Por favor, alguém me diga com sinceridade que achou que Gabriel Medina perdeu esse campeonato? Alguém me diga que o tubinho espremido do Julian Wilson e mais três manobras sem expressão mereceram uma nota maior do que 8 pontos?
Mesmo com o maior do bom senso, mesmo com todos os tira-teimas, replays, puxa-sacos etc, não deu para engolir. A praia pouco aplaudiu, os comentaristas tentaram explicar o inexplicável, os de rabo preso saíram de fininho e simplesmente sumiram de circulação.
Mas nós não, ainda estamos aqui, nem preciso ver, rever, considerar, hoje não tem conversa, o veredito é unânime: aconteceu um erro bizarro na final do Rip Curl Pro em Portugal.
Aqui tentamos tomar um certo cuidado para não melindrar as marcas, as entidades, até mesmo os atletas, mas se não colocarmos a cara pra bater, o surf ficará conhecido como um esporte forjado, forçado, triste.
Muita gente que, em um passado recente, declarou que não acompanharia mais o WCT, aos poucos se redeu ao talento mágico de Medina, à raça de Mineiro e à algumas outras proezas do time brasileiro.
Estava ficando gostoso novamente de assistir, torcer, vibrar, seguir etc. Vejam as redes sociais, em menos de um minuto, se Gabriel Medina postar uma foto, seja ela qual for, os “likes” passam de 100 rapidamente. Ao final do dia chegam perto de mil.
Não só por causa dessa tietagem, claro, mas o carisma e o espírito de querer ganhar, nós vemos que a maioria desses caras enche a boca pra falar que é brasileiro, que mesmo ganhando uma grana boa, que eles sabem que estão representando não só uma marca, uma prancha, sua praia e sua família, esses caras sabem sim que se eles dão tudo de si dentro da água, que nós aqui de fora percebemos isso e mandamos a positividade máxima também.
Ver Medina inconsolável declarar que mesmo com os erros que isso o faz ter força para dar o melhor de si é lindo, mas ao mesmo tempo triste. Declarar estar “conformado” com o erro sucessivo é complicado, não queremos mais ser o “água mole pedra dura…”, não queremos mesmo, já deu. Se for assim vamos demorar mais quanto tempo para termos um campeão mundial na primeira divisão?
Enquanto os noves valerem sete para nós a conta nunca vai bater. E principalmente nos momentos decisivos, onde o mundo todo está vendo, isso com certeza tira o crédito da entidade máxima do surf e toda a pirâmide que vem abaixo dela.
Não é por que era em Portugal não, onde nossos patrícios torciam declaradamente para os brasileiros, pois nas baterias anteriores, aplaudiram demais os atletas australianos e americanos, mesmo na semifinal entre Julian e Mineiro, os público vibrou demais com a espetacular apresentação do australiano.
A praia ficou apática, os aplausos foram tímidos, não tem enganação, todo mundo viu, todo mundo sentiu.
A perda da prioridade no último minuto foi crucial? Sim, foi! O “claim” do Julian foi crucial? Muito provavelmente sim também. A bateria ainda estava aberta, o australiano é um competidor perigosíssimo, está na famosa “graças dos juízes” e qualquer tubinho meia boca poderia virar o resultado.
O julgamento (dito subjetivo), analisando todas as ondas da bateria, analisando o tubo para esquerda de Medina, muito mais profundo e longo e comparando com o tubo espremido de Julian e as três manobrinhas triviais na finalização da onda, aonde que a onda do gringo valeu mais do que a do brasileiro, aonde?
O tão repetido critério, que diz que ondas acima de 8 pontos entram como excelentes, não deixa dúvida: não teve nada de excelente na onde de Julian. O tubo foi espremido e curto, as manobras mais meia boca impossível, a onda nem era uma craca da série e a conjunção desses fatores não teve nada de excelente. A única coisa que foi excelente nessa onda foi o “claim” do ozzy que foi digno de protagonista de novela das 9. Coloquem e “Carminha” em cima da prancha então, e soltem logo um 10, que tal?
Não adianta, vamos ficar aqui explicando o inexplicável. Analisando o óbvio e isso só nos causará mais frustração por mais um triste fim, talvez o mais calamitoso que eu já tenha visto desde que estou vivo.
Acho que nem o Sunny Garcia socando seus oponentes de bateria dentro da água e no palanque foi tão absurdo quanto o que vimos hoje.
Medina, você não levou, mas ganhou. Nós sabemos disso, o mundo sabe disso, até quem deu aquela nota absurda para o Julian, sabe disso. Estamos contigo, garoto!
Pra cima deles Brasil, vamos continuar a acabar com o sossego deles dentro da água!