
No último domingo (12/09/04), um forte swell de sudoeste atingiu a costa carioca. Eu estava em Angra do Reis e decidi pegar o jet para conferir de perto uma laje que eu tinha visto quebrar quando era moleque.
Chegando lá, fiquei decepcionado. A maré estava cheia e a laje parecia apenas espumar.
Às vezes vinham umas ondas um pouco maiores, que eu imaginava ser a série, e quebravam com mais ou menos meio metro, curtas e sem graça.
Esperei uns minutos e resolvi tirar algumas fotos. Desapontado, cortei o motor do jet e resolvi descansar um pouco antes de retornar para casa.

Do meio do nada vi a água sendo sugada de cima da laje e uma parede em torno de 3 metros se formou para me engolir.
Com uma mão dei a partida no motor e acelerei para fugir. Com e outra tirei uma foto da esquerda tubular de laje mais perfeita que já vi em todo litoral carioca.
Aquela sim era a série! Uma onda só. Contornei o pico para melhorar o posicionamento e esperei para pegar uma de frente. Uns três minutos depois, entrou outra série de uma onda só, ainda maior e mais pesada, o que me lembrou um mini-Teahupoo invertido, já que as melhores são as direitas.
A onda abre para os dois lados, sendo que as esquerdas são mais cheias e curtas. A direita começa quebrando em um pico central, logo fecha ou quase fecha uma seção que gera um tubo largo e pesado que dura uns 2-3 segundos, terminando freqüentemente com uma forte baforada.
A laje é lisa, sem cracas, e parece estar submersa de 1, 5 a 2 metros na maré cheia.
Alguns amigos locais me informaram que já viram pessoas da cidade de Angra surfando no pico e pegando altos tubos. Porém, eu não lembro de ter visto uma viva alma no local.
Por respeito aos locais e para conservar o pico “uncrowded”, prefiro manter a laje como secret. Estou aguardando um swell ainda maior para ver se a onda pode ser mais longa e se abre mesmo em condições extremas.