
Depois de revirar velhos álbuns, percebi que tenho boas fotos e histórias dos anos oitenta. Então decidi publicar uma série de artigos intitulada “Recordar é viver”, sobre as viagens e investidas que tive a oportunidade de fazer mundo afora. Uma trip para a ilha do Kauai inaugura a série e espero que seja inspiradora para os internautas…
Em janeiro de 1981 tive a sorte de embarcar para minha primeira temporada de inverno no Hawaii. Eu já conhecia a ilha desde 1976 (mais sorte ainda), quando fui com o meu avô no mês de julho. O verão havaiano no South Shore é um
sonho para um surfista de 13 anos.

Fundos de coral e ondas de 1 a 2 metros em Number Three’s, Kaiser’s bowl e Ala Moana (raramente por causa da maldade do crowd) são picos na medida certa.
No inverno de 1981, aos 18 anos, passei um mês no North Shore, onde assisti Renan Pitangui, Roberto Valério, Ianzinho e Valdir Vargas se destacarem nas ondas grandes. Enquanto isso, Ricardo Bocão, Rico de Souza e Otávio Pacheco já eram nomes conhecidos e considerado pelos locais.
Fiz uma biquiha 5’8” com Heitor Fernandes, a melhor maroleira da minha vida, que juntamente com uma Gerry Lopez 6’8” e uma Tom Parrish 7’9” (comprada do ‘Lucha quantas vai’)

formavam o meu quiver. Passei um mês no Kauai (terra do Andy Irons) e definitivamente me transformei para sempre.
Hanalei Bay é um lugar (e uma onda) que somente indo até lá pessoalmente para conferir o show. Tunnell’s e Cannon’s são picos animais. Soube de tubarões que volta e meia estão por ali, mas todo paraíso tem seus vilões.
Descobrimos Kalihiwai, uma direita que quebra encostada numa montanha vertical de uns 30 metros de pedra vulcânica preta. A onda tinha um bowl estilo a bolha do outside de Waimea
(em dimensões menores) e era muito boa no
inside, encostada no paredão.

Lá, sempre que eu estava saindo, pegava umas marolinhas excelentes, tanto em Kalihiwaii quanto na prainha no meio de Tunnell’s e Cannon’s. Ali tinha uma caverna sinistra do outro lado da estrada.
O lado oeste da ilha tinha altas ondas, clima seco (Army Beach) e no caminho um cânion (tipo Waimea Canyon). Coisa de filmes como a Ilha da Fantasia ou King Kong (Kauai foi o cenário destes filmes).
O big rider Laird Hamilton, na época um moleque, era localzão de lá e foi bem sacana conosco, os haoles. Um dia sua turma murchou os pneus do nosso carro em frente ao pico de Tunnell’s, igual fazem de vez em quando

por aqui.
O Kauai é chamado de “a ilha jardim”, um lugar lindo que reúne ondas mágicas, grandes e pequenas. No verão dizem que dá altas no lado sul da ilha e tem um pico chamado Acid Drop. Não é à toa que o Andy Irons surfa tanto assim nas ondas grandes e nas marolas.
Laird Haminton também passou sua infância no mesmo playground. Êta ilhazinha “porreta”. Quem puder conferir o pico, aproveite… Mas vá maneiro, porque os locais têm um bom motivo para ter tanto xodó da ilha. Que pico mágico…