Ícone da geração dos anos ’90, uma depois de Guilherme Tâmega, Fabio Aquino e Marcello Pedro, fez inúmeras trips na companhia dos legends Xandinho e Mariana Nogueira.
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Também ídolo da geração mais recente, que tem José otavio, André guaraná, Roberto Bruno e tantos outros por ai, J. Urdan, afastado das competições mas não das ondas, volta ao cenário.
Dono de um dos melhores currículos do cenário nacional e mundial, Urdan é grande defensor da tese de que no Brasil existem bodyboarders com estilo tão bom ou melhor que o dos gringos, os mesmos gringos que insistem em falar que no Brasil não se surfa bonito.
Uma das metas de Urdan para 2008 é mostrar aos “bons gringos” que
bodyboarder tupiniquim também tem estilão. Outra meta é participar de projetos sobre o aquecimento global e proteção da natureza, na procura de ondas em lugares exóticos e de difícil acesso.
Nesta entrevista exclusiva, J.Urdan conta um pouco dos seus pensamentos e mostra que está muito determinado a conquistar novos patrocínios e, com isso, mostrar todo seu talento para o mundo.
Empresas interessadas em contratar J.Urdan devem entrar em contato pelo email [email protected] ou acessem o blog do atleta.
Qual o motivo da mudança do nome Jefferson Anute para J.Urdan e do afastamento das competições nos últimos quatro anos?
Quanto ao nome, não foi nada relacionado a estrelismo ou vaidade e sim uma grande chatice que passei no consulado americano. Uma bucrocracia ridícula, depois de 15 anos competindo no exterior, indo e voltando ao Brasil. Os gringos resolveram não renovar meu visto por minha descendência libanesa. Não acreditei!
Nunca pisei no Líbano, minha vó nasceu lá e veio pro Brasil com 13 anos. Foi frustrante não poder ir ao Hawaii nesta última temporada. Estou com muito gás e há três anos sem pisar naquele lugar maravilhoso. Sem problemas. Próxima temporada eu vou com mais vontade ainda.
Foi até bom mudar de nome, deu vontade de recomeçar com mais determinação e realizar um novo trabalho no esporte. Não tenho medo de ter construído um nome e deixa-lo ir embora, sem passar perrengue naquele país de M que é os EUA. Além disso, tenho muita fé e garra para construir outra historia, melhor ou tão boa quanto a do Anute.
Sobre o afastamento das competições, tem hora que é para pensar e refletir. Ganhei todos os títulos que disputei, competi “frenéticamente” durante quase 15 anos. Isso deixa o cara muito ligado ao esporte e, com isso, a vida pessoal fica de lado. Tudo torna-se altamente estressante e pertubador após tantos anos.
É isso mesmo: estressante! Para quem pensa que ficar dois meses no Japão, viajar muitas horas e chegar no Nordeste em cima da hora de competir, quase que no mesmo dia é fácil, não sei o que é difícil. O Nordeste concentra alguns dos melhores bodyboarders de competição no Brasil.
Nessa época eu já tinha dois títulos brasileiros. Não tinha mais tanta importância para mim. Competia quase que por obrigação. Foi quando comecei a mudar minha relação com o bodyboard. Passei a valorizar uma linha de onda diferente da galera que competia. As ondas de campeonatos não mais me enchiam os olhos, o estresse tava grande e, para completar, chegou uma fase que não gosto de lembrar, onde o esporte começou a ruir.
Patrocinadores terminando contratos e tudo mais. Nessa, resolvi parar e me dedicar a minha vida pessoal, retomei meus estudos, passei mais tempo com minha família e amigos. Estava amarradão em ter a vida normal que por pouco não tive, desde moleque, estava envolvido no esporte. Não me arrependo de nada que fiz, foi tudo muito bom. Perdi uma fase da minha vida mas ganhei outra, tão boa quanto.
Nesse tempo afastado, não deixei de pegar onda. Deu onda boa, eu estava lá caindo. Minhas duas últimas temporadas havaianas foram só para curtir, pegar onda sem compromisso com nada nem ninguém. Minha única meta era aperfeiçoar meu estilo, sem cobrança de patrocinador.
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Se era estressante, porque não dedicar-se à apenas um circuito?
