O surfista profissional Jefferson Silva, 20, está muito animado para as competições deste segundo semestre de 2007.
Depois de seis meses de treinamento físico, técnico, tático e principalmente psicológico, o jovem começou o ano totalmente seguro para mostrar seu surf e imagem aos juízes e o mundo do surf.
Competindo novamente desde abril deste ano, já alcançou alguns bons resultados e aos poucos vem se firmando como um promissor talento para o surf profissional.
Com uma carreira cheia de altos e baixos, Jefferson é o típico surfista guerreiro.
Com gosto e vontade de competir, ele sempre figurou nas cabeças de sua geração e já conquistou os principais títulos
amadores, como campeão brasileiro e mundial júnior no ISA Games
de 2005.
Ano passado, uma série de fatos relacionados ao seu comportamento desportivo culminaram na perda do foco e de seu patrocinador principal.
Porém, num processo evolutivo e altamente consciente, o jovem atualmente se mostra totalmente recuperado e focado em reconquistar seu espaço nas competições e nas empresas do setor.
Com um surf incrivelmente forte, nesta entrevista Jefferson nos mostra sua visão, objetivos e novidades.
Uma coisa é certa, pegar esse cara inspirado nas baterias não é moleza pra ninguém!
Qual seu nome, idade e tempo de surf?
Jefferson Bento da Silva, 20 anos e 10 de surf.
Quais os principais títulos da sua carreira?
Fui campeão brasileiro amador e mundial junior no ISA Games em 2005 e como profissional fiquei em terceiro no Oakley Júnior Challenge de 2007.
Você sentiu diferença entre as competições amadoras e profissionais?
Senti sim. Ainda não obtive resultados tão expressivos profissionalmente, no amador era muito mais fácil obter uma boa colocação.
No profissional a galera parece ter mais raça e muito mais surf, afinal todo mundo está ali para ganhar o seu pão de cada dia. É Preciso adotar uma postura profissional em tudo, no surf, nos treinos e na vida para se dar bem.
Você andou sumido por, pelo menos, uns seis meses – no fim do ano passado e começo deste. O que esteve fazendo nesse período?
Depois de um fato marcante, fiquei totalmente desnorteado. Perdi o patrocínio, levei várias críticas e precisei de um tempo pra colocar as idéias em ordem. Depois de um mês com total apoio da minha família e técnico, voltei a treinar feito louco para competir nesse ano.
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Qual foi esse fato marcante? Algo a ver com aquela confusão com a Sophia Mulanovich, no Pro Junior de 2006? O que aconteceu?
O que aconteceu entre eu e a Sophia não passou de um mal entendido, que tomou altas proporções. Estávamos, eu e os outros atletas brasileiros, dentro da água e ela (Sophia) estava rabeando todo mundo.
Numa certa hora ela entrou na minha onda e eu fui perguntar para ela porque tinha feito aquilo. Ela disse que estava em casa e não queria saber de nada nem ninguém.
Acho que por ter criticado sua atitude ela se sentiu ofendida e chamou seus amigos para tirarem satisfações comigo.
Eles vieram em bando, ficaram me perseguindo e criou-se uma confusão desnecessária. Mesmo após ter conversado novamente com a Sophia, termos trocados desculpas na casa dela e tal, o caos continuou, um monte de peruanos querendo me bater e eu sem poder fazer nada.
No final das contas quem ficou com a culpa ainda fui eu, tomei uma suspensão de 60 dias e uma multa de US$ 1.000,00 da ASP, que ainda nem consegui pagar.
Aprendi que não se deve arrumar confusão por causa de uma onda.
Qual sua meta para 2007?
Entrar no circuito brasileiro profissional e conquistar a vaga para o mundial Pro Junior.
Como é seu dia a dia?
Acordo cedo todo dia. Se tem onda já corro pro mar para treinar, além disso tenho uma sessão de alongamento e pilates diária além de três vezes por semana um complemento aeróbico pra perder uns quilinhos (risos).
Mantenho uma dieta com alimentos naturais, porém às vezes é difícil durante as viagens, tenho que ficar esperto pois tenho uma estrutura grande e nas marolas isso pode fazer a diferença.
Quem é seu técnico?
Desde os 13 anos, o Thiago Ferrão me acompanha. Conheci ele através da Escola de Surf da Riviera, na qual ele é sócio, foi ele quem sempre conseguiu apoios e patrocínios, elaborou meus treinos e sempre me motivou a continuar na luta.
Quem são seus apoiadores?
Mantenho minhas pranchas com o Thiago Cunha, que tem feito altos foguetes. Em maio consegui um apoio da GLOBE que me motivou bastante para continuar focado. Agora é conseguir um bico bom pra alcançar meus objetivos.
Atualmente quem você considera o mais completo surfista do Brasil? E do mundo?
No Brasil o Neco Padaratz e do mundo continua o Kelly Slater.
Qual seu maior sonho? O que falta para conquistá-lo?
Meu maior sonho é ser campeão mundial do WCT e conhecer o mundo surfando. Acredito que tenho condições para isso porém ainda falta uma forte marca do mercado acreditar em meu potencial, afinal sozinho a gente num chega a lugar nenhum.
Que dica você daria aos jovens surfistas competidores?
Treinar bastante e nunca sair do foco, o trajeto é longo!
Algum recado para os leitores ou o pessoal que te conhece?
Queria agradecer a todos pelas mensagens de apoio que recebo em todos lugares onde vou. Continuo na missão e determinado a conseguir tudo que sempre sonhei!
Jefferson cedeu esta entrevista durante o Latin Surf Pro, no Rio de Janeiro, onde chegou nas quartas de final.
As marcas interessadas em obter seu calendário, vídeos e portifólio, devem enviar mensagem para [email protected] .



