Depois de quase 18 horas de vôo, três horas de Kombi e 10 de barco, finalmente chegamos à área conhecida como Playgrounds.
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Saímos do Hawaii numa segunda-feira e somente na sexta feira conseguimos surfar as primeiras ondas desta surf trip.
A ondulação estava bem de Sul e a direita de Rifels estava funcionando muito bem. Ondas de 6 pés bem extensas, tubulares, pesadas e perfeitas: assim descreveria a cena que serviu de resposta para as dúvidas e interrogações que passaram pela minha cabeça durante a longa viagem.
Por alguns momentos, cheguei a questionar se todo o esforço e o desgaste físico, fora a boa grana investida, iria valer a pena.
Sair do conforto de casa e despencar para o outro lado do mundo com mulher e filho para pegar onda? Mas, aquelas primeiras ondas perfeitas que vimos parecia ser a confirmação de que tinha feito a coisa certa.
Nesse mesmo dia, antes do pôr-do-sol, depois de ter surfado altas ondas ao lado da minha esposa Cláudia e dos meus amigos – e ainda ver meu filho Keale, de 10 anos de idade, surfar as melhores ondas de sua vida junto com outros três meninos que estão em nosso barco – tive a certeza de que essa teria sido realmente uma das melhores decisões que havia tomado.
Estava a bordo do “Melaleuca?, um iate indonésio de 80 pés, junto a uma galera muito gente boa, como o meu vizinho no Hawaii Cezinha e seu filho Kona Oliveira, de 9 anos, Yuri Soledade e seu pupilo Ian Gentil, 11 anos, o bodyboarder Guigo e seu filho Tehei Spencer, 12 anos.
Fora eles, Chico e Joca, dois free surfers brasileiros que moram na ilha de Maui, e Antônio Leão, carioca que entrou no lugar de Danilo Couto, que desistiu da trip no último minuto.
Ficamos na área de Playgrounds por mais um dia. As ondas estavam um pouco menores e a direita de Riffels não estava funcionando muito, mas, em compensação, a direitinha de 4 Bob’s estava clássica e as crianças mais uma vez se divertiram como nunca.
Ian Gentil estava destruindo e mostrou porque está sendo apontado como um dos melhores surfistas da sua idade nos Estados Unidos. Ficou conhecido entre os locais da área como “John John’s Brother”.
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Depois disso, partimos em direção a Lances para pegar um novo swell que estaria por chegar. No caminho, demos um confere em “Bintang”, uma direita que não quebra com muita freqüência, mas nesse dia até estava valendo a caída, e foi o que fizemos por algumas horas.
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No dia seguinte, logo cedo, ancoramos o barco em Katiet, bem de frente às famosas direitas de Lances. A maré ainda estava um pouco vazia, mas não demorou muito para começar a encher e deixar as ondas cada vez maiores.
Essa combinação fez com que o mar ficasse clássico, era o novo swell que tinha chegado e volta e meia entravam umas ondas sólidas de 8 pés. Eram poucos os que estavam colocando pra baixo.
Quem achava que Lances Rigth era uma onda fácil com certeza mudou de opinião depois dessa sessão. Eu, particularmente, que moro há anos no Hawaii e estou acostumado a ver e a surfar ondas um pouco mais fortes, fiquei impressionado com o power das ondas naquele dia.
Mesmo com as ondas perfeitas, a maioria dos barcos que ali estavam foi indo embora e, como não havia ninguém hospedado no Katiet Villas, pois o surf camp havia sido destruído pelo grande swell que entrou em maio, demos a nossa última caída praticamente sem ninguém na água.
Apenas alguns dos integrantes do nosso barco estavam no pico e esse foi o momento que, sem dúvidas, mais aproveitamos: ondas clássicas, com um bom tamanho, literalmente sem ninguém.
Antes do pôr-do-sol, também resolvemos partir, dessa vez em direção a Macaronis. Já tínhamos surfado todas as direitas que queríamos e agora seria o momento de pegar as esquerdas.
Achávamos que em Macarronis encontraríamos um outro grupo de brasileiros que estaria a bordo do Indies Trader 4, o mais luxuoso barco das Mentawaii, que foi fretado por uma galera de free surfer de São Paulo. Entre eles, também estariam os surfistas profissionais Renan Rocha e Zé Paulo.
Foram algumas horas de navegação, mas no dia seguinte estávamos em Macaronis. Novamente pelas primeiras ondas que vimos, sabíamos que estávamos prestes a ter mais um dia épico de surf.
Havia apenas um “chart boat” na área e alguns veleiros pequenos ancorados na baía de Macaronis. Como o resort também não estava funcionando, o crowd não era dos piores. As ondas estavam perfeitas, com algumas séries de até 6 pés e quase nenhum vento.
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Achei muito boa a atitude das crianças do nosso barco, que entraram no mar e conseguiram surfar algumas ondas intermediárias.
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Um dos momentos mais insanos do dia foi quando o nosso companheiro de barco Tony Leão botou pra baixo na maior onda do dia, mostrando que substituiu bem o nosso big rider Danilo Couto.
Porém, a onda era tão buraco que Tony não conseguiu sequer virar na base e foi arremessado com violência ao reef, saindo com as costas em carne viva.
Enquanto Tony tratava do ferimento no barco, o surf não parava de rolar e, sem dúvidas, uma das melhores performances estava sendo a do baiano radicado em Maui, Yuri Soledade.
Yuri estava em total harmonia com o pico, pegando várias ondas da série e passando por dentro de vários tubos, alguns deles bem longos.
Claro que depois de um dia como esse, a nossa única opção era ancorar o barco no local mais próximo e esperar pra ver o que aconteceria no dia seguinte.
Logo cedo, percebemos que as ondas tinham abaixado e não estavam tão boas como no dia anterior. Fora isso, entrou logo um vento maral e por volta das 10 horas da manhã já estávamos a bordo do Melaleuca, prontos para voltar a Lances.
Infelizmente, as condições estavam muito ruins. O forte vento maral estava estragando quase todos os picos de surf da região e, depois algum tempo no mar, estávamos de volta a Playgrounds, onde começamos a trip.
Tínhamos checado quase todos os surf spots no caminho, mas as ondas estavam muito pequenas. O único lugar que conseguimos surfar foi em Telescops. Tinha quase 1 metro de onda, bem inconsistente, mas, sem dúvidas, bem melhor do que onde estávamos ancorados no momento.
Fomos checar a previsão do surf no Kandui Resort, único lugar com internet da região. Lá encontramos a Silvana Lima junto à equipe da Billabong e da “Surfaid International”.
As previsões de surf não eram das melhores: as ondas continuariam pequenas durante o resto da nossa trip e o vento continuaria maral. O único lugar em que conseguimos encontrar algumas ondas era em Pit Stops, uma direitinha perfeita, mas muito marola, que ficou famosa depois do filme “Fair Bites”, que mostra Taj Burrow destruindo esse lugar.
Esse era o pico favorito das crianças, que surfavam praticamente o dia inteiro, enquanto os adultos ficavam relaxando na linda praia, tomando água de côco, aproveitando o visual maravilhoso e lembrando das incríveis ondas que surfamos no início da trip.
É nessas horas que a saudade de casa aumenta, e foi naquele momento que caí na real de que geralmente não percebemos quando as coisas boas começam, mas o engraçado é que sabemos exatamente quando elas terminam. Mesmo não querendo acreditar, sabia que nossa viagem havia chegado ao fim.





