Minha vida agora é cool…
(meu passado é que foi trash!!!)
Venha provar meu brunch
Saiba que eu tenho approach
Na hora do lunch
Eu ando de ferry boat
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Passaporte Aeroporto de Guarulhos, São Paulo, às 2:30 da manhã do sábado, 24 de março de 2007. Pego todas as passagens e passaportes da galera para centralizar o check-in na complicada e demorada Copa Airlines.
De repente, folheando os passaportes, chamo o Carlinhos e digo: ?Como você tá `bonitinha´ aqui na foto, hein??. O cara tinha levado o passaporte da esposa em vez do dele: totalmente animal!!!
Ligações para casa, um táxi providenciado na madrugada para trazer o passaporte, duas pessoas monitorando o balcão do check-in para não deixar fechar enquanto não chegasse o passaporte do Charles.
Depois da décima segunda ligação para o motorista do táxi (e ele dizendo mais uma vez que já estava ?pertinho?) chega o Chico, que nem conhecia o Carlinhos direito e larga na lata o seu primeiro comentário: ?Pô, Carlinhos, esse motorista já deve estar pensando que além de burro você é chato pra caramba, hein??…
Monumental! A viagem começa muito bem, com esse comentário do Chico e com o Carlinhos conseguindo o cartão de embarque já com os caras desmontando todo o balcão do check-in, tirando placas, fechando tudo… somos os últimos a entrar no avião.
Cinturones de seguridad Sábado, 24/03, cerca de duas da tarde, menos de dois quilômetros depois de sair do aeroporto de Manágua com nossa van Toyota Hiace alugada. Advinha se a polícia não parou a gente?
Será que tinha algum cinto de segurança que não estava colocado? Sim, justamente o meu. Entre muitos sorrisos, gentilezas e ameaças sutis, os caras levam algumas doletas e seguimos viagem. Alguns quilômetros depois começamos a cruzar com o tráfego local: a maioria dos veículos na estrada são velhos ônibus escolares americanos todos pintados ?estramboticamente? (com certeza deve haver algum concurso nacional disputadíssimo de pintura mais original de ônibus!).
Legal (ou melhor, muito cool…). Mais legal ainda é ver em alguns deles os passageiros viajando na capota, levando porcos e galinhas… Segundo comentário do Chico: ?É lógico que o cinto de segurança só se aplica a quem viaja ?dentro? do carro. Quem viaja ?fora? do carro está liberado …?. Perfeitamente, Chinês!!!
Mansão Buscapé No mesmo dia das cenas anteriores, depois de rodar uns 150 quilômetros em direção ao Sul da Nicarágua (essa região é muito seca – ao contrário da Costa Rica e Panamá, que têm muitos rios e florestas ? e também muito pobre e muito suja, com o lixo espalhado por todos os lados), e já imaginando que iríamos passar uma semana de roubada, finalmente chegamos ao Rancho Santana, onde havíamos reservado uma casa: Uauuu!!!
Cacete! O lugar é um tipo de um ?enclave? gringo, os caras compraram uma área enorme que cobre quatro praias, cercaram tudo, organizaram, botaram segurança, limparam, fizeram hotel, restaurante, mercado, e construíram altas casas ali nas encostas. Cinematográficas. Comentário do Dr. Carlos ?Wild Kildare?, renomadíssimo aventureiro internacional, o verdadeiro inspirador do personagem Indiana Jones, ao entrarmos na ?nossa? casa: ?Cara, depois de tudo que eu já passei, nunca imaginei que eu iria morar um dia na Mansão Buscapé !?.
Para completar aquela noite tinha estrela saindo pelo ladrão, as quais admirávamos de nosso deck com vista ao mar, à beira da piscina, tomando umas cervas, ouvindo um puta som do estéreo da casa… Irreal. Surreal… ou melhor ainda, totalmente cool…!