Sempre fui muito fissurado pelo esporte e achei que poderia dar conta dos três circuitos. Até consegui durante um tempo, mas depois ficou difícil. É com os erros que aprendemos, não faria isso hoje e aconselho a molecada que não faça também. É impossível conseguir seu máximo nesse nível de stress.
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Como assim? Você foi tricampeão brasileiro, campeão estadual e top do circuito mundial em todos anos que competiu.
Hahaha! Pois é, nem eu sei também. Acho que era muita vontade de estar envolvido no esporte e querer ganhar tudo. Sou muito competidor, mas um dos circuitos sempre acaba sendo prejudicado e,
no meu caso, foi o mundial, que nunca venci nenhuma etapa Pro. Meu melhor resultado foi a terceira colocação, mas tá valendo. Foi muito
irado os anos de Global Organization of Bodyboarding (GOB).
Como está o esporte na atualidade? Pretende voltar ao circuito mundial?
Falo com toda certeza que desta vez estamos no caminho certo. Escutei por anos a frase: “este é o ano do bodyboard”. Desta vez parece que vai. O bodyboard está se consolidando como esporte verdadeiro. Pequenas associações estão bem organizadas e fazendo trabalho de base. Os juízes são muito bem organizados, com entidade própria (UNAB). Um bom exemplo para que os atletas Pro façam o mesmo.
Precisamos de mais união. Esse é o canal! Aqui no Rio, o Rio BB Pro é o formato futurístico das competições. Eventos realizados em onda boa. Parabéns aos envolvidos neste projeto campeão. Esse ano também tem um prêmio de R$ 10 mil pela maior onda surfada (de bodyboard, é claro). Rolou em março, o maior campeonato já realizado no Brasil e tenho certeza que as portas abriram para muitos outros! Irado!!
Nosso mercado de filmes está ficando fortalecido. Atletas de qualidade envolvendo-se cada vez mais com estes projetos audiovisuais. Essa é a parte que estou mais amarradão no momento, mostrar nosso bodyboard para o mundo. Quem disse que brasileiro não tem estilo bonito? Aham, deixe eles pensarem assim e vamos para guerra. Bom, com tudo isso acontendo eu não podia ficar de fora. Agora que a brincadeira tá ficando boa? Para voltar ao tour mundial, vai ser o que tiver que ser e, é claro, se alguma empresa acreditar em mim
Os gringos estão certos? Brasileiro tem estilo feio de um modo geral?
Chegamos ao ponto X, não é só o nosso esporte que sofre preconceito internacional. Muitos outros esportes sofrem. Brasileiro é mal visto em todo mundo e realmente tem uns que são muito manés, envergonham a nação. Em todo cesto existe laranja podre, cabe a nós melhorar esse quadro. Brasil é o melhor país do mundo. Falta acreditar que podemos fazer mais, sermos mais patriotas. No Bodyboard não é diferente. Vejo no Brasil, revistas e até alguns atletas virando o nariz para muito brasileiro e colocando os gringos no pedestal, como se fossem deuses. Cara, que é isso? Eles surfam bem, eu sei. Mas também, é mais que obrigação tendo aquelas ondas.
Isso não dá direito deles falarem mal de nossos atletas. Li o blog da portuguesa Rita_Pires (coitada dela). A mulher parecia revoltada com Brasil. Parece até racalque. Só faltou falar que o Barcellos não merecia o título em Pipe. Fala mal de nossas ondas e de como é perigoso vir ao Brasil. Como se as ondas em Portugal fossem muito melhores que as nossas, e como se lá fosse o lugar mais tranquilo do Mundo. Nada contra os portugas.
Muito pelo contrário, tenho muitos amigos por lá e também no Hawaii e Austrália. Até concordo que muitos no Brasil não estão nem aí para estilo, só querem ganhar campeonato. Vale lembrar que é mais bonito ganhar um campeonato surfando bonito e com um estilo maneiro, do que surfando igual um carangueijo e dando porrada na onda. Para terminar a questão: coloca os brasileiros em ondas boas, durante um ano, para ver se não fazemos até melhor.
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Obrigado por lerem a entrevista, obrigado aos bodyboarders que curtem ver o Urdan pegar as boas. E mais galera, vamos lá! Desta vez o esporte está indo na direção certa! Boas ondas e não esqueçam de trabalhar o estilo.



