Tubarões do Recife

Livro desmistifica ataques

 

Capa do livro “Mitos e verdades sobre os ataques de tubarões no Recife”. Foto: Divulgação.

No dia 22 de julho deste ano, a estudante paulista Bruna da Silva Gobbi, de 18 anos, morreu depois de sofrer um ataque de tubarão na praia de Boa Viagem. Ela estava há três dias de férias no Recife (PE). 

 

Bruna foi a segunda vítima a morrer este ano, entrando nas estatísticas como a 24a vítima fatal de um total de 59 ocorrências. Os números são da Secretaria de Defesa Social do Estado de Pernambuco (SDS/PE), do qual faz parte o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões – CEMIT. 

 

Antes deste incidente, o último ataque em Pernambuco aconteceu em 25 de maio, quando José Tavares da Silva, de 41 anos, desapareceu na praia da Enseada, no litoral sul do Estado. 

 

Ele havia bebido, não sabia nadar e foi arrastado ao fundo pela correnteza, antes de ser atacado, e o corpo encontrado três dias depois. Em ambos os casos, as vítimas ultrapassaram as recomendações do SDS/CEMIT de não tomar banho além dos arrecifes de corais.

 

Apesar do medo que costuma alarmar a população a cada nova ocorrência, com repercussões negativas na imprensa local e nacional, ataques de tubarões são possíveis de serem evitados. 

 

O medo e a desinformação levam as pessoas à crença de que existe uma superpopulação em Boa Viagem, que os tubarões atacam porque estão com fome ou que é impossível tomar banho nas praias urbanas da Região Metropolitana do Recife.

 

O livro “Mitos e verdades sobre os ataques de tubarões no Recife”, publicado pela Vedas Edições, informa ao leitor da realidade, longe do “achismo” e do alarmismo que norteiam as discussões sobre o assunto. 

 

Em 89 páginas, a obra traz um balanço dos oito anos do CEMIT, tendo à frente o ex-presidente da entidade, Fábio Hazin, um dos mais renomados especialistas em tubarões do Brasil, e mostra em números que houve redução dos ataques.

 

O livro explica como e por que acontecem os ataques, os diversos fatores que causaram o problema, além de questões polêmicas sobre a identificação dos ataques pelo IML, as notificações dos casos, os projetos de redes e das telas de proteção, entre outros assuntos pertinentes de interesse da população local e dos turistas.

 

O objetivo do livro é oferecer à sociedade todas as informações que a oriente tomar banho de mar com segurança nas praias urbanas da Região Metropolitana do Recife. 

 

Apesar das ações de pesquisa e monitoramento do CEMIT desde 2004, ano da criação do comitê que reúne diversas entidades, o problema dos tubarões não tem solução. “Vamos ter que conviver com os tubarões como acontece em alguns lugares do mundo”, alerta Fábio Hazin, no capítulo 3.2. Ele refere-se à Flórida (EUA), África do Sul e Austrália, onde a ocorrência de ataques é um problema endêmico há décadas.

 

A desmistificação que o livro se propõe é mostrar que essa convivência é possível e, neste caso, convivência não quer dizer “viver juntos” e sim “nunca encontrá-los”. Eles estão ali, em seu habitat, nadando num canal profundo que passa paralelo à praia e é preciso respeitar os limites dessa vizinhança.  

 

“O tubarão morde o banhista porque ele se aproxima. Quando você evita esta aproximação, evita-se o ataque”, ensina Fábio Hazin, no capítulo 13. Para isso, a recomendação é clara e básica: não ultrapassar as barreiras dos arrecifes. “Nas áreas protegidas por arrecifes você não tem ataques de tubarões”, garante Hazin.

 

O livro encontra-se disponível em bancas de revistas da Região Metropolitana do Recife e nas livrarias Cultura e Saraiva (pode ser encomendado a partir de outros estados). 

 

Para maiores informações acesse a página da editora no Facebook ou entre em contato pelo Twitter do autor: @arnaudmattoso

 

Arnaud Soares Mattoso é jornalista pernambucano, morador do bairro litorâneo do Pina. Mitos e Verdades sobre os ataques de tubarões no Recife é o seu oitavo livro, o segundo pelo selo VEDAS Edições. 

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