Eu tenho savoir-faire
Meu temperamento é light
Minha casa é high-tech
Toda hora rola um insight
Já fui fã do Jethro Tull
Hoje me amarro no Slash
Minha vida agora é cool
Meu passado é que foi trash…
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Só prego! Dia seguinte, logo cedo pé na estrada, Popoyo, cerca de meia hora de carro dali do Rancho (Popoyo é bem ao lado do Rancho Santana mas para ir de carro tem que dar uma baita volta…). Sem muito swell, tinha umas ondinhas de meio a 1 metro com um terral forte e constante, abrindo pros dois lados, e, o detalhe ?cool?, só nós na água!
Quando a maré subiu o mar começou a melhorar e entraram várias séries bem boas, com ondas bem gostosas de surfar e relativamente fáceis para quem estava ainda chegando e se acostumando com o lugar. Wagão (Doble U) e Glaucon (Shane Dorian Cover) foram tentar a sorte no ?Outside Popoyo?, outro reef mais para a esquerda da praia e mais para fora (daí o nome ?outside?) e que dizem os locais que segura ondulações de até 20 pés, mas o swell estava pequeno e as ondas ali, apesar do dropão irado, engordavam demais logo depois.
À tarde resolvemos dar uma caída na praia do hotel do Rancho Santana, um beach break rápido pra caramba, com algumas séries abrindo umas direitas e esquerdas boas mas a maioria fechando geral. Este pico tem um crowdezinho razoável de gringos que gostam daquela onda ali.
Quando chegamos e vimos aquele crowd, o Wagão soltou na lata: ?Pode cair, não precisa se preocupar não porque aí só tem prego!?. Foi ele acabar de falar e um gringuinho pegou um tubaço numa esquerda, mal saiu do tubo e já mandou um 360 na parede, para terminar com um puta floater na seção final da onda.
Ao ver aquilo, o Chico imediatamente vira para o Wagão e manda o seu terceiro comentário: ?Ainda bem que você entende muito de surf, hein, Doble??????…
Pantalones Surfamos ainda mais dois dias em Popoyo praticamente sozinhos ou com muito pouca gente na água. Ondas de meio a 1,5, conforme a variação da maré (que é grande), com vento terral direto (às vezes chegava até a incomodar) e sempre abrindo pros dois lados. Maravilha!
Incidentes apenas com o Glaucão, que começava a desenvolver ali seu método ?japonês? de dropar para a esquerda e dar a virada ao contrário, voltando com toda a força para a direita. Aí, o coitado que tinha dropado para a direita via-se de repente, vindo do nada, frente à frente com o bico amarelo da sua ?Titanic?. Catzo!!! Mas, graças a Deus, não tivemos nenhuma vítima fatal desta técnica inovadora de despiste…
Um dia, depois do surf, estávamos nos trocando e guardando as pranchas no carro para encarar brevemente e bravamente uns ?pargos a la plancha? ali no restaurante da tiazinha de frente ao pico (muito fácil de reconhecê-la: é a tiazinha gorducha que anda de moto com capacete de peão de obra!) quando do terreno ao lado começamos a ouvir uns gritos de um sujeito.
O começo do que ele dizia era incompreensível mas sempre terminava com ?Pantalones!?. Pensamos que o cara queria vender calças ou bermudas e chegamos a gritar de volta ?no, gracias!?.
Depois de um tempo vem o filho dele falar com a gente que o pai estava pedindo para a gente vestir as bermudas por cima das sungas, porque ali na Nicarágua ficar só de sunga é imoral e ofensivo.
Quarto comentário do Chico: ?Que sorte a nossa que o filho do cara tava em casa. Depois de tudo que ele gritou e depois desses `no, gracias´ que vocês responderam, acho que ele entrou na casa para buscar um trabucão e mandar bala nos imorais! Sorte que o moleque tava por ali…?. Isso já é sabedoria divina, Chicão…
Segredo desvendado Tinha uns gringos com uma Toyota Prado hospedados numa casa bem perto da nossa. Várias vezes cruzávamos com eles, chegando ou saindo com pranchas no rack, mas nunca tínhamos cruzado com eles em nenhum dos picos da região. A pergunta geral do grupo era: ?Onde esses caras tão indo surfar??.
