
Depois de um embate de alguns meses entre uma mega construtora e a comunidade do surf peruana e mundial, além de grupos ligados à preservação do meio-ambiente, foi anunciado um final praticamente feliz para La Herradura, umas das melhores ondas do Peru e do mundo.
Assim como aconteceu com Jardim do Mar, na ilha da Madeira, em Portugal, ou Dana Point, na Califórnia, um enorme projeto chamado “Cidade Costa Verde” pretendia investir milhões de dólares para edificar recintos e moradias que teriam sua frente voltada para onde está a famosa onda, destruindo entre outras coisas o morro que a contorna.
Para agravar a situação, dentro do projeto estava prevista a construção de uma marina que deixaria o oceano, precisamente onde quebra La Herra, totalmente plano, para aportar iates e outras embarcações em suas águas.
Porém, duas fontes importantes ligadas ao caso confirmaram que La Herra vai continuar quebrando, para alegria dos surfistas. A primeira fonte, um grupo de respeitados surfistas peruanos, se reuniu com representantes da GREMCO, construtora responsável pela marina, para discutir os pontos de conflito entre ambos os interesses.
Os representantes da GREMCO afirmaram que diante dos argumentos apresentados, deixaram de lado os planos de construir a marina no lugar onde quebra a onda. Falaram que eles eram conscientes da importância da onda para o povo e que buscariam um lugar alternativo para a construção.
Do outro lado do mundo, o site californiano Savethewaves.org, que enviou um pacote cheio de informações sobre as implicações do projeto e as conseqüências negativas em destruir uma onda tão importante, recebeu um telefonema de uma pessoa ligada à construtora dizendo amigavelmente que tudo havia sido uma grande confusão.
O diretor do Savethewaves William Henry pediu uma carta formal da GREMCO confirmando a posição da empresa diante do caso e encerrando o projeto que previa a destruição da onda. Na carta, o presidente da GREMCO afirma que “afetar as ondas iria contra as bases que sustentam o projeto” e que o “Costa Azul” pretende se adaptar ao meio-ambiente local.
Desta vez, o poder econômico não foi suficiente para impedir que os surfistas se mobilizassem em prol de uma causa. Vale destacar que o Peru tem mais de 15 mil surfistas e que boa parte deles se juntou ao protesto. Analisando o caso da Ilha da Madeira, que não teve o mesmo desfecho, fica claro que faltaram pessoas ou grupos unidos em busca do mesmo objetivo.
No site Savethewaves é possível ver a dura realidade da antes clássica onda de Jardim do Mar e ter a consciência da importância de preservar lugares como La Herra e muitos outros que ainda permanecem virgens e que fazem do surfe a nossa vida.