Lucas Nogueira vence Rio Super Pro

Rolou no último final de semana, 10 e 11 de maio, a primeira etapa do Circuito Estadual da Federação de Bodyboard do Estado do Rio de Janeiro (FEBBERJ)
          

O que se pode dizer desse campeonato: simplesmente perfeito. Pela primeira vez um evento móvel foi realizado no Brasil. É a busca de valorizar o atleta, o esporte e a comissão técnica. O maior reflexo disso foi a total comunhão, o que realmente pode dar certo: alguns dos maiores atletas do Brasil e do mundo, boa premiação, altas ondas, bom público, mídia nacional e total retorno a todos.

A iniciativa da FEBBERJ, através do seu presidente Alexandre “Cobra” Siqueira, conseguiu fazer um dos melhores campeonatos dos últimos tempos, com um sistema de baterias inovador e competitivo, que foi uma das chaves para o sucesso.
       

No meio da semana já se sabia que um swell estava por vir, deixando todos de prontidão para os possíveis locais de realização do campeonato. Na sexta feira, o swell atingiu o seu auge. Sábado: sudoeste fraco, ondulação de sudeste… Mar com onda de 1,5 a 2 metros em algumas praias, tempo nublado. Foi decidido pela comissão técnica e atletas o melhor pico: o postinho, na Barra da Tijuca. Começou então, o show e as surpresas, com baterias de triagens que tiravam o fôlego.

 

A grande surpresa foi a eliminação do hexa campeão mundial, Guilherme Tâmega, que encontrou um Leonardo Leite inspirado, com uma boa escolha de ondas, ao contrário de GT, que apesar de ter conseguido a melhor onda da bateria (8,5), não soube administrar o pico. Talvez a proximidade da viagem para o Super Tour o tenha  deixado relaxado demais… Boa sorte GT!!

 

Destaque no sábado para Hermano Castro, Leonardo Teixeira, Lucas Nogueira, o amador Felipe Malik, Anderson de Sousa… E também a todos os outros. Foram baterias muito casca grossa. Era tudo uma preparação para o que estava por vir no domingo.
      

Domingo: ondulação de sudeste virando para leste.Tamanho: um metro e meio, algumas séries de 2 metros, vento: uma leve brisa de leste. Tempo: um lindo domingo de sol no dias das mães.

Melhor pedida: São Conrado canto esquerdo. Havia alguma dúvida , alguns ainda cogitavam a barra, por garantia de ondas. As séries estavam fechando muito e somente algumas ondas abriam. Mas a experiência da comissão Técnica e alguns locais, apostaram em um lugar que poucas vezes decepciona os bodyboarders.
 

Logo na primeira bateria, os dois que caíram mostravam o que iria acontecer. Guilherem Ximenes mostrou porque é um dos maiores bodyboarders do país, talento que já o levou a conquistar um segundo lugar no mundial do Rio. Venceu a bateria dando um show de manobras aéreas e pesadas, conseguindo vencer Elissandre “Goró” Varella em uma disputa emocionante, onde Goró também pegou muito, mas as ondar realmente subiram para Ximenes

E assim seguiam as baterias, cada vez mais disputadas. O mar melhorando, o vento parando, o sol abrindo… E bicho pegando! Quem vai esquecer a bateria de Zé Otavio e Guilherme Ximenes!? Zé Otávio com o joelho destroncado, proibido pelos médicos de competir, fez com Ximenes uma das melhores baterias do campeonato. Pegou uma esquerda de mais de um ,etro e meio, dropou  com perfeição e agressividade e voou em um aéreo perfeito. Nota dez unânime. Ximenes dá o troco tirando um tubo animal, nota 9 e executando manobras radicais em todas as ondas. ARS, rollos aéreos. Zé Otávio não conseguia pegar a segunda onda excelente, mas mantinha a primeira colocação, pois o dez fazia a diferença. Até que, faltando 1 minuto vem a onda. Uma craca pesada, quase impossível de dropar. Ximenes bota pra baixo, cola na parede e tira o tubo mais animal do campeonato virando a bateria. Foi de tirar o fôlego e soltar o grito de todos na praia.

 

E o mar continuava melhorando, ondas rápidas, com tamanho e velocidade. Mostrando quem é quem. O capixaba Lucas Nogueira veio voando baixo, deixando para trás todos os adversários com baterias sólidas, manobras radicais, muita coragem e disposição. Seu maior adversário foi Leonardo Teixeira, que havia eliminado o campeão estadual André Guaraná em outra disputa emocionante, a bateria de Lucas e Leo, foi marcada pelos erros de Lucas Nogueira e muitas ondas tomadas na cabeça. Mas quando é o dia do cara, não tem jeito. Faltando 30 segundos do final, sobe a salvadora, Lucas desta vez não desperdiçou. Voou em mais um Back Flip alucinante, salvando a sua ida para a final.

O melhor ainda estava por vir. A semifinal entre Juninho e Guilherme Ximenes,
foi sem dúvida a melhor bateria do campeonato. Juninho abriu com um back flip alucinante, tirando logo uma nota 8. Ximenes deu a resposta, cavando forte em uma excelente onda, mandando um ars animal. Ganhou nota 9. Ximenes ainda pegou outra onda boa. Juninho deu o troco, com suas cavadas fortes e manobras potentes. Isso tudo com altas ondas rolando. Sem vento, sol e toda a imprensa na praia. Vale destacar a presença do ator da Globo Erick Marmo, que veio acompanhar o seu esporte de coração e ainda deu uma caída. Bodyboard na veia!

De repente, como que por encomenda, sobe a onda: 2 metros. Um triângulo lindo, com uma parede abrindo. Juninho no pico. Ele dropa, cava, pega muita velocidade e manda um back flip animal. O melhor que já vi na boca de um tubo. Caiu na parede da onda e finalizou com um rollo. Nota 10 unânime e a melhor onda do campeonato. Fez também a melhor média. Juninho mais uma vez emocionou a todos na praia, mostrando que não pode nos privar sua presença nos campeonatos.
 

Juninho e Lucas.Os dois melhores do evento, sem dúvida, tinha que ser a final. Uma final que, se não teve o mesmo brilho e o ritmo alucinante das outras baterias, foi pela falta de ondas. E foi uma bateria mais nervosa também, os dois atletas não queriam perder. Luquinha abriu logo com um back flip, ficou só um pouco preso, mas pegou a parede, imprimiu velocidade e explodiu em um ars muito forte: média 8,5. Essa onda foi fundamental, pois foi o teto da bateria e não houve outra igual. Juninho ainda conseguiu achar alguns back flips, mas a expectativa de uma onda para virar, atrapalhou a sua estratégia. Os dois apresentaram surf de campeões.

O formato de duas ondas mais uma vez valorizou os melhores. Não teve jeitinho. Só passou quem realmente mandou, e isso fica cada vez mais óbvio em boas condições de onda. Lucas Nogueira saiu vencedor. Juninho foi o segundo. Foi um show.

 

Resultados do Rio Super Pro 2003:

 

1 Lucas Nogueira (ES)
2 Paulo Juninho (RJ)
3 Leonardo Teixeira (RJ)
3 Anderson de Souza (ES)
5 André Guaraná (RJ)

5 Guilherme Ximenes (RJ)

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