Puta curiosidade. Já tinha matado até o gato! Tanta que já estava gerando até alguns planos mirabolantes de tocaias e perseguições… Até que um dia à tarde o Chico, Glaucon e Carlinhos foram até a cidade de Rivas para encher o tanque da van e comprar alguns remédios (eu e o Boss caídos de gripe por causa do terral frio).
Na volta, resolveram tentar chegar à quarta praia, aquela que já vínhamos suspeitando que poderia ser o destino secreto de nossos vizinhos. No fim da tarde pararam no topo de um morro de onde se avistava essa praia e, já quase escuro, disseram ter visto umas linhas de espumas bem no meio dela.
No dia seguinte de manhã, saímos direto para essa praia. No meio do caminho, num trecho de mata, cruzamos com um grupo de macacos. O Wagão, superentendido em macacos (veja mais à frente o texto ?Night in the Jungle?!!!), já foi logo dizendo que o líder estava com a pata machucada. Foi acabar de falar e o macacão saiu a milhão pelas árvores. Chico no ato: ?Sabe tudo de macaco, hein, Doble???.
Chegamos à essa praia linda e lá estava a Prado dos gringos!!! Segredo desvendado. No meio da praia tem uma bancada de pedras que deve ter entre 30 a 60 metros de largura onde entram ondas “muito” boas. Se em toda a região estava quebrando de 1 metro pra menos, ali estava o famoso ?metrão?.
Esquerdas e direitas, a escolher. Na água, só os gringos da Prado, um gringo gordão que só gostava de ficar mais no inside das esquerdas e que estava hospedado num outro condomínio de gringos ali nessa praia, e um gringo velhão da Virgínia, que o Chico logo começou a chamar de ?Leôncio? (aquele personagem do desenho do Pica-Pau), que também surfava de longboard, de muito bom astral.
Esse cara estava construindo uma casa quase de frente ao pico (vai ser o verdadeiro ?dono do pico?) e dizia que o que a Nicarágua tinha de bom eram só as ondas e a marijuana. Veja você os tipos que a gente cruza por aí…
O que viemos a descobrir na água é que, além daquele pico ser espetacular, os gringos da Prado (estes sim!) eram uns baitas duns pregos, não surfavam nada. Então, juntos com o gringão doidão, Mr. Leôncio, tomamos conta do pico só na técnica, na maior boa educação!
Comentário extra do Boss: “Imaginem então como os caras eram ruins!”. Depois daquele dia não fomos mais pra nenhum outro lugar: todos os dias restantes na Nicarágua surfamos muito boas ondas nesse pico.
Teve um fim de tarde especial, com um pôr do sol fantástico no Pacífico, os pelicanos dando aqueles rasantes fenomenais nas ondas (tive até que desviar de um numa esquerda, puta susto!), só nós na água e séries de 1 metrão (aquela famosa medida brasileira!) bombando… Todo mundo feliz!!! A vida é bela!!! Deus é grande!!! Tudo ótimo e perfeito! Maravilha, Albertoooooooooo!!!!
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Que eu vou confessar my love
Depois do décimo drink
Só um bom e velho engov
Eu tirei o meu green card
E fui para Miami Beach
Posso não ser pop star
Mas já sou um nouveau riche
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Boca Barranca Nossa primeira parada na Costa Rica. O lugar não é bonito, a água é marrom por causa do rio (dizem que a água do rio é superpoluída, mas eu pessoalmente não senti assim não), e o único lugar decente pra ficar é a Pousada do Diego e da Catita (ou no resort para gringos Fiesta, muito (muito!) mais caro).
Mas que puta onda que é essa!!! Apesar de estar pequeno, meio metro, você anda muito na onda e ela é gostosa, vai abrindo, tem umas seções mais rápidas, outras pra você se acertar, uma delícia! E ainda tem o muito bom astral do Diego, da Catita, do Léozinho (filho deles) e do Leon, o melhor local.
