Jojó de Olivença e a equipe da ONG Projeto Ondas, Surf e Cidadania estão desde o dia 1 de janeiro na Nigéria, onde ensinam o surf para crianças carentes do país.
A expedição partiu rumo ao estado de Akwa Ibom, localizado no litoral Sudeste do país mais populoso da África e um dos mais pobres do mundo.
Com graves problemas sociais, a Nigéria também sofre com o abandono de crianças pelas próprias famílias. Elas são acusadas por pastores locais de bruxarias.
Confira abaixo o relato de Jojó de Olivença, que explica como funciona este processo, suas primeiras impressões do país, e a emoção de ensinar o surf para crianças carentes da Nigéria.
Desde quando comecei com o Projeto Ondas, na cidade do Guarujá (SP), fiquei fascinado em trabalhar com crianças em vulnerabilidade social. Mas, desta vez, o swell me levou para outra direção. De uma hora para outra deixei minha “Nigéria” para estar em outra Nigéria.
Na última quinta-feira (7/1), estivemos em uma ONG que cuida de 210 crianças abandonadas pelos pais. Apenas uma delas estava ali porque a mãe não tinha condições de sustentá-la. As outras 209 foram literalmente colocadas para fora de casa, acusadas pelos pastores e pastoras de serem bruxas, responsáveis pelas tragédias e demais problemas que acontecem na família.
A situação acontece da seguinte maneira: Muitas famílias se vêem obrigadas a abandonar seus filhos, tidos como “bruxos” pelos pastores, que prometem fazer um exorcismo para curá-las mediante um certo pagamento.
Com a grande maioria das pessoas não podem pagar, elas abandonam as crianças ou utilizam outros métodos para tentar curá-las, como assassinatos, espancamentos, entre outras crueldades. Melhor perder um filho do que perder toda a casa – este é o raciocínio deles para se livrar da maldição.
Estima-se que, desde 1998, cerca de cinco mil crianças foram abandonadas pelos pais. A cada cinco, uma em média morre. As que sobrevivem costumam ficar em estado de choque.
É tudo verdade. Estas crianças existem mesmo. E elas estão bem aqui ao nosso lado. Ao sair de lá, chorei, pois deixei uma menina de uns 3 anos de idade, com o nome de Vitória, que não quis me soltar com os olhos cheios de lágrimas.
No caminho de volta, vim observando esta nação pobre, com mulheres e crianças esqueléticas, carregando árvores inteiras sobre a cabeça para servirem de lenha para cozinhar sabe-se lá o quê.
Mais do que isto, vi um povo que se intitula cristão jogar fora aquilo que existe de melhor: a esperança de inocentes.
Considerando que o esporte não tem fronteiras nem barreiras, resolvi montar um projeto para ensinar o surf para as crianças acolhidas pela ONG de um nigeriano chamado Sam-Itauma.
Dito e feito! Ele adorou a ideia. Alugamos um ônibus e toda equipe se mobilizou com a preparação de tudo. O mar estava ideal e eles se divertiram para valer entre uma onda e outra.
Havia sorrisos, gargalhadas e muita gratidão. Foi um dia inesquecível para as crianças e para toda a equipe.
Semana que vem teremos outra sessão de surf. Desta vez com crianças da comunidade local, cidades e vilarejos que sofrem com a disseminação desta perversão da fé cristã.
Acompanhada pelos pais, falaremos na oportunidade a este povo amado e sofrido acerca da relação de Jesus com as crianças.
Um abraço, Jojó de Olivença – Akwa Ibom, Nigéria.









