Maracaípe alto-astral

Este é um depoimento masculino sobre um evento exclusivo para meninas. Bom, gostaria de começar dizendo que, quando digo meninas, é porque não importa a idade.

 

E olha que disparidade era grande, mas todas atletas possuem surf na veia e, com isso, serão eternas meninas.

 

Cheguei em Pernambuco na quinta-feira (28/08), com a atleta Elisa Costa, de quem sou técnico. Meu amigo KaKá, surfista local de Pernambuco, nos apanhou no aeroporto e rumamos direto para Maracaípe.

 

Assim que chegamos, já fui presenteado com aquele maravilhoso visual. Começa aí nossa barca. Já descalço, a primeira providência foi trocar de roupa, pois o calor era intenso. Analisamos o mar e seguimos direto para a pousada de Tia Celina para deixar as malas e ir surfar.

 

Depois do alongamento, entramos na água. Uma hora de free surf para reconhecimento da vala estava programado. Na seqüência começamos uma seção de dois treinos técnicos para aprimorar a performance de Elisa, explorando suas melhores manobras para aquele tipo de onda.

 

Boas ondas foram surfadas e, com a cabeça feita, foi dado início ao primeiro treino. Quando sai da água para me posicionar na areia, reparei naquele pôr-do-sol, em que o sol se escondia por detrás dos coqueiros. Foi neste momento que realmente me dei conta de onde estava. O paraíso, pode se dizer.

 

Já viajei bastante e lá, com certeza, é um dos lugares mais bonitos que já fui. O treino terminou e o dia também. Mais tarde na pousada, jantamos a típica macaxeira e o caldinho de Sururu no restaurante da Mônica, tradicional do local.

 

Aliás, só eu porque Elisa ficou no açaí. De volta à pousada, estava me preparando para dormir, quando fui surpreendido pela informação de que não teria campeonato no dia seguinte porque os ônibus que levavam competidoras do Sul e Sudeste do País estava atrasado. A primeira chamada do campeonato seria dada ao meio-dia da sexta-feira.

 

Às 6:30 da manhã da sexta, acordamos com o sol forte e fomos surfar. As ondas tinham melhorado um pouco, pois a maré seca pela manhã fez com que abrissem mais do que no dia anterior. Depois, na minha opinião não importava a maré, as condições do mar estavam difíceis para todos.

 

A esta altura havia várias competidoras na água, era por volta das 10:30 horas e resolvi  sair para tomar meu café e depois observar todas as meninas trabalhando… ou surfando?

 

É pessoal, só coloquei este ponto de interrogação para ressaltar o profissionalismo de muitas meninas, inclusive algumas até muito responsáveis pela idade que têm. Isto só comprova o amadurecimento cada vez maior, com ótimos exemplos como Jacqueline Silva, Andréa Lopes, Tita Tavares, entre outras. 

 

Bom, o café estava show. Depois de muito iogurte com mel, voltei para a praia. O ônibus ainda não havia chego e a preocupação da galera começou a aumentar. Muitas ondas se passaram e as condições do mar se alteravam muito rápido. Inclusive, era preciso tomar cuidado com o crowd que só aumentava no decorrer do dia.

 

Vale destacar a performance da potiguar Alcione Silva. Ela realmente amou a vala, e com muita velocidade e fluidez surfou como a verdadeira campeã mundial que é.

 

No final de tarde, já com o sol mais baixo e bem posicionado, fotos de ação puderam ser feitas. Clemente Coutinho estava preparado, assim como Rick Werneck.

 

Alto nível de surf, batidas, floaters e rasgadas, para todos os lados. Direita, esquerda, de front ou de backside. Show!

 

Com certeza o campeonato teria alto-nível. Ia quase esquecendo das meninas no ônibus… elas chegaram. Logo o mar estava ‘overcrowded’.

 

Quando voltei para a pousada, encontrei as atletas que chegaram da Europa: Silvana Lima, Taís de Almeida, Tita Tavares e Jaqueline Silva. Todas felizes por estar de volta em casa e com a mala cheia de histórias pra contar. Pedro Robalinho (equipe Cades), técnico da Silvana e Taís, também estava junto com elas e compartilhava da mesma alegria, afinal Silvana acabava de ganhar seu primeiro – de muitos títulos internacionais que virão.