Só dá para ficar com muita inveja daqueles relatos de Boca Barranca 1,5 metros, 2 metros… Deve ser muito alucinante! Comentário do Chico: ?Eu peguei assim no ano passado…?. Sei, Chico, acredito…
Por falar em Chico, o cara quase não fala porra nenhuma de espanhol, mas tem uma capacidade de pronunciar ?lombôrr? (longboard) e ?pecsi lai? (pepsi light) como o mais local dos locais. Então, nos dias de muito crowd, bastava ele sentar perto da gangue dos locais e soltar um ?Qué buenas olas para lombôrr!?, seguida por um ?Qué gana de una pecsi lai?, que seria naturalmente tomado por um costarriquenho de nascença!
Night in the jungle!! ?En route? para nosso destino principal, Pavones (o Wagão já estava começando a ter tremedeiras devido à síndrome de abstinência ? esta era a oitava ou nona vez que estava vindo para cá ? até a mulher da aduana no aeroporto perguntou porque ele vinha tanto para a Costa Rica…), paramos para dormir no Hotel Rio Mar, em Dominical, um hotel de holandeses de frente para o rio e no meio da selva, um lugar muito especial, sempre cheio de europeus eco-turistas de luxo (a que ponto chegamos!).
Antes do jantar, na piscina, matamos uma garrafa de rum que o Glaucão tinha trazido da Nicarágua. Então o jantar já começou animado. Aquela risadaria geral e costumeira, todo mundo de bom humor e espírito elevado, um puta rango maravilhoso e algumas rodadas de cerveja fizeram o efeito esperado: europeus escandalizados.
Foi aí, entre a sobremesa e o café, que o Wagão resolveu nos brindar com um pouco da sua ?expertise? sexual e, de um ponto de vista totalmente “metro”, começou a lançar ao ar genuínas pérolas de sabedoria, para total estupefação de todo o grupo.
Entre outras coisas, afirmou categoricamente que o comportamento sexual das mulheres, bem como suas preferências neste campo maravilhoso e sempre surpreendente da vida, estão diretamente ligados ao seu peso e tipo físico.
As bem magrinhas, por exemplo, gostam muito de apanhar. Mas não é palmadinha não, dizia o Doble U com convicção, elas gostam é de porrada mesmo! Forte! E por aí foi, fazendo um inventário completo das preferências sexuais da mulherada, para delírio total da galera. Mas isso foi só o começo. Foi bem mais tarde que o fato realmente curioso aconteceu.
Entre os diversos passeios eco-turísticos oferecidos pelo hotel, havia um chamado ?Night in the Jungle?, um passeio guiado pela floresta para observar animais de hábitos noturnos. Para ser totalmente justo devo dizer que ninguém até hoje sabe ao certo o que aconteceu naquela noite.
O que temos até o momento são apenas alguns indícios e vagas suspeitas. Sabe-se que o Wagão ausentou-se de seu quarto por algumas horas conforme testemunho do Glaucão, seu companheiro de quarto (mas ele jura que estava sem sono e foi só até a beira do rio ver a lua).
O guia da excursão noturna relatou ter notado vultos estranhos esgueirando-se na mata justamente quando se depararam com o grupo de macacos, mas que devido à escuridão não conseguiu distinguir nada. Alguns guinchos e berros medonhos foram claramente ouvidos por diversas pessoas hospedadas no hotel ao longo da madrugada.
No dia seguinte, indo a Pavones, o Wagão dormiu quase o tempo todo no banco de trás do carro, numa atitude claramente contrastante com sua alta excitação por estar enfim se aproximando do lugar mais sagrado e adorado da sua vida que mostrava no dia anterior.
E, por fim, alguns dias depois, já em Pavones, por um desses grandes acasos da vida (será que são ?acasos? mesmo?) vimos num jornal local que o ICA (Instituto Costaricense Del Ambiente) informava haver resgatado na mata próxima a Dominical uma macaca gravemente ferida.
