrevista em vídeo de quase dez minutos para o site Waves, matéria no Globo Esporte da Paraíba, e várias matérias em sites regionais.
Agora tenho a chance de buscar um patrocínio principal, que me ajude a bancar minhas despesas. Continuo enviando e-mails na busca de um patrocínio. Por enquanto continuo na mesma rotina de família, trabalho e de surf quando tenho tempo.
Caso consiga um patrocinador principal que me torne um profissional do free surf, aí pretendo me dedicar em busca das melhores ondas do planeta e, quem sabe, me tornar um big rider para competir no circuito mundial de ondas grandes.
Fale da sua parceria com a Viking.
Estou no segundo ano de patrocínio com eles. Recebo pranchas de graça, algumas vêm da Flórida (EUA). Aqui no North Shore a Viking trabalha com o shaper brasileiro Paulo Mendonça. Minha primeira prancha de tow-in foi feita com o Jorge Vicente, outro shaper brazuca.
Recebo também um bônus bem legal em dinheiro por retorno de mídia e ajuda de custo no caso de uma trip. Ano passado a Viking fez um anúncio de página inteira com minha foto em Pipe na renomada revista Surfer Magazine. A Viking é mais do que uma companhia de prancha, é como uma família.
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