
A carioca Maya Gabeira, 18, tem se destacado na temporada havaiana com atitude e disposição para encarar ondas de responsa em picos do North Shore como Waimea Bay.
Mas, para chegar ao Hawaii no rip e botar para baixo, Maya ralou algumas temporadas na Austrália e Indonésia.
No final do ano passado, ela partiu para o arquipélago havaiano e agora já treina forte para disputar uma prova do WQS, sonhando com o momento de surfar Pipeline com apenas mais três garotas na água.

Aventureira e destemida, Maya Gabeira é a nova colunista do Waves. Ela contará suas experiências pelo mundo atrás de ondas perfeitas e fortes emoções. Aloha, Maya, bem-vinda à turma do Girls Only.
Minha primeira paixão foi o balé, que comecei a praticar aos quatro anos de idade e durou até os 14.
Quando comecei a namorar e andar com amigos que surfavam, a paixão se transferiu imediatamente e entrei para a escolinha do Arpoador, onde comecei a surfar de funboard e depois de seis meses passei para a pranchinha.
Tive que vencer o medo do mar, ganhar intimidade com as ondas e investir na natação. Aos 15 anos, fiz um intercâmbio de sete meses na Gold Coast, Austrália.
Saía todos os dias cedo para surfar e me apaixonei de vez pelo mar. Lá as ondas são perfeitas como eu nunca tinha visto antes. Em abril de 2003, voltei ao Brasil e comecei a competir no Rio de Janeiro.
Em 2004, viajei com meu treinador para Bocas del Toro e Santa Catalina, Panamá, e Pavones, na Costa Rica. No período tive muita dificuldade para conciliar o surf aos estudos, até que terminei o segundo grau em outubro de 2004. Aí, pude finalmente sair à procura das ondas perfeitas.
Mas, tive que prometer aos meus pais que retomaria os estudos e prestar vestibular. Com a cara e a coragem fui para o Hawaii onde conheci a Kátia e o César, que vivem no Hawaii há dois anos. Eles me acolheram e me apresentaram às ondas do North Shore.
No final da temporada voltei à Austrália, aluguei uma casinha e dessa vez fiquei com amigos. Esperei ansiosamente até o dia 10 de abril, quando completei 18 anos e, com o dinheiro que economizei, realizei meu grande sonho de chegar à Indonésia. Já não precisava mais das autorizações dos pais para me deslocar mundo afora.
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A Indonésia foi uma experiência marcante em todos os sentidos, inclusive para aprender a falar um pouco a língua local, pois a comunicação com o povo local era muito difícil.
Sofri um acidente no mar com a prancha, mas isso tudo foi compensado pelas ondas perfeitas. Comecei minha trip em Bali, onde permaneci por um mês e depois parti para a ilha de ASU.
Fiquei por lá durante três meses treinando direto em ASU, Bawa, Lagundri e Nias.
Eu e meus amigos fomos o primeiro grupo brasileiro a chegar lá depois do terremoto.

Nos últimos dois meses fiquei em Bali e G-land. Em outubro passado voltei para casa e foi emocionante rever minha família depois de um ano fora.
Passei um mês descansando, me alimentando bem, treinando forte e cuidando da saúde. No entanto, a falta do surf me deixava triste e apreensiva.
No fundo sabia que voltaria logo para mais uma temporada. Com o total apoio da minha família e da minha assessora Claudinha, voltei ao Hawaii no dia 1 de dezembro.
Agora, faltam 10 dias para o começo do Pipe Girls, segunda edição do campeonato feminino que rola em Pipeline, Hawaii.
A janela de espera começa no dia 1 de marco e vai até 14. Neste ano, o campeonato vale como etapa do WQS. Desde quando cheguei ao Hawaii, tenho treinado muito e nos últimos dias mudei o foco para o campeonato.
Sempre que tem onda surfo em Pipeline pelo menos duas vezes ao dia. Tenho corrido e malhado cinco vezes por semana. Isso mantém o rip e estou me sentindo bem preparada fisicamente e muito animada. Será um privilégio surfar em Pipe com mais três meninas na água.
O crowd em Pipe é muito pesado e isso dificulta muito o treino. Mas, nada que paciência e disposição não resolvam. Vou me concentrar em surfar o melhor possível e não desperdiçar a oportunidade de pegar as séries. A expectativa é grande e agora só resta treinar!
Além de viajar pelo mundo e surfar ondas perfeitas, neste ano pretendo compartilhar minhas experiências com todos os amantes do esporte.