O que intrigou os agentes ambientais do ICA e fez com que o fato virasse notícia nacional foi que apesar da extensão e gravidade de seus ferimentos a macaquinha teimava em exibir um sorriso enorme e permanente em seu rosto. Comentário do Chicão: ?Tadinha, essa devia ser tão magrinha!?…
Eu tenho sex appeal
Saca só o meu background
Veloz como Damon Hill
Tenaz como Fittipaldi
Não dispenso um happy end
Eu quero jogar no dream team
De dia um macho man
E de noite drag queen
(Samba do Approach ? Zeca Baleiro)
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Johnny Walker Red Label! Domingo, 1o de abril, mais ou menos umas 16:30, e eu estou feliz da vida sentado na minha prancha no line-up de Pavones esperando sobrar uma ondinha pra mim.
Tão feliz que as ondas não estarem lá essas coisas, ter um puta crowd dentro d`água e um sol de rachar mané, nada disso me abala. Feliz, primeiro, por poder estar de volta a essa onda e a esse lugar tão especiais, depois de chegar a Pavones há dois anos atrás com uma costela fissurada por uma pranchada em Dominical e só conseguir dar uma quedinha aqui, só pra sentir o gostinho, aí a costela começou a doer tanto que acabei tendo que voltar para casa e ficar 40 dias de molho. Eu estava de volta e isso me fazia muito feliz! E, em segundo lugar, naquele dia fazia exatamente 12 anos da morte do meu pai. Doze anos são um ciclo astrológico completo, hora de recomeçar tudo outra vez, de uma maneira diferente.
E aí, de repente, o sol se escondeu atrás de umas nuvens e aquela claridade mágica me fez sentir forte a presença dele, parecia que ele também estava curtindo muito que eu estivesse ali.
Ele sempre foi um puta curtidor, um cara, diríamos hoje, totalmente cool… Naquela noite primeiro liguei pra minha mãe, pra dizer o que tinha sentido, pra fazer ela feliz também. Aí, fomos jantar a galera toda no ?Castillo de Pavones? (lá no alto, vista linda, lua cheia ? mas não vá que os preços são roubada!).
Em homenagem ao “seu” Romeu, meu pai, paguei pra todos uma rodada de Johnny Walker Red Label sem gelo (do jeito que ele tomou a vida inteira), e daí em diante foi só delírio. Rimos tanto que os outros clientes e as garçonetes do lugar devem ter achado que estávamos todos cheiradaços…
Mas a única droga que rolou nessa viagem foi ?felicidade?… Comentário do Chico: ?Cara, nunca vi o Boss assim desse jeito!?.
Swell Na segunda-feira o mar já começou a melhorar à tarde, para já ficar bem bom na terça com ondas de 1,5 no pico. Porém, a seção entre o rio e a esquina fechava bastante e eram poucas as ondas que davam para conectar inteiras desde o pico até a prainha dos barcos (mais de um quilômetro de extensão quando isso acontece).
Então as opções eram surfar do pico até um pouco antes da esquina ou então esperar as séries maiores bem no meio entre o rio e a esquina e aí surfar a onda até o fim. Todo mundo pegou altas e o crowd dos gringos este ano parecia estar bem mais amigável do que há dois anos.
Na quarta-feira o mar subiu ainda mais e muitas ondas conectaram toda a extensão, proporcionando um puta show tanto para quem estava na água quanto para quem assistia de fora. Destaque especial para a argentina Laura Pecoraro, que vive em Pavones há vários anos, surfa muito essa menina!
Glaucão ?Dorian Cover? cavou um lugar no crowd do pico e não saía mais dali ? pegou muitas, boas e grandes (na quinta e na sexta já entravam várias séries acima dos 2 metros). Rodrigo ?Claquete? também surfou bem ali no pico nestes dias, com boas ondas, mas minha maior lembrança dele foi a série inteira e enorme que pegou ele no inside na quinta-feira. Puta chacoalhada!
Chico foi outro que ficou bastante no pico, muitas vezes rabeando uns caras e fingindo que não tinha nem visto (malandrinho o garoto!). Apesar disso, surfou muito bem o Chicão! Mas o que ele mais gostava mesmo era de dar umas rabeadas na gringa pré-histórica (que figura essa gringa!), ele ia ao orgasmo nestas ondas!
