Em 1988, passei a morar em Floripa e fiquei mais longe de São Paulo, onde estavam as revistas Fluir, Hardcore e Trip, que publicavam o surf no Brasil.
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A revista Inside era editada aqui mesmo na ilha e logo estava freqüentando a Inside House ali na Trindade, trocando umas idéias com Flávio Vidigal, Panta, Ledo e a galera da redação.
Foram bons tempos. Numa das idas para a revista, fiquei sabendo de uma etapa do WQS que estava sendo patrocinada pela Mormaii e seria no Norte do Chile.
Lembrei-me de uma matéria que havia visto na extinta Brasil Surf no fim da década de 70, quando iniciei no surf, e fiquei curioso por ir nessa barca.
Falei com o Ledo e o Flávio Vidigal, então editor de foto da revista, e eles me liberaram para cobrir aquele evento.
Lá fomos nós pra Iquique, no Chile. Só que estamos falando de 1993. Já faz mais de 13 anos, pois o campeonato foi em maio daquele ano.
Naquela época, praticamente ninguém sabia do potencial do Chile; eu apenas fazia uma idéia.
Já na chegada em Iquique, algo nos chamou a atenção, e me lembro do Tinguinha também ficar perplexo com o fato de o aeroporto ser descoberto. Logo fomos descobrir que ali não chovia havia mais de 90 anos!
Bom, pelo menos fiquei tranqüilo, sabendo que tempo ruim não seria problema para fotografar o campeonato. Os brasileiros vieram em peso ao evento, mas tínhamos também o Magoo de La Rosa, do Peru, e outros hermanos mais.
No dia seguinte, ao olhar a cidade e o mar, ficamos intrigados com as ondas fortes que quebravam sobre uma rasa bancada de pedras vulcânicas.
O campeonato começava com o pé direito e a cidade parou para ver a galera detonando! Mas, o melhor estava por vir.
Passado algumas fases do evento e dois dias, o terceiro dia amanheceu storm! Ondas de mais de 12 pés havaianos varrendo o litoral. A competição teve de ser deslocada para um break ao lado. O nome: El Colegio, devido a um colégio estadual bem de frente ao pico.
O Ledo olhou pra mim e falou “capricha aí, brother, pois essa matéria vai ser capa!”. Cara, o mar estava havaiano e os surfistas todos estavam super adrenados. O surf apresentado pela galera foi de altíssimo nível e tinha de me conter no motor-drive para guardar filmes para a grande final.
E que final! Magoo de La Rosa havia rompido o tímpano, mas mesmo assim decidira continuar na final com uma proteção no ouvido e um capacete.
Teco Padaratz e Fabinho Gouveia reforçavam o show, mas a estrela brilhou mesmo para o jovem talento Tadeu Pereira, que surfou com uma base de backside impressionante e acabou levando o título da etapa.
Depois desses dias, o Chile nunca mais seria o mesmo e sua fama correria por todo o Brasil e mundo, abrindo definitivamente os olhos para essa nação como destino certo para surfistas experientes.
Da minha parte, fiquei muito feliz de ter tido a oportunidade de cobrir um campeonato épico, vender muitas fotos, publicar uma matéria de capa na Inside e ainda publicar fotos na Fluir e Hardcore, já que não havia mais nenhum fotógrafo ali!
Esse foi mais um presente de Deus na minha profissão e guardo com muito carinho as lembranças daqueles dias.
Que venha agora em 2007 o WCT. Bien venidos, hermanos…
