Os brasileiros que costumam viajar para o Hawaii ganharam um motivo para comemorar nesta temporada: o paulista Luiz Fernando Jardini abriu uma empresa especializada em aluguel e venda de veículos.
Localizado na ilha de Oahu, a empresa dá suporte a uma clientela brasileira de peso como o fotógrafo Sebastian Rojas e os surfistas Carlos Burle, Maya Gabeira e Everaldo “Pato” Teixeira.
Aos 35 anos, 12 deles no Hawaii, Jardini sabe que os turistas procuram uma boa caranga para não passar este tipo de perrengue na temporada havaiana.
Ele lapidou seu talento com automóveis ainda na adolescência, quando ajudava o pai em uma loja de carros no Brasil.
Na entrevista abaixo, Jardini conta um pouco desta trajetória, fala sobre família, ondas e o novo negócio: “Aqui com certeza o preço sairá mais barato do que alugar ou comprar um carro em uma das empresas locais”.
Por que tomou a decisão de ir morar no Hawaii?
Morar no Hawaii sempre foi um sonho. Em 1986, numa viagem para lá com toda minha família, me lembro de falar ao meu pai: “Um dia ainda vou morar no Hawaii”.
Tinha somente 11 anos, surfei em Waikiki e fiquei encantado. Acho que esta primeira viagem me marcou muito e fez a minha decisão de morar no Hawaii mais fácil.
Quando chegou achou melhor ou pior do que imaginava?
Foi muito melhor do que eu imaginava, apesar das dificuldades com a língua e sem muito dinheiro.
Quais são as maiores vantagens e dificuldades de morar no Hawaii?
As qualidades são várias. Morar em um lugar seguro para as crianças, ondas de qualidade o ano todo, comidas típicas de todos os lugares do mundo, fazer amizades com pessoas de todas as partes do planeta, não existe trânsito, as melhores ondas ficam a 20 minutos de onde moramos e você pode dar a volta na ilha toda em um dia.
Quanto as dificuldades, aqui no Hawaii é caro para se morar comparado com outros estados dos EUA. Você tem que correr atrás se quiser ficar aqui por alguns anos.
E o talento para vender carros, puxou o pai?
Com certeza. Ele possuía uma loja de carros no Brasil, onde comecei a trabalhar aos 14 anos. Aprendi tudo com ele. Lavar os carros, como vendê-los e o principal: como sempre ajudar os outros. Meu pai sempre dizia que era melhor ganhar pouco em cada carro e vender bastante por mês.
Qual foi seu primeiro emprego no Hawaii?
Comecei trabalhando com carros em 1999 na concessionária Cutter Dodge, vendendo Dodge, Chrysler e Jeep. Fiquei lá por mais ou menos um ano até ir trabalhar na Pflueger Honda, onde comecei como vendedor. Trabalhei por dois anos em vendas, sendo promovido para Assistente de Gerente de Vendas.
Depois de um ano e meio, fui promovido pra Gerente Financeiro. Dois anos depois recebi um telefonema da Tony Hyundai me oferecendo a posição de Gerente de Vendas. Trabalhei no Tony Group (Tony Hyundai e Tony Volkswagen) por cinco anos até voltar para Cutter Chevrolet como Gerente de Vendas.
Quem são os brasileiros que mais te ajudaram no começo no Hawaii?
Um amigo que me ajudou muito quando cheguei foi Cesar Jube. Na época ele era técnico de futebol de um time de garotos em Kailua, o Volcanos, e eles estavam precisando de um treinador de goleiros. Não só me ajudaram financeiramente, mas trabalhar com as crianças me ajudou muito com meu inglês.
Meu inglês na época era somente o básico e a comunicação foi muito difícil. Um casal de brasileiros que também me ajudou muito foi Romeu e Suzanna Bruno. O Romeu tinha um estudo da Bíblia na casa dele todas as quarta-feiras e sempre rolava uma comida caseira que a Suzanna fazia. Eu tinha o Romeu e a Suzanna como um irmão e uma irmã mais velhos para mim.