Alê ?The Boss? variou bastante, ora no pico, ora no rio, ora na esquina, e fiel às suas características surfou muitas (!!) ondas, exibindo seu estilo ?Pedro Muller? para uma ampla platéia internacional. Wagão fez valer sua condição de ?quase local? e pegou ondas excelentes, as melhores ali no mesmo ponto em que eu tinha escolhido, entre o rio e a esquina.
Foi numa dessas horas em que estávamos juntos por ali que passa por nós o Dr. Carlos ?Wild Kildare? numa puta onda boa, rápida e abrindo, que ele fez até o fim na prainha dos barcos. Era a primeira vez que ele conseguia conectar toda a onda.
Dali a pouco o Dr. volta remando com aquele sorriso enorme, pára ali um pouquinho, comentamos um pouco da sua onda e aí ele já saiu no maior gás remando direto pro pico em direção ao Glaucon Dorian, num momento em que tava quebrando grandinho, mais que 2 metros. Comentário maldoso do Wagão: ?O Dr. pegou uma boazinha e já tá se achando!!!?…
Minha onda Na noite de quarta para quinta feira caiu uma baita tempestade, chuva forte, muitos raios e trovões. Não sei porque naquele dia acordei pilhado ao extremo. Antes das 5 da manhã já estava na praia, de capa, o dia ainda escuro e debaixo de chuva, olhando o mar, que estava cada vez melhor.
Pouco depois das 5 eu já estava na água, absolutamente sozinho, meio enlouquecido. Uns 30 minutos depois aparecem o Wagão e o Glaucon acenando na praia para que eu saísse: como o mar estava grande íamos para um secret dentro do golfo que um local tinha dado a letra para o Wagão.
Chegamos naquele lugar maravilhoso e realmente havia ondas excelentes, um pouco menores que Pavones, mas abrindo até mais e também muito extensas. Boss e eu fomos checar em frente ao pico e havia apenas seis caras na água.
Nos pusemos no lugar deles (surfando tranqüilos entre poucos amigos, numa puta onda, num lugar lindíssimo e vendo chegar de repente “sete” longboarders) e resolvemos não cair ali, numa espécie de consciência ?surfo-ecológica? (rsrsrsrs!), afinal todos somos responsáveis por manter o equilíbrio da espécie…
Voltamos pra Pavones. Nessa caída, na quinta-feira, posicionado ali entre o rio e a esquina, esperando só as séries maiores que entravam bem por fora da esquina, já peguei uma onda muito boa, dentre várias legais. Mas foi só no dia seguinte, na sexta-feira, nosso último dia, que a paciência em manter esse posicionamento foi render seus frutos.
Ou melhor, para mim, o meu mais doce fruto. Com o mar ainda crescendo, algumas séries entrando cada vez maiores e mais para fora, na terceira onda de uma série bem grande que por pouco não varreu a gente se não remássemos forte para fora, fiz valer minha preferência no pico e remei forte e decidido (o Wagão perto de mim louquinho para que eu não conseguisse entrar para que ela sobrasse para ele mais à frente).
Que onda! Apesar de rapidíssima, para mim parecia que estava em câmara lenta. Andei muito, seções lindas à minha frente, só preocupado em não fazer nenhuma cagada, ficar a favor da onda (e não contra ela) e dar muito gás no meio daquele silêncio ensurdecedor.
O surf é uma diversão sem igual mas sem dúvida é também algo muito mais profundo. Tem certamente alguma coisa espiritual e primitiva, que vem e bate e fica reverberando no fundo da sua alma num momento desses. Será que algum dia alguém vai conseguir explicar essa sensação em palavras? Esse ?flutuar? além do espaço e do tempo…
Sei lá, só sei é que saí gritando muito dessa onda lá no fim dela, mais pra lá ainda dos barcos. Saí do mar, sentei numa pedra na praia e agradeci a Deus, a tudo e a todos por aquele momento. Tanta adrenalina, tanta coisa que passa na cabeça, parece um filme.
Nem quis mais voltar pra água outra vez. Ali pra mim tava encerrada a viagem com fecho de ouro. Essa cena então não tem comentários, só flash-backs (?floating down / through the clouds / memories come rushing / up to meet me now / but in the space between the heaven / and the corner of some foreign field / I had a dream !?). Totalmente Pura Vida!!!
