Ian Cairns

Legend crava Medina

 

 

Ian Cairns durante o ASP World Masters 2011 no Arpoador, Rio de Janeiro (RJ). Foto: © ASP / Cestari.

Em entrevista ao jornalista Cesar Calejon, do site Radkid, o australiano Ian Cairns, fundador da ASP e um dos pais do surf profissional, fala sobre a sua carreira, os rumos do surf profissional, o Brazilian Storm e afirma: “Gabriel Medina vai ser campeão mundial em 2013!”. Confira abaixo entrevista com esta lenda do surf.

 

Qual é o seu nome completo, data e local de nascimento e onde você mora atualmente?

Walter Ian Cairns. Moro em Laguna Beach, Califórnia (EUA), mas ainda considero Margaret River como a minha casa. Nasci no dia 24 de julho de 1952. 

 

Você é uma lenda do surf, conte-nos sobre a sua carreira, desde os primeiros dias até hoje, onde você surfa atualmente, a ASP etc.

 

Ian Cairns aprecia a atitude dos brasileiros e acredita num futuro título de Gabriel Medina. Foto: © ASP / Cestari.

Sou seis vezes campeão estadual na Austrália. Também por equipes, em 1970 e 1972. Surfei profissionalmente entre 1972 e 1981. Fui campeão mundial do Smirnoff Pro, em 1973, no Hawaii, e número 2 no ranking IPS (International Professional Surfing, entidade anterior à ASP), em 1976. Também fui duas vezes campeão da World Cup, em 1976 e 1980, também no Hawaii, além de campeão do Duke Kahanamoku, em 1975. Tive cinco vitórias no World Tour. Agora pego de SUP e planejo surfar para sempre.

 

 

Você também é considerado um dos pais do surf profissional. O que você acha do surf profissional hoje? Como você avalia o trabalho da ASP hoje em dia?

Fundei a ASP em 1983, para ajudar o surf a crescer e prosperar, oferecendo assim um ótimo lugar para jovens surfistas desenvolverem suas carreiras profissionais. Com o contrato que o John John conquistou recentemente, por exemplo, eu acredito que este objetivo foi conquistado com êxito. As novas mudanças para 2014 podem ou não ser boas para o surf, mas é importante procurar mudar e crescer. A indústria do surf é a rede de segurança para o surf profissional.

 

Quais são seus surfistas favoritos? Por quê?

Os que surfam com power em ondas radicais. Nat Young, Shaun Tomson, Mark Richards, Tom Curren, Tom Carroll, Sunny, Kelly, Parko e agora John John e Gabriel. Surfistas de energia que podem surfar as ondas mais radicais com estilo e controle.

 

Quais são seus surfistas favoritos brasileiros? Por quê?

Fábio Gouveia, pela fluidez, Adriano, pela paixão, e Gabriel pelo talento de campeão mundial. 

 

Você sabe que há uma equipe brasileira de surfistas, o Brazilian Storm, que tem Gabriel Medina e Adriano de Souza como líderes, atualmente, que está sendo comparada ao que você, Rabbit, Richards, Shaun Tomson, PT, entre outros, fizeram nos anos 70, redefinindo o surf competição, certo? Como você vê essa comparação?

Eu adoro esses dois caras, pois eles têm um grande talento, paixão incrível, sempre empurrando suas habilidades nas ondas mais radicais e se atrevem a enfrentar o status quo. Eles se colocam “na sua cara” e botam a porta para baixo (fazendo alusão ao Bustin Down the Doors, movimento de afirmação australiano nos anos 70). Gabriel vai ganhar o título mundial em 2013! O único surfista que pode pará-lo é John John.

 

Ao longo da sua vida você conviveu com os melhores surfistas do mundo e lendas do surf. Quais são as personalidades mais interessantes que você conheceu durante esta incrível jornada?  

Os surfistas são “renegados” naturais e a nossa confiança em condições perigosas pode parece puro ego, mas é, na verdade, paixão pela vida. Eu gosto dos caras que foram mestres no oceano e promoveram revoluções: Midget Farrelly, Nat Young, Shaun Tomson, Mark Richards, Tom Curren, Sunny Garcia, mas a minha visão é sempre em frente e eu realmente aprecio a força da vida de Adriano e Gabriel. Eles ousam olhar nos olhos para o que já está estabelecido, Austrália, EUA e Hawaii, e dizer que o Brasil pode enfrentá-los de frente. Eles estão colocando o Brasil no mesmo patamar que estes países do ponto de vista do surf. 

 

O que vem a seguir? Com o que você está trabalhando agora?

Eu sou um grande fã do surf e adoro assistir os webcasts, mas agora tenho paixão pelo SUP e me pergunto se eu posso ajudar o SUP como esporte a ser o que o surf é hoje. Isso é uma grande inspiração intelectual.

 

Qual é o maior legado de uma vida como um surfista?

Vencer o Duke Kahanamoku Classic em Waimea com 25 pés.

 

Você gostaria de acrescentar mais alguma coisa para a comunidade brasileira de surf?

Quando eu comecei a ASP não havia grandes eventos na Europa ou no Brasil. Eu levei o Pro Lacanau para o ASP Tour, o que começou o boom europeu de surf. Eu levei o Hang Loose Pro para o ASP Tour, o que começou a explosão brasileira. Para mim, além de Margaret River, o segundo melhor lugar para o surfe é o Brasil! Não pelas ondas, mas pelo espírito alegre da vida e pelos alimentos. São extraordinários, incríveis! Quero surfar a Pororoca de SUP e viajar profundamente pela Amazônia. Estas são grandes aventuras que eu gostaria de fazer para coroar uma vida de aventuras.

 

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