
Segunda feira de manhã, na primeira luz de inverno, as 6:30 am, Jorge Pacelli, Haroldo Ambrósio e eu mais nossos convidados residents no Peru, Flavio Caporali e Guillermo Caretcha, locais de Pico Alto fomos em direção a Maliko boat colocar os jets na água, um swell de 17 pés medidos pela bóia era esperado, isso na face da onda pode passar fácil dos 25 pés.
Chegando lá, tudo tranqüilo, Rodrigo Resende e Yuri Soledad já estavam preparados, mais duas duplas de locais também aceleravam para Jaws.
Logo nas primeiras ondas, um dos gringos se
machucou,

a outra dupla desanimou e também
saíram fora, resultado, só ficaram na água as equipes Rodrigo e Yuri, Pacelli e Haroldo e eu revezando com nossos ?hermanos? de Peru.
As ondas começaram a acertar, á direita a cada minuto que passava ficava mais perfeita e tubular.
Jaws só para amigos. Era isso mesmo o que estava acontecendo, inacreditável surfar e voltar sendo rebocado assistindo as rasgadas do Resende que chegou a comentar sobre tersurfado a onda mais lisa e perfeita para rasgadas, comparado com Jaws anteriores. Entre uma serie e outra, os jets parados, bate papo rolando, alguém fala: Ai vem onda!
Beleza, então vai você, essa é sua vez… E assim foi rolando a session de sonho em Jaws. Quatro horas de surf só com Brasileiros. Haroldo e Pacelli sempre entrando na onda bem deep, bem no crítico, a prancha atingindo velocidades máximas com precisão. Yuri Soledad, baiano sangue bom, está com um estilo bastante personalizado de backside, manobras muito fortes no crítico de ondas enormes, ele optou por uma prancha Kazuma sem peso, é uma das novas concepções para surfar Jaws.
Com pouca experiência em Jaws, O Peruano Caretcha foi numa esquerda pequena sem combinar comigo que estava na pilotagem, esse é um erro gigante, pois sem resgate na esquerda é pedra na certa, ele se deu bem, mas a prancha destruiu. Tomou bronca da galera e aprendeu mais uma. Quem não gostou muito foi Flavio Caporali que depois de surfar algumas ondas ficou sem prancha. No Swell anterior com ondas de 25 plus na face da onda cometi o erro que sempre me preparei para não cometer, entrei na onda com a intenção de manobrar no crítico de back side, o bowl de oeste curvou a parede e na segunda manobra dei uma rasgada, o excesso de velocidade me surpreendeu e perdi o equilíbrio, voltei contra a parede da onda. Resultado sai da onda, mas ela me puxou de volta e rodei no lip.
O primeiro impacto foi uma explosão ensurdecedora. Encolhido sabia que era hora de apanhar, nessa surra não adianta bater três vezes no tatame, quando sai dolorido e roxo sem ar deu para dar poucas respiradas e encolher para mais outra surra, uma onda maior ainda estourou a poucos metros de mim, ai foi muito pior, com dois coletes de flutuação não da para afundar, nunca rolei tanto na minha vida e depois dessa tomei a terceira.
De certa forma fiquei feliz por ter tido sorte e estar bem fisicamente e de cabeça para agüentar esse impacto, mas era hora de estudar as frações de segundo que antecederam ao erro para evoluir tecnicamente nessa onda.
Nesse dia de sonho com os amigos, eu estava um pouco tenso, pois a onda estava proporcionando tubos e eu estava de olho neles. O Papai do céu olhou por mim, sai do cabo de reboque contra onda, fiz um curvão voltando para direita, só que ai atrás do pico na base, esperei decidido o meu caminho, por dentro do tubo? que velocidade, que força, de backside sem segurar na borda da prancha. Entubar de backside em Jaws era tudo o que sempre sonhei. No final da bateria Peguei mais um tubo, dessa vez mais deep, maior e mais longo, porém sem registro de imagens. Nosso camera man de plantão, Tijolo Surfbike de Santos teve que ir embora do cliff e parou de filmar. Sem dúvida essa sessão de tow-in vai ficar para sempre na cabeça desses brasileiros, só sorrisos.
?Tudo era um sonho real, surfar sozinhos com os amigos, pegar ondas grandes e perfeitas, até não agüentar mais, e ainda mais em Jaws. Tudo é possível?, disse Haroldo Ambrósio.
Dias como esse são fundamentais para o aperfeiçoamento na onda mais forte do mundo, Treinei as manobras que mais se usam em Jaws, rasgadas e booton turns, com esse tamanho de ondas e a velocidade que atingimos durante as manobras tem que ter sempre cautela, qualquer vacilo pode ser cruel, não se pode errar.
?Dias como esse só posso agradecer a deus e ao Seu Zequinha, meu pai que me pos no mundo para desfrutar as coisas boas da vida?, afirma Jorge ”Guru” Pacelli.
?Nem precisa falar muito, pegar um dia desses, só com os amigos não tem preço?, confirma Yuri Soledad.
?Um dia desse tem que virar matéria. Hoje surfei a onda mais lisa de todas as que surfei aqui em Jaws e acertei minha melhor rasgada?, completa Rodrigo Resende.