Kelly Slater derrota Andy Irons em decisão histórica

Com uma apresentação fantástica no último minuto da bateria, o norte-americano Kelly Slater conseguiu arrancar uma nota 9,5 para faturar o título do Billabong Pro numa decisão histórica entre os dois maiores nomes do esporte.

 

Pela primeira vez, o hexacampeão mundial e o atual tricampeão do ASP Foster’s World Championship Tour se enfrentaram numa final homem-a-homem.

 

O havaiano Andy Irons começou forte com uma nota 8,33. A três minutos do fim somou mais 8,23 pontos e deixou Slater precisando de uma nota 9,23 para reverter o resultado.

 

 

No minuto final, o atual líder do ranking aguardou a última onda da série para aplicar quatro manobras de alto grau de dificuldade numa direita de 2,5 metros, com os juízes dando nota 9,5 para o único surfista que já tinha tirado nota 10 em Jeffrey’s Bay neste ano.

 

Essa foi a terceira vitória de Kelly Slater na temporada, enquanto Irons, inconformado com o resultado, perdeu sua segunda final e ainda assim assumiu a vice-liderança na classificação geral das seis etapas disputadas.

 

Agora, o WCT dá uma pausa para uma série de oito provas seguidas do World Qualifying Series (WQS) e o título mundial de 2005 só volta a ser disputado no dia 31 de agosto em Chiba, Japão.

 

A final entrou no mar e logo de cara os dois tiveram que ultrapassar uma série monstruosa em Jeffreys Bay. As ondas continuavam subindo rápidas e desordenadamente, mas Andy Irons conseguiu achar uma ótima direita para abrir a bateria com uma nota 8,33.

 

Kelly Slater não foi bem em suas duas primeiras tentativas e só na terceira conseguiu encaixar suas manobras sempre muito radicais para receber 7,33 pontos. Só que Andy dá o troco e com uma nota 5,67 abre 6,68 pontos de vantagem.

 

O tempo ia passando, as séries continuavam entrando cada vez maiores, porém sem tubos e com muitas ondas fechando. Quando restavam apenas três minutos para o término da bateria, o havaiano pega outra direita abrindo uma longa parede e tira nota 8,23, ampliando a diferença para 9,23 pontos.

 

A fatura parecida liquidada e Andy nem voltou para o fundo, preferindo aguardar o encerramento da bateria para comemorar. Só que no minuto final entra uma última série para Kelly Slater, que mostrando muita frieza deixa passar as duas primeiras ondas e escolhe a terceira, que acabou sendo a melhor de toda a decisão.

 

Ele arrisca tudo, atacando a parte mais crítica com manobras muito fortes quatro vezes seguidas antes de cair na quinta delas. Mesmo assim, os juízes avaliaram o alto grau de dificuldade das suas batidas e rasgadas e lhe deram uma nota 9,5 na fantástica vitória definida por décimos: 16,83 x 16,56 pontos.

 

“É até difícil de acreditar, mas as coisas costumam acontecer assim para mim, com tudo indo para os minutos finais, por isso é que eu não desisto nunca até o sinal de encerramento da bateria”, falou Kelly Slater, que já havia perdido três decisões para Andy Irons, todas em Banzai Pipeline, Hawaii, onde as baterias são disputadas por quatro atletas.

 

Esta foi a primeira vez que os donos de nove títulos mundiais (seis de Slater em 1992/94/95/96/97/98 e três de Irons em 2002/03/04) se enfrentaram numa final homem-a-homem. Pela vitória no Billabong Pro, o norte-americano faturou US$ 30 mil de prêmio e mais 1.200 pontos que lhe garantiram uma folga maior na liderança do ranking com 5.342 pontos, contra 4.596 pontos do novo vice-líder, Andy Irons.

 

“Ainda tem cinco etapas pela frente, consegui aumentar a vantagem, mas tem vários surfistas que ainda estão na briga. O Mick Fanning já tem duas vitórias, o Andy e o Bruce Irons também estão muito bem neste ano e ainda tem o Joel Parkinson, o Damien e o CJ Hobgood, então não dá para ficar pensando muito em título mundial neste momento. A concentração tem que ser total em cada evento, cada bateria, cada onda surfada, pois muita coisa ainda pode acontecer”, falou Kelly Slater.

 

Clique aqui para ver a galeria de fotos do Billabong Pro JBay 2005.

 

##

O último dia do Billabong Pro começou com as oitavas-de-final e Kelly Slater já ampliou o recorde de pontos deste ano na África do Sul para 19,30 de 20 possíveis na vitória sobre o australiano Jake Paterson, bicampeão em Jeffreys Bay.

 

Na seqüência, Andy Irons ganhou o confronto contra seu irmão Bruce e o carioca Raoni Monteiro despachou o australiano Phillip MacDonald por 15,13 x 13,16 pontos, avançando para enfrentar o tricampeão mundial nas quartas-de-final.

