Jacqueline Silva treina na Barrinha em Itacaré (BA). Foto: Roberta Borges.

Antes de embarcar para a Austrália, a catarinense Jacqueline Silva conversou comigo  sobre o final de ano emocionante na temporada passada.

 

No último WQS, Jacque mostrou determinação para garantir a classificação ao ficar em quarto lugar em Haleiwa, Hawaii.

 

O bate-papo rolou numa visita superagradável de Jacque à minha casa na Barrinha, Garopaba (SC). 

 

Logo na chegada, corremos para o mar na tentativa de pegar umas ondas, porém as condições não estavam boas.

 

Ao lado do namorado Rodrigo, a catarinense relaxa antes de embarcar para a Austrália. Foto: Roberta Borges.

Mas, cheia de disposição, Jacque estava solta nas valinhas da Barra. Gostei do que vi! Confira abaixo a entrevista com a atleta.

 

Como foi a última etapa em Haleiwa, onde você garantiu a vaga para o WCT 2007?

 

Fui para o campeonato com a missão de obter um bom resultado para me garantir no WCT. A prova rolou numa condição não muito comum para Haleiwa.

 

Normalmente, o mar quebra grande para direita e, desta vez, estava pequeno com esquerdas. Foi um pouco loteria, difícil e com poucas ondas. Com quatro surfistas na água, é ainda mais complicado.

 

Mas, tinha grandes chances porque era meu quinto resultado e não estava descartando nada, só somava, enquanto muitas meninas descartavam. Fui para o tudo ou nada! Não pensei lá na frente, e sim passo a passo, bateria por bateria. Nas oitavas, vi que a prancha estava boa e que era só pegar as ondas certas. Passei!

 

Aí, fiquei me concentrando muito, olhando cada bateria com um único pensamento:  me dar bem. Era a minha chance. Confesso que fiquei nervosa quando chamaram para pegar a lycra. Fui para as quartas, passei novamente e em primeiro, o que me deu mais confiança. Estava em sintonia com o mar e as ondas boas vieram.

 

Quando cheguei à semifinal, caí na primeira onda. Foi ruim. Pensei que não seguraria a barra de ter que fazer boas notas. Essa era a bateria do tudo ou nada! Se não passasse estava fora do Tour. Graças a Deus, reverti e passei em primeiro, garantindo a classificação.

 

Na final eu estava tão relaxada, tão amarradona que acabei esperando as ondas mais na beira e elas não vieram. Tudo bem, já estava aliviada.

 

##

 

 

Roberta, Jacque e Rodrigo na Barrinha. Foto: Roberta Borges.

Foi emocionante para você?

 

Fiquei superfeliz com a forma que mantive a calma para chegar à classificação. Deu tudo certo! O que me deixou mais feliz foi ver as pessoas me cumprimentando e vibrando comigo.

 

Eram as meninas que me acompanham no Tour, a equipe da Rip Curl e todas as pessoas envolvidas na competição. Isso foi muito legal!

 

Você tem alguma estratégia de competição diferente para este ano?

 

Vou surfar mais descontraída, sem a

Veterana no Tour, Jacque disputa mais uma temporada na Austrália. Foto: Divulgação Rip Curl.

pressão de ter que ganhar. Dessa maneira, talvez as coisas fluam mais. A pressão atrapalha, deixa a gente insegura, mas é difícil se liberar totalmente. Afinal, é o WCT.

 

Durante uma bateria, você consegue se concentrar a ponto de não se preocupar com  outras atletas? Como você se programa? Tem alguma tática?

 

Não, penso no todo. É difícil esquecer que tem gente ao meu lado. Até poderia pensar em fazer o melhor só para mim, mas às vezes tem que marcar. Tenho que dar o máximo. A vibração a cada campeonato muda.

 

Se o mar está pequeno, fico mais relaxada, mas se está grande a adrenalina aumenta. É o mar grande que faz a diferença. Nas marolas todo mundo arrebenta, mas quando rolam as ondas grandes é que se vê quem é bom mesmo. A menina que se joga e bate na parte mais crítica em um mar grande é boa mesmo.

 

Qual a importância do técnico?

 

Acho que é muito importante. Eu tenho o Bira (Schauffert), que não é bem um técnico, mas me acompanhou muitos nas viagens e me ajudou bastante. Nos últimos três anos, ele não pôde mais me acompanhar por questões financeiras e sinto muita a falta dele.

 

O Bira foi importante nas viagens, pois só o fato de ter uma pessoa de fora te vendo surfar já consegue te orientar melhor, percebe o que acontece, qual prancha funciona, onde entra mais onda.

 

Lembro que durante algumas etapas, as ondas quebravam na beira e eu até o escutava falando. Também tem o fator motivação, que ajuda muito quando vem de alguém de fora que entende do assunto.

 

Além disso, o técnico é a pessoa que te representa em algumas situações, como falar com juízes, bem como outros assuntos de viagem, diminuindo o stress do atleta.

 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.