
Francisco Carneiro, correspondente do Waves Check Camboriú e Itajaí, fez uma barca de sonho para o México, onde pegou algumas das melhores ondas de sua vida.
Neste relato, ele conta como foi a viagem e dá as dicas para quem quer se aventurar nesta região repleta de mistérios e ondas de muita qualidade.
Quando alguém fala sobre o México, muitos pensam logo em Puerto Escondido. Mas, a verdade é que com grande extensão da costa virada para o Pacífico, são várias as opções para o surfe.

Assim desenrolou a minha recente viagem a este país, onde o surfe profissional e o incentivo ao esporte e aos locais ainda não se tornou realidade.
Durante trinta dias pude percorre quatro regiões distintas da costa oeste. De Michoacan a Colina, descendo até Oaxaca, passando pelo estado de Guerrero.
A primeira parada ocorreu na praia de Nexpa, onde o surfe vem proporcionando mais uma fonte de renda para os nativos, além da pesca. O surf surgiu por lá no início dos anos 80, quando ainda não havia surfistas locais na praia.

Desde então, o vilarejo ganhou luz elétrica, surgiram mais cabanas para hospedagem e alguns restaurantes – três no total.
Apesar do notável crescimento, é intensa a preocupação dos nativos com a preservação, e como conseqüência, a essência do local permanece a mesma, com de sessões surfe iradas pela manhã e muito sossego durante as tardes embaladas ao som do violão do Michael, texano radicado no pico há mais de dez anos, uma figura lendária no mundo do surfe internacional.
Nos vinte dias que estive por lá as ondas variaram de 3,5 metros a 1,5 nas séries. O pico

é simplesmente o paraíso, esquerdas perfeitas para o padrão Brasil, quebrando em um fundo totalmente de pedras.
A água é quente, e o surfe acontece na companhia dos irmãos locais Mario e Flaco, que se esforçam para manter o respeito no outside entre os vários surfistas de nacionalidade diferentes alucinados com a perfeição das ondas e a magia do local.
Durante todo o tempo as ondas não deixaram a desejar em um só momento, fazendo com que ficasse com a minha 6,5 no pé.

Parti em direção a Pascuales, um point break distante sete horas ao norte no estado de Colina. A viagem durante o dia revelou paisagens impressionantes, praias e mais praias completamente desertas, ora de areias brancas ora escuras, com falésias enormes e rios perenes vindos das montanhas, formando barras e paisagens deslumbrantes à beira mar.
Foi ali que me recordei de uma conversa com Michael, quando eu perguntava qual o melhor pico de ondas da região. Ele respondia “… não sei! São vários os picos….nem mesmo eu sei ou conheço todos. Depois de mais de vinte anos por aqui, quem sabe você não venha a descobrir

mais um por aí. E então venha me dizer, você mesmo, qual a onda mais perfeita que tenha surfado”.
Chegando em Pascuales, as ondas me lembraram bastante a praia onde vivo atualmente, Brava de Itajaí, ondas rápidas e tubulares quebrando próximas à praia.
Hospedei-me em um dos hotéis da região com uma turma de norte americanos. À noite, o papo rolou solto enquanto lá fora explodia a maior tempestade de toda a minha estadia – muitos raios rasgando os céus e trovões fazendo a terra tremer.
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No dia seguinte a surpresa: ondas de 2 metros tranqüilamente nas séries, com um lip bastante grosso amedrontando todos que pretendiam surfar. A condição não estava muito boa, apenas os bodyboarders caíram no mar depois de algumas horas de observação.
Foi aí que resolvi retornar a Nexpa, o point break de esquerdas onde tinha feito bons amigos… Cheguei ainda a tempo de fazer o final de tarde, apenas com os dois únicos locais surfistas que não paravam de dizer que estava clássico como durante a manhã.
Aquele foi o melhor mar que peguei na região, ondas de até 3,5 metros perfeitas quebrando por uns 500 metros. Em direção às cabanas, no meio

da praia… Inesquecível!
Tudo pronto para descer até Puerto Escondido onde encontraria meu irmão. Passando por Acapulco, por acaso e incrível coincidência topo com meu irmão, coisa de cinema, filme de ficção. Se tivéssemos combinado, não teria ocorrido…
Michael, o californiano, havia me dado alguns toques sobre a quem procurar em Zicatela, o local Coco Levis e o brasileiro Chico – que não
estava no pico, voltara ao Brasil para competir em jiu-jitsu.

Puerto Escondido sempre um sonho e a realidade do desafio de descer as grandes ondas… A internet apontava um swell de 10 a15 pés a caminho para os próximos dias.
O swell não entrou com perfeição esperada por Coco Levis, mas proporcionou altas ondas durante os 10 dias que passei por lá, com sessões de surfe iradas em la Punta, ondas de 6 a 8 pés perfeitas…seção de tubo, manobra conectando no inside passando ao lado nas pedras… quem já surfou por lá sabe como a onda é boa.
Depois de passar dois dias no pico, as condições melhoraram e pude fazer a cabeça surfando

ondas com 10 a 12 pés de qualidade em Zicatela.
De acordo com os locais, o mar não estava perfeito, mesmo assim deu para sentir o gostinho de botar para baixo em boas direitas.
Após esta sessão, a galera local veio trocar idéias, reconhecendo a simplicidade e a maneira como eu havia surfado nesse dia, e me perguntando de onde eu vinha, e se havia ondas grandes onde eu morava.
Expliquei que em Santa Catarina, que alguns pensavam ser somente uma ilha, quebram boas ondas e em Itajaí, às vezes, com bom tamanho, lembra Puerto Escondido, e que eu devia minha confiança no mar às boas sessões da praia Brava

de Itajaí.
Fui convidado para participar de um campeonato que aconteceria lá, mas aí eu já estaria voltando para casa.
Pouco mais ao sul de Puerto Escondido, durante os dois dias de swell quando Zicatela não oferecia condição de surfe, pude surfar uma grande direita, a melhor que vi nessa temporada no México.
O pico é simplesmente alucinante, a praia linda e ondas impressionantes. E as ondas….. Excelentes, com três sessões de puro tubo e

manobra, indescritível… mas esta já é outra historia e quando puder contarei mais…
Puerto Escondido e Nexpa são passagens quase obrigatórias para um bom surfe. Nexpa, na sua beleza ainda inexplorada e com seus locais que me fizeram sentir em casa.
Deixo aqui meu testemunho do maior aprendizado que uma viagem dessas pode oferecer: respeitem o local e os locais, façam amizades com o povo nativo, não queiram pegar todas as ondas no pico de uma só vez, cheguem na boa com calma, deixem a ansiedade de lado.

Esta é a maneira, creio eu, pela qual as experiências positivas irão se multiplicar e abrir caminhos em nossas vidas, para que façamos bons amigos e representemos o nosso país da melhor forma possível, de maneira educada e saudável.
Garanto que assim as boas ondas virão na seqüência.
A todos aqui no Waves, boas ondas e boa sorte. Aloha.
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