 

Em sua segunda apresentação na sexta-feira, Slater deu outro espetáculo nas longas direitas

de Jeffreys Bay e numa seqüência de tubos arrancou a primeira e única nota 10 do Billabong Pro em 2005. Só essa nota máxima superou os 9,83 pontos recebidos pelo carioca Raoni Monteiro na repescagem.

 

O hexacampeão mundial ainda somou uma nota 9,5 para estabelecer outro imbatível recorde de 19,50 pontos, não dando qualquer chance para o australiano Bede Durbidge nas quartas-de-final.

 

O defensor do título Andy Irons mais uma vez não conseguiu o mesmo desempenho do atual líder do ranking, entretanto não encontrou dificuldades para derrotar o brasileiro Raoni Monteiro com uma larga vantagem de 15,67 x 9,16 pontos.

 

Com a derrota, o carioca terminou empatado com os australianos Joel Parkinson, Bede Durbidge e Luke Stedman, na quinta colocação do Billabong Pro, com cada um recebendo US$ 8 mil e 732 pontos no ranking do WCT 2005.

 

Além dele, os únicos brasileiros que conseguiram vencer pelo menos uma bateria em Jeffrey’s Bay foram o potiguar Marcelo Nunes, o pernambucano Bernardo Pigmeu e o catarinense Neco Padaratz.

 

Nunes e Pigmeu foram derrotados na terceira fase por Luke Egan e Andy Irons, respectivamente, com ambos terminando em 17o. lugar e levando US$ 4,5 mil e 410 pontos. Já Neco Padaratz foi suspendo por um ano do circuito mundial e já nem aparece mais no ranking mundial.

 

O Billabong Pro seguiu para as semifinais e Slater novamente passou com folgas, desta vez derrotando seu compatriota Tim Reyes por 17,33 x 13,83 pontos. Na outra bateria, Andy Irons voltou a fazer o suficiente para se classificar, sem empolgar o enorme público que lotou a praia na sexta-feira gelada em Jeffreys Bay. A torcida era toda para o sul-africano Greg Emslie, que tinha despachado o vice-campeão mundial Joel Parkinson, mas o havaiano acabou vencendo por 14,43 x 11,00 pontos.

 

O próximo desafio dos melhores surfistas do mundo está marcado para os dias 31 de agosto a 7 de setembro no Japan Quiksilver Pro em Chiba, Japão. Depois, tem o Boost Mobile Pro de 9 a 20 de setembro em Trestles, Califórnia, Estados Unidos; o Quiksilver Pro France em Hossegor, de 23 de setembro a 2 de outubro na França; o Nova Schin Festival WCT Brasil 2005 de 31 de outubro a 9 de novembro em Santa Catarina, Brasil; com o Rip Curl Pipeline Masters fechando a temporada nos dias 8 a 20 de dezembro em Banzai Pipeline, Hawaii.

 

Clique aqui para ver a galeria de fotos do Billabong Pro JBay 2005.

 

Resultado do Billabong Pro J-Bay 2005

1 Kelly Slater (EUA) – US$ 30 mil 1.200 pontos
2 Andy Irons (Haw) – US$ 16 mil 1.032 pts
3 Tim Reyes (EUA) – US$ 10 mil 876 pts
3 Greg Emslie (Afr) – US$ 10 mil 876 pts
5 Joel Parkinson (Aus) – US$ 8 mil 732 pts
5 Raoni Monteiro (Bra) – US$ 8 mil 732 pts
5 Bede Durbidge (Aus) – US$ 8 mil 732 pts
5 Luke Stedman (Aus) – US$ 8 mil 732 pts

Ranking mundial – após 6 etapas
 
1 Kelly Slater (EUA) – 5.342 pontos
2 Andy Irons (Haw) – 4.596
3 Trent Munro (Aus) – 4.286
4 Mick Fanning (Aus) – 4.230
5 Joel Parkinson (Aus) – 3.732
6 Frederick Patacchia (Haw) – 3.628
7 Phillip MacDonald (Aus) – 3.599
8 Cory Lopez (EUA) – 3.575
9 CJ Hobgood (EUA) – 3.546
10 Nathan Hedge (Aus) – 3.443
11 Taj Burrow (Aus) – 3.438
12 Bruce Irons (Haw) – 3.311
13 Dean Morrison (Aus) – 3.299
14 Daniel Wills (Aus) – 3.248
15 Damien Hobgood (EUA) – 3.224
16 Luke Egan (Aus) – 3.035

21 Peterson Rosa (Bra) – 2.746
23 Marcelo Nunes (Bra) – 2.655
31 Paulo Moura (Bra) – 2.227
31 Raoni Monteiro (Bra) – 2.227
35 Victor Ribas (Bra) – 2.090
44 Renan Rocha (Bra) – 1.350
45 Bernardo Pigmeu (Bra) – 860
45 Guilherme Herdy (Bra) – 860
47 Jean da Silva (Bra) – 635

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)