Os mapas de previsão na internet da semana passada anunciavam a chegada de um swell gigante para as últimas quinta e sexta-feira.
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No entanto, o swell passou e deixou todos que se mobilizaram para ir atrás das ondas grandes a ver navios.
Fui para Ubatuba na certeza de pegar boas ondas. Eu e meu parceiro no tow-in, Flávio Boca, caímos na praia Grande para uma session de treino, mas as ondas deixavam a desejar.
De dentro d?água dava pra sentir que a ondulação já girava para Sudeste – o termômetro é quando as esquerdas do meio da Grande começam a funcionar.
No fim de tarde dei uma caída na Vermelha do Norte, mas minha cabeça tinha como certa uma esquerda tubular mais ao Norte, onda rara de quebrar, mas tudo indicava que ia rolar. Pouco vento e ondulação de Sudeste.
No sábado acordamos às 6 horas da manhã, enchemos o carro de pranchas e fomos em direção ao pico. Na chegada vimos uma série cinematográfica de esquerdas bombando perfeitas com baforadas em todas as ondas. A euforia foi geral, todos se prepararam e fomos direto pro outside.
As ondas quebravam com cerca de 2 a 2,5 metros e era tubo atrás de tubo. Havia três cabeças no outside: Odirlei ?exterminador dos Irons? Coutinho, o jovem Matheus Toledo e Cleiton ?cabeleira? Nunes.
Boca resolveu cair de 7?7 e na hora eu até ri dele, achei um exagero, mas o cara vinha lá de trás em braçadas sólidas e começou a colecionar tubos muito profundos. Odirlei esbanjou experiência nas morras e arrebentou, mostrando que está com o surf no pé.
Tivemos também a companhia ilustre de Josil Mandacaru, exímio tuberider e mestre do estilo, e mais dois surfistas locais. Domingo era dia das mães e o mar prometia. Chegamos bem cedo e as ondas estavam com quase o mesmo tamanho do sábado, só que mais tubulares e mais perfeitas.
Na minha primeira onda peguei um tubão de grab rail e saí seco. O Boca entrava pelo canal e viu por trás. Depois chegaram Alexandre Moliterno e Alexande Costinha, outro mestre na arte de entubar. Foi tanto tubo que não dá nem para contabilizar. A galera local também botou pra baixo.
Também se destacaram o Pedrão, que surfa direto em Itamambuca, o Maurício Abud, o Luizão, Josil e eu, que aproveitei para fotografar a galera nos intervalos entre as caídas. E olha que fiz quatro baterias em cada dia, com intervalos de 30 minutos. O número de pranchas quebradas foi impressionante, quase todos quebraram uma.
Mas o recorde ficou com o Costinha, que partiu três pranchas, duas dele e depois uma que pegou emprestada do Moliterno. Outra lenda viva do surf que apareceu de surpresa foi Ricardo Toledo, bicampeão brasileiro profissional. Ele foi buscar o filho Matheus, que pegou muito tubo e mandou vários aéreos.
Ricardinho chegou sem prancha e nem queria cair. Insisti e emprestei uma das minhas para ele, que na primeira onda pegou um tubão e saiu seco. Só faltou um fotógrafo dentro da água para registrar os tubos mágicos.
Foi um típico mar clássico de outono. Ficamos até o fim de tarde, quando o mar ficou ainda mais perfeito e supertubular. No fim quase todos deram o cano no almoço do dia das mães, era impossível ir embora.

