Antes de embarcar para a Austrália, a catarinense Jacqueline Silva conversou comigo sobre o final de ano emocionante na temporada passada.
No último WQS, Jacque mostrou determinação para garantir a classificação ao ficar em quarto lugar em Haleiwa, Hawaii.
O bate-papo rolou numa visita superagradável de Jacque à minha casa na Barrinha, Garopaba (SC).
Logo na chegada, corremos para o mar na tentativa de pegar umas ondas, porém as condições não estavam boas.
Mas, cheia de disposição, Jacque estava solta nas valinhas da Barra. Gostei do que vi! Confira abaixo a entrevista com a atleta.
Como foi a última etapa em Haleiwa, onde você garantiu a vaga para o WCT 2007?
Fui para o campeonato com a missão de obter um bom resultado para me garantir no WCT. A prova rolou numa condição não muito comum para Haleiwa.
Normalmente, o mar quebra grande para direita e, desta vez, estava pequeno com esquerdas. Foi um pouco loteria, difícil e com poucas ondas. Com quatro surfistas na água, é ainda mais complicado.
Mas, tinha grandes chances porque era meu quinto resultado e não estava descartando nada, só somava, enquanto muitas meninas descartavam. Fui para o tudo ou nada! Não pensei lá na frente, e sim passo a passo, bateria por bateria. Nas oitavas, vi que a prancha estava boa e que era só pegar as ondas certas. Passei!
Aí, fiquei me concentrando muito, olhando cada bateria com um único pensamento: me dar bem. Era a minha chance. Confesso que fiquei nervosa quando chamaram para pegar a lycra. Fui para as quartas, passei novamente e em primeiro, o que me deu mais confiança. Estava em sintonia com o mar e as ondas boas vieram.
Quando cheguei à semifinal, caí na primeira onda. Foi ruim. Pensei que não seguraria a barra de ter que fazer boas notas. Essa era a bateria do tudo ou nada! Se não passasse estava fora do Tour. Graças a Deus, reverti e passei em primeiro, garantindo a classificação.
Na final eu estava tão relaxada, tão amarradona que acabei esperando as ondas mais na beira e elas não vieram. Tudo bem, já estava aliviada.
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Foi emocionante para você?
Fiquei superfeliz com a forma que mantive a calma para chegar à classificação. Deu tudo certo! O que me deixou mais feliz foi ver as pessoas me cumprimentando e vibrando comigo.
Eram as meninas que me acompanham no Tour, a equipe da Rip Curl e todas as pessoas envolvidas na competição. Isso foi muito legal!
Você tem alguma estratégia de competição diferente para este ano?
Vou surfar mais descontraída, sem a
pressão de ter que ganhar. Dessa maneira, talvez as coisas fluam mais. A pressão atrapalha, deixa a gente insegura, mas é difícil se liberar totalmente. Afinal, é o WCT.
Durante uma bateria, você consegue se concentrar a ponto de não se preocupar com outras atletas? Como você se programa? Tem alguma tática?
Não, penso no todo. É difícil esquecer que tem gente ao meu lado. Até poderia pensar em fazer o melhor só para mim, mas às vezes tem que marcar. Tenho que dar o máximo. A vibração a cada campeonato muda.
Se o mar está pequeno, fico mais relaxada, mas se está grande a adrenalina aumenta. É o mar grande que faz a diferença. Nas marolas todo mundo arrebenta, mas quando rolam as ondas grandes é que se vê quem é bom mesmo. A menina que se joga e bate na parte mais crítica em um mar grande é boa mesmo.
Qual a importância do técnico?
Acho que é muito importante. Eu tenho o Bira (Schauffert), que não é bem um técnico, mas me acompanhou muitos nas viagens e me ajudou bastante. Nos últimos três anos, ele não pôde mais me acompanhar por questões financeiras e sinto muita a falta dele.
O Bira foi importante nas viagens, pois só o fato de ter uma pessoa de fora te vendo surfar já consegue te orientar melhor, percebe o que acontece, qual prancha funciona, onde entra mais onda.
Lembro que durante algumas etapas, as ondas quebravam na beira e eu até o escutava falando. Também tem o fator motivação, que ajuda muito quando vem de alguém de fora que entende do assunto.
Além disso, o técnico é a pessoa que te representa em algumas situações, como falar com juízes, bem como outros assuntos de viagem, diminuindo o stress do atleta.