E no surf, quais as condições perfeitas para você hoje?
Eu adoro surfar, seja em um dia pequeno em Waikiki com pranchão ou stand up paddle, um dia de até 2 metros em Rocky Point ou um dia de 5 metros em Hammer Heads. Mas acho que meu favorito seria fazer tow in em Hammer Heads nestas condições.
E o novo trabalho como funciona? Quando teve a ideia de abrir o próprio negócio e como vai ajudar os brasileiros que procuram carro no Hawaii?
O maior motivo de abrir o próprio negócio foi de estar mais perto do meu filho, Kielan, e da minha esposa, Kristin. O meu trabalho na concessionária tomava muito tempo, eu quase não via meu filho e dificilmente tinha tempo de ir surfar.
Desde o tempo da loja do meu pai, ele sempre me falava em abrir uma loja em casa, mais focado nos anúncios e sem ter o gasto de uma loja aberta o dia inteiro. Então este sonho já vinha comigo há vários anos. Só estava esperando o momento certo.
A galera brasileira que esta chegando ao Hawaii para passar a temporada, ou mesmo quem mora aqui, poderá comprar os carros mais baratos do que o mercado oferece.
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Qual o preço do aluguel? Explique como este serviço funciona tecnicamente?
O preço do aluguel varia para cada carro e o tempo que a pessoa pretende alugar. Mas, com certeza, o preço vai ser mais barato do que alugar um carro das empresas locais.
Já para venda, os preços variam entre US$ 1,5 mil a US$ 7,5 mil. Às vezes até tenho uns carros mais baratos, só que é difícil ter algum carro todo legalizado e que esteja bom mecanicamente nesta faixa de preço.
O serviço na real é muito simples, eu tenho os carros no anúncio e espero que algum interessado me contate. Geralmente eles me mandam um e-mail falando exatamente o que eles estão procurando e eu mando umas fotos dos carros que tenho. Depois que eles escolhem o carro e me avisam quando irão chegar. Eu agendo tudo para eles.
Quais foram os seus primeiros clientes e como é ajudar os brasileiros que chegam ao Hawaii a ter uma caranga maneira?
Difícil de lembrar dos primeiros clientes. Já vendi carro para muitos brasileiros, e o boca a boca sempre ajuda. Eu tenho “clientes” que vêm ao Hawaii todo ano, como é o caso de Carlos Burle, Everaldo Pato, Maya Gabeira, Sebastian Rojas e Gil Hanada.
Geralmente a galera me liga em setembro ou outubro e já vai fazendo a encomenda. Eles geralmente me falam o que precisam, como no caso do Burle uma van, da Maya uma truck e para o Sebastian um carro menor e econômico.
Então eu fico de olhos abertos e quando vejo um carro legal, vou lá e compro. Como todos eles são meus amigos, pagam um preço menor que o do mercado e eu recompro o carro antes de eles irem embora.
Na real isso facilita muito para eles ficarem focados no trabalho, sem ter que correr atrás de vender o carro. E também me ajuda para eu ter um carro a mais para vender depois que eles vão embora.
Pretende voltar para o Brasil algum dia?
O Brasil é um lugar maravilhoso. Mas como já estou com família e tudo aqui, fica difícil de voltar para morar. Com certeza volto para visitar todo ano.
Como é ter a irmã por perto, mas os pais longe?
Ter alguém da família por perto é muito bom. Eu e minha irmã somos muito amigos, meu cunhado já era meu amigo antes de fazer parte da família, o que fez nossa amizade ainda maior.
Tenho quatro sobrinhos e uma sobrinha, todos eles pegam onda e a molecada tem muita energia. É muito bom ver eles crescendo e divertindo-se junto com o meu filho. Não só é bom para mim, mas para minha esposa e para meu filho também.
Agora, com os pais distantes fica meio difícil. Nos falamos no telefone pelo menos três vezes por semana e a vontade de estar perto é gigante. O meu filho Kielan está agora com 21 meses e fala dos avôs o tempo todo.
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