
Depois de vencer a etapa de abertura do ASP World Championship Tour (WCT), nesta quinta-feira na Austrália, a catarinense Jacqueline Silva é a nova surfista número 1 do mundo e larga na frente na corrida pelo título mundial da temporada.
O título no Roxy Pro veio com uma tranqüila vitória sobre a havaiana Rochelle Ballard e valeu um prêmio de US$ 10 mil, além de 1.200 pontos no ranking. A brasileira não deu chances às adversárias que enfrentou nas três baterias que disputou nas boas ondas de 1 metro de altura em Rainbow Bay, na Gold Coast australiana.
A melhor apresentação da atleta brasileira aconteceu na semifinal, quando registrou 16,27 pontos, maior somatória do último dia da competição para massacrar a australiana Melanie Redman-Carr, responsável pela eliminação da cearense Tita Tavares na última bateria das quartas-de-final.

“Estou muito feliz!”, vibrou a campeã, logo após sair do mar. “Venho buscando manter o meu foco todo dia para surfar bem nas baterias. Eu fui vice-campeã aqui em 2002, fiquei em terceiro lugar no ano passado e agora consegui vencer. Sinto que estou bem preparada, venho treinando bastante, fazendo ginástica, natação, tudo para fazer o melhor possível. Só não tenho uma onda tão boa assim em casa e eu adoro este tipo de onda”, contou Jacque Silva.
Bira Schauffert, técnico de Jacque há 15 anos, foi para a Austrália e acompanhou a brasileira durante todas as baterias que disputou na Gold Coast. O objetivo é fazer de Jacqueline Silva a primeira campeã mundial brasileira da história do WCT. “Foi ele que deu minha primeira prancha de surfe 15 anos atrás e nós temos um ótimo relacionamento”, explicou Jacqueline.

“Ele é como um irmão para mim, sempre dando apoio moral e me encorajando antes e depois das baterias. Nós temos bons surfistas no Brasil, mas poucos têm patrocínio para levar seu técnico no circuito. Eu sou uma privilegiada e continuarei trabalhando duro para vencer o título mundial. Eu realmente desejo ser a primeira campeã do mundo do Brasil”, confirmou.
Em seis edições, esta foi a primeira vitória de uma surfista estrangeira na etapa de abertura do WCT Feminino na Austrália. A defensora do título, Layne Beachley, foi batida pela havaiana Rochelle Ballard no segundo confronto do dia, ainda pelas quartas-de-final.
Com moral, ela começou bem ao abrir com uma nota 7,67 a bateria decisiva do Roxy Pro em Rainbow Bay. Mas, Jacqueline Silva foi melhor ainda e arrancou um 8,67 dos juizes em sua primeira apresentação, aumentando a vantagem em cada onda surfada na grande final. Uma nota 6,27 na penúltima das seis ondas que pegou durante a bateria garantiu a tranqüila vitória por 14,94 x 11,90 pontos.

No total, a loca da Barra da Lagoa, em Florianópolis, surfou quinze ondas na quinta-feira para garantir o título do Roxy Pro. Cinco delas foram no primeiro desafio do dia, contra a novata Laurina McGrath.
A brasileira começou forte com notas 5,5 e 7,17 nas duas primeiras ondas, mas no final a australiana deu um susto. Ela precisava de 6,58 pontos para virar o resultado e pegou uma boa onda, mas Jacqueline pôde comemorar a classificação para as semifinais, pois os juizes deram nota 6,10 para Laurina e o placar ficou definido em 12,67 x 11,10 pontos.
A cearense Tita Tavares disputou a bateria seguinte, a última quarta-de-final, contra Melanie Redman-Carr. A baixinha tirou um 5,83 no início da disputa e liderou até a australiana arrancar uma nota 9,5 numa ótima onda, a melhor do dia.

Tita pegou a onda de trás, mas só conseguiu uma nota 5,60. Ela ainda fez duas tentativas para tirar os 9,01 pontos que a separaram da vitória, mas não conseguiu e a australiana levou a melhor – 14,83 x 11,43 pontos. Pelo quinto lugar no Roxy Pro, Tita Tavares faturou US$ 3 mil de prêmio e marcou 552 pontos no ranking do WCT 2004.
Com a derrota de Tita, Melanie Redman-Carr acabou sendo a adversária de Jacqueline Silva na semifinal. E foi a mais brilhante apresentação da catarinense na Gold Coast neste ano. Com uma escolha impecável das melhores ondas, ela tirou notas 8,17 e 8 para estabelecer a maior marca do dia – 16,27 pontos. Foi simplesmente mais do que o dobro dos pontos das outras três surfistas que competiram nas semifinais.

E a precisão de Jacqueline Silva foi tanta que ela só surfou quatro ondas na bateria, com a soma das duas que descartou – ambas de nota 5,33 – também superando as pontuações da sua adversária – 8,60 pontos – bem como das outras duas que disputaram a primeira semifinal, pois Rochelle Ballard derrotou a australiana Chelsea Georgeson por 8,50 x 8,40 pontos.
O próximo desafio do WCT Feminino será nos dias 18 a 24 de abril nas excelentes ondas de Tavarua e Restaurants, nas Ilhas Fiji. E até lá, a número 1 do ranking mundial é a brasileira Jacqueline Silva.
Resultados do Roxy Pro 2004
1 Jacqueline Silva (Bra) US$ 10 mil
2 Rochelle Ballard (Haw) US$ 6 mil
3 Melanie Redman-Carr (Aus) US$ 4 mil
3 Chelsea Georgeson (Aus) US$ 4 mil
5 Tita Tavares (Bra) US$ 3 mil
5 Laurina McGrath (Aus) US$ 3 mil
5 Layne Beachley (Aus) US$ 3 mil
5 Samantha Cornish (Aus) US$ 3 mil
Ranking WCT Feminino 2004
1 Jacqueline Silva (Bra) 1200
2 Rochelle Ballard (Haw) 972
3 Melanie Redman-Carr (Aus) 756
3 Chelsea Georgeson (Aus) 756
5 Layne Beachley (Aus) 552
5 Samantha Cornish (Aus) 552
5 Laurina McGrath (Aus) 552
5 Tita Tavares (Bra) 552
9 Keala Kennelly (Haw) 360
9 Heather Clark (Afr) 360
9 Trudy Todd (Aus) 360
9 Sofia Mulanovich (Peru) 360
9 Lynette MacKenzie (Aus) 360
9 Pauline Menczer (Aus) 360
9 Melanie Bartels (Haw) 360
9 Lisa Andersen (EUA) 360