Lobitos, perfeição peruana

Lobitos é mais uma das longas, perfeitas e vazias esquerdas do Peru à disposição dos brasileiros que querem gastar pouco e surfar ondas de qualidade garantida. “La garantia soy yo”, que passei o mês de junho por aquela parte do mundo.

 

Bienvenidos a Lobitos

 

Dirigindo pela carretera Panamericana norte, há dois acessos: km 1104 ou km 1102. Por qualquer um você chega numa guarita do exército e deve se identificar.

 

A onda de Lobitos fica dentro de uma área petrolífera, por isso a intervenção militar no controle do lugar. Não se esqueça do passaporte! Sem ele, sem surf. Diferente do resto do mundo, leve as pranchas bem à vista. Carros de surfistas não são revistados.

 

Essa prática peruana me inspirou a sugerir que os policiais de Ubatuba passassem uma temporada em Lobitos, absorvendo essa conduta. Mas, de volta à realidade brasileira, já desisti de sugerir qualquer coisa. Imagina o tapão que eu iria levar.

 

Carros sem pranchas são revistados na chegada e na saída. Isso por que os militares temem qualquer tipo de sabotagem ou roubo de equipamentos. Passada a guarita são 10 quilômetros até o mar por um deserto nada convidativo, portanto, vá com alguém que conheça o caminho.

 

Las olas

 

As ondas em Lobitos variam de 2 a 8 pés. E independente do tamanho é uma onda fácil, pronta para receber surfistas experientes ou iniciantes. A entrada na água, gelada o ano todo por influência da corrente de Humboldt, acontece junto às pedras que estão do lado esquerdo da praia. E também é moleza – pra não dizer ridícula.

 

Com qualquer tamanho está lá você, de cabelos secos no outside. No mar, até fazer a curva do horizonte, existe uma infinidade de plataformas petrolíferas. E na praia há tubulações por todo lado que transportam gás natural. Não deixa de ser um pouco adrenalizante saber que tudo pode ir pelos ares enquanto você, feliz, espera pela próxima série.

 

O pico recebe melhor as ondulações de sul e sudoeste, predominantes no outono e inverno. Com um swell de 2 metros, na maré baixa, é possível surfar ondas de até 200 metros de extensão com muitas manobras e, quem sabe, uns tubos. Mas também quebra com ondulações de norte, características do verão no extremo norte do país.

 

Dentro da área de Lobitos existe uma cidade fantasma. O povoado, construído por pescadores peruanos e ingleses que foram trabalhar com a extração de petróleo no início do século passado, foi um dos mais evoluídos do país, contando até com um grande cinema.

 

Porém, com a tomada do poder pelo governo militar e a instauração da ditadura peruana, todos os ingleses e demais estrangeiros foram expulsos do país. Sobraram as casas, os galpões e as histórias.

 

Dónde hospedarse

 

A melhor opção, sem dúvida, é se hospedar em Mâncora (km 1162 da carretera Panamericana norte) e ir passar o dia em Lobitos. Isso custa algo como US$ 10 por pessoa. Não deixe de levar água e comida. Na micro-vila de Lobitos só tem refrigerante e bolacha. Durante muitos anos a única opção para ficar em Lobitos era acampar na praia. Mas por ser uma área militar, não é muito seguro armar sua barraca por lá.

 

É meio contraditório isso, mas os próprios militares, talvez por absoluta falta do que fazer, gostam de “pregar peças” nos turistas.

 

Hoje em dia existe um albergue em Lobitos, de frente para o pico, mas segundo Paul, nosso guia em Mâncora, não tem luz ou água, as refeições são sinistras, o quarto é gelado à noite e os colchonetes (sim, não há camas) são infestados de pulgas. Hahahá!

 

Roubada máxima! Mas a opção é sua. Em Mâncora as diárias variam de US$ 5 a US$ 30, no albergue de Lobitos é possível dormir por US$ 1. O que, convenhamos, com frio e pulgas, tá caro demais. Mas se você não tem medo de nada e vai ficar no albergue, por favor me mande fotos e descreva a “coçante” experiência.

 

Enfim, assim como as outras excelentes ondas do Peru, Lobitos está próxima do Brasil e merece ser visitada. Na região existem outras ondas perfeitas, é só procurar um pouco e sufar até cansar as pernas.

 

Abraço e boas ondas!

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