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Tocando em frente Os dois momentos mais críticos ao escrever um texto são sempre o primeiro e o último parágrafos. No primeiro você precisa introduzir o leitor na sua história com um estilo que o faça se interessar a continuar lendo aquilo.
Então se você chegou até aqui é porque de certa forma fui bem sucedido no meu título e no meu andamento. Já no último você tem que achar as palavras certas para concluir toda a história que foi contada de uma maneira que faça o leitor ?pescar? as idéias e sentimentos ali contidos.
Confesso que tentei várias vezes e nenhuma delas estava me agradando. Já estava ficando preocupado e aborrecido. Além disso, o editor já estava meio que impaciente com a demora na entrega da matéria.
Então, um dia, viajando sozinho a trabalho pelo Centro-Oeste do Paraná, entre Cascavel e Guarapuava, depois de um dia e uma noite inteira de chuva intensa, a manhã ainda chuvosa e cheia de neblina, estava com um CD do Almir Satter tocando no som do carro.
De repente, lá pelas 10 da manhã, o tempo estiou, um sol tímido começou a brilhar, aqueles vales verdes, verdes, muito verdes do Paraná, alguns ainda cheios de neblina lá em baixo, naquele momento maravilhoso quando você sente que apesar de todas as dificuldades e tristezas a vida é muito bela e vale a pena, essa música começou a tocar.
Apertei o botão do ?repeat? e deixei ela tocando seguida por bem mais que uma hora. Neste tempo cantei junto, gritei, ri muito, quase chorei, lembrei de tanta coisa e tanta gente diferente (tanta coisa boa e bonita que deixamos por dizer ou fazer depois ? depois quando?) e finalmente percebi que tinha encontrado um bom final para esta estória.
Afinal, neste mundo globalizado em que o portunhol já começa a se mixar com o spanglish, em que a gente abre uma matéria numa revista de surf com um samba (que puta heresia!), por que não arrematá-la talvez com uma toada sertaneja?
Se tudo é possível, as múmias fedem e os coelhos fodem, aqui vamos nós então, sempre ?tocando em frente? (de Almir Satter e Renato Teixeira):
Ando devagar porque já tive pressa
Levo este sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor para poder pulsar
É preciso a paz para poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada
Eu vou
Estrada eu sou
Todo mundo ama, um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom
De ser capaz
De ser feliz
…
Como dizia (rindo) a Janis já há muito tempo, “that’s it!!!!!!!!!”
(Nos vemos lá na Baleinha!!!)
Alexandre Andreatta ? Abril/Maio 2007
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Ficha Técnica
Direção Geral, Total, Absoluta e Incontestável Alexandre Gonçalves ? The Boss
Assessoria ?Psicótica? do Boss Alexandre Andreatta ? Tio Xan
Diretor de Transportes e Logística (vulgo ?Chofer?) Francisco Massei ? Chico
Renomado Aventureiro Internacional Carlos Homsi ? Dr. Wild Kildare
Figurinos Wagner Martinez ? Wagão ? Doble U (com o patrocínio de ?Sexy Machine?)
Stunt Man Glaucon Pereira ? Shane Dorian Cover
Claquete Rodrigo Boaventura – Zulão
Diretor de Fotografia Chico (dono da máquina)
Fotografia de Verdade Rodrigo (talento!)
Roteiro Dr. Wild Kildare (com monitoramento GPS !)
Pilotagem 4×4 Extreme Dr. Wild Kildare (só em caso de extrema necessidade)
Maquiagem / Perfumaria / Hair Stylist & Fashion Consultant Wagão
Metrosexual Approach Wagão
Tio da Balinha Xan
Câmera Vídeo Wagão
Personal Câmera Man do Boss Wagão
Trilha Sonora Xan
Narração e Comentários Chico
Enciclopédia On-Line Xan
Tradução Simultânea em Portunhol Wagão (Bolachones y Copones !)