 

Fui para meu quarto e, quando abri a porta, logo notei que a capixaba Yries Pereira havia chego. É lógico, afinal quem mais conseguiria fazer tanta bagunça com uma mala tão pequena. Durante à noite, eram só conversas e mais conversas sempre acompanhadas de muitas risadas. Só alto astral para o começo do campeonato.

 

Na manhã de sábado fui cedo à praia checar as condições. O mar estava difícil. Voltei para pousada, tomei meu café e fui acordar as meninas. Rapidamente, fomos para o surf antes do campeonato. Com muita gente na água, não pudemos surfar muito.

 

O campeonato começa. Na categoria Profissional, as Top-8 da Abrasp só participariam do evento a partir da terceira fase. Ou seja, só entrariam na água no domingo.

 

Muitas baterias foram realizadas no primeiro dia, várias passaram e outras não, mas mesmo assim todas continuavam na praia para ver as melhores surfistas do País reunidas, trabalhando. Como os destaques foram muitos, ficaria aqui escrevendo muito, então resolvi não citar ninguém.

 

O dia termina mais uma vez com um lindo pôr-do-sol e seu azul. Fiquei até escurecer, pois Yries estava treinando e fiquei ali para vê-la surfar.

 

Elisa e Luiza foram antes para a pousada, pois tinham avançado na competição e queriam descansar. Quando a luz acabou, voltamos para pousada também. Dessa vez fomos até Porto de Galinhas para jantar. Passei algum tempo na cidade e voltei pra Maracaípe e fui dormir.

 

O domingo amanheceu com algumas nuvens escuras que logo foram embora. Com vento forte o dia das finais chegaram. Com o passar da competição mais pessoas chegavam à praia e ficavam observando o desempenho das competidoras. Os destaques deste dia ficaram com muitas meninas, mas agora, com o número mais reduzido, permito-me enfatizar algumas delas.

 

Como sempre, para mim, Tita Tavares será uma das favoritas em qualquer evento que esteja inscrita, não importando as condições do mar, seja meio metro mexido ou ondas tubulares de dois metros. Tita é uma atleta muito simples e dedicada que, com certeza, merece muito respeito por tudo que já fez e ainda vai fazer pelo Brasil.

 

Silvana Lima é outra. Que fase, que momento ela está passando. Essa surfista está revolucionando tudo no surf feminino. Sou testemunha não só do aéreo que ela mandou na final pra garantir o título da etapa, mas também de vários outros que vi de dentro e fora d´agua.

 

Essa menina eleva cada vez mais seu nível de surf. O que mais impressiona é sua raça e determinação por vencer.

 

Já Alcione Silva, quebrou desde sua primeira bateria até o final do campeonato. Jaqueline Silva também surfou muito bem com seu power backside attack.

 

Outra menina de destaque foi Krisna de Souza, campeã na categoria Open. Surfando de frontside para as esquerdas de Maracaípe, ela arrancou aplausos da galera na final em que quebrou.

 

Outra menininha que deve ser enfatizada é a vencedora da categoria Mirim, a potiguar Diana Cristina, que fez final na categoria Open. Essa ai vai dar muito trabalho. Realmente nosso País é uma fábrica de talentos. No Longboard, Mainá Thompsom mostrou muito surf e estava lá para vencer.

 

Depois da entrega dos troféus, rapidamente as meninas que vieram de ônibus tiveram que arrumar suas malas, empacotar sua pranchas para voltarem. Uma correria só. Tudo certo, só restou para galera que ficou comemorar e curtir junto aquele alto-astral.

 

Por fim, gostaria de elogiar o excelente trabalho da organização do evento realizada pela Layla Werneck e todo pessoal da ABRASP, como Pedro Falcão, Marcelo Andrade e Bochecha. Não poderia esquecer também de Olavo Aguiar, presidente da Federação Pernambucana de Surf, que sempre estava na correria para ajudar a todos.

 

Para conferir a galeria de fotos, clique aqui .

 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.