Diretor do Fundinho (caixinha) Glaucão
Diretor do Fundão (van) Glaucão
Melhor Drop Estrela Wagão
Melhor Drop Pelicano Rodrigo
Melhor Drop Jesus Cristo Wagão
Comissão Julgadora de Saltos Ornamentais toda a equipe, em revezamento
Prêmio Pecsi Lai (melhor onda) Xan em Pavones
Prêmio Victoria Lai (pior onda) a comissão julgadora se declarou incompetente para definir um vencedor diante do alto nível demonstrado por todos os competidores neste quesito!
Prêmio Jaws (banheiro mais insuportável) Chico em Dominical (concedido por unanimidade)
Prêmio Joseph Klimer (aquele que nunca desiste) Dr. Charles, na Nicarágua ? mais de 12 tentativas seguidas de pegar uma onda (tá no filme!)
Prêmio Caldão Master Brastemp Rodrigo em Pavones
Prêmio Comgás Rodrigo e Glaucão
Nosso Ídolo Walter da Julia (Doble V) ? surfa todo dia, usa ?aquela? bermuda com cinto e ainda põe a mulher pra trabalhar pra ele
Corintiano Maloqueiro da Porra (sempre tem um) Chico
Mala Italiano da Cantina
Frasqueirinha Italiana (ex-Cantina)
Agradecimentos Ao Sidão da Niastur, organização perfeita, tudo beleza, baita atenção. O cara é bom! Ao Diego e à Katita, da Pousada Boca Barranca, gente finíssimas até quando estão com a casa totalmente cheia. À Júlia e ao Walter, do Hotel La Perla, de Pavones, sempre maravilha! Aos funcionários do Rancho Santana e à polícia da Nicarágua, supereficientes e atenciosos quando fomos roubados (resgataram o óculos querido do Chico em menos de 24 horas!).
Aos cariocas Ricardo, Zé e Caio, nossos vizinhos no La Perla, pelo laptop para copiar os filmes do Steve ?Beer?. À Pura Vida, plena, geral e irrestrita! À todas as nossas maravilhosas esposas, pelo espetacular alvará!!! E à galera da barca, 15 dias juntos em sete caras sem nenhum stress! Só alegria e sem chavão! E eu que não gosto de viajar em grupo…
Porradaria Na Merdz. Quando chegamos a Nicarágua e fomos pegar o carro que tínhamos alugado, eu e o Boss, e vi que era um carro da Merdz, comentei com ele: há dois anos tive um puta arranca-rabo com essa empresa por causa de um problema no parabrisa (uma longa história).
Nunca mais peguei carro dessa arapuca internacional. No check-in do carro a atendente disse que o seguro ?total? que havíamos contratado não cobria ?ni vidrios ni neumáticos? (o que já é um absurdo já que se diz que o seguro é ?total?) e que se quiséssemos poderia ser contratado um seguro à parte.
Lembrando da minha histórinha prévia com a Merdz e considerando que estando na América Latina a possibilidade de um ladrãozinho quebrar o vidro do seu carro na praia para levar alguma coisa é de quase 100%, contratamos o seguro extra de ?vidrios?, assim no plural.
Alguns dias depois o inevitável aconteceu e quebraram um vidrinho lateral da nossa van. Conseguimos ainda um tipo de Boletim de Ocorrência da polícia local. Quando vamos devolver o carro nos dizem que ?aquele? vidro não estava incluído no seguro.
Alguns dias depois chega uma cobrança no cartão do Boss de US$ 595 por aquele vidrinho de merda que não deve custar nem US$ 50 (confira na galeria de fotos). Parece então que este tipo de comportamento dos franqueados da Merdz é uma prática comum em diversos países.
Só o que podemos fazer é dar o alerta a todos: quando viajar (e nós surfistas viajamos pra caramba e sempre precisamos alugar carros, então devemos representar um bom faturamento pros caras) nunca alugue carro da Merdz, porque, como o próprio nome diz, com certeza vai dar alguma merda! Quem avisa amigo é!
Nota da Redação Alexandre Andreatta é o editor fundador da revista Fluir. Atualmente, “Xan” trabalha com importação de semente de batatas da Holanda e do Chile e renasceu para o surf com